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Cogeração nas companhias de saneamento

No saneamento básico, 98% das empresas têm a despesa de energia elétrica entre seus três maiores gastos.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações do Saneamento Básico (SNIS), só em 2015, foram R$ 5,1 bilhões só com essa despesa.

Uma das soluções que tem despontado no setor é a cogeração. Esse modo de operação permite a redução de custos incluídos em alguns de seus processos.

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O que é cogeração?

A definição mais difundida de cogeração é: processo de geração simultânea de eletricidade e calor por meio do uso eficiente de quantidades de energia de uma mesma fonte.

Ou seja, aproveitar a energia que antes era dispersada para o meio ambiente em outro procedimento.

Desde o século XX, as indústrias utilizam o calor gerado em seus processos, por exemplo, para operar outros maquinários.

Contudo, a produção de energia em larga escala pelas concessionárias fez a classe empresarial reduzir o interesse na cogeração.

O procedimento de cogeração de energia em países como Canadá, China, Alemanha, Estados Unidos e a Rússia variam entre 8 e 30% do total produzido pelos países. No Brasil, apenas 4% da energia provém da cogeração, com 90% vindo das hidrelétricas.

Cogeração nas companhias de saneamento

Quando se trata das companhias de saneamento o principal insumo na cogeração de energia é o esgoto e o lixo urbano.

É certo que esses dois itens permeiam as discussões a respeito do setor visto suas dificuldades em universalização.

Tratamos apenas 45% do esgoto gerado no país ao passo que apenas 40,3% dos nossos resíduos sólidos têm destinação adequada.

Isso levou a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e a Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESABESP) realizarem um estudo conjunto sobre a cogeração de energia com o tratamento de esgoto.

A análise englobou aspectos técnicos e econômicos com propósito de gerar energia elétrica a fim de tratar o esgoto sem fonte externa de energia.

O estudo mostra que é viável, e até rentável, gerar gás através do tratamento de esgoto em municípios de 50.000 até 500.000 habitantes.

Considerando um projeto no qual a companhia permaneça com o contrato de saneamento básico por 15 anos, o investimento retorna entre 4 e 6 anos.

Os cálculos consideraram a implantação do projeto, custos de execução e operacionalização, recursos humanos, entre outros. Os ganhos com tarifa de esgoto e redução de custos com a energia gerada também foram considerados.

Exemplos de cogeração no saneamento

A cidade de Feira de Santana, na Bahia, é um exemplo de cogeração na prática. Desde 2016, o município possui uma usina de energia elétrica a base de biogás. O projeto foi aprovado junto a Aneel e já está em funcionamento.

O insumo para a usina é gerado pela estação de tratamento de esgoto Jacuípe II onde se extrai o metano do esgoto doméstico da cidade.

O investimento foi na casa dos 4,6 milhões de reais, executados pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), com aproximadamente 22% de recursos próprios e o restante pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba).

O gasto de energia da companhia caiu de 26 mil reais por mês para 5 mil. A energia gasta nos equipamentos eletromecânicos da estação é compensada em mais de 80%.

Essa prática de tratamento de esgoto para geração de energia também é comum na cidade de Didcot no Reino Unido. Lá, a diferença é que o benefício é destinado ao consumo doméstico.

No aferimento dos pesquisadores da Plataforma de Cidades Sustentáveis, mais de 200 casas utilizam dessa energia para manter seus aquecedores em funcionamento. A produção reduz o impacto na natureza e gera economia nas contas de energia.

A cidade mineira de Unaí também é um bom exemplo para o setor.

Um grande problema que temos no Brasil é a falta de condução adequada do chorume gerado pelos resíduos sólidos.

O chorume é produzido pelo lixo doméstico e normalmente acumulado em lixões, contaminando o solo e, posteriormente, os corpos hídricos.

Com o projeto Natureza Limpa, a prefeitura do município mineiro faz a queima do lixo coletado que antes ia direto para o aterro sanitário.

A queima dos materiais gera subprodutos típicos da cogeração e podem ser utilizados como matéria prima em outros processos, economizando energia elétrica ou até gerando.

Até o momento, o município não gera energia. Entretanto, a carbonização do chorume que ia para a natureza gera um vapor que é destilado.

Os subprodutos resultantes do processo são: óleo vegetal, alcatrão, lignina e água ácida, utilizados na produção de biodiesel, cosméticos, abrasivos, entre outros. Os produtos de origem mineral não combustível seguem para siderúrgicas ou reciclagem.

Em países como Alemanha, Suíça e Cingapura esse tipo de sistema é regra. Com a diferença de separação dos materiais recicláveis antes da incineração. O sistema demonstra ser passível de escalabilidade em nosso país.

Finalizamos com uma pergunta: A companhia de saneamento da sua cidade tem buscado mais eficiência por meio da cogeração?

Fonte: EOS Consultores

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