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Empresas apostam em reciclagem de resíduos

O Brasil produz 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, montante que aumentou 29% nos últimos dez anos, cinco vezes mais do que a taxa de crescimento populacional do período, de 6%. Neste momento de crise, em que grandes companhias buscam cortar custos e otimizar suas operações, há empreendedores se mobilizando para atender à demanda de descarte de indústrias.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a exploração do mercado de lixo no País é incipiente, ainda que o segmento cresça 10% ao ano, em média. “O valor agregado que se atribui aos resíduos no Brasil ainda é baixo”, diz o presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho. “A percepção é de que esses materiais não têm mais valor, o que justificaria a falta de cuidados com descarte e separação.”

No entanto, há empresários que vêm, há tempos, vivendo do que poderia ser jogado fora. É o caso da empresária Juliana Schunck, cuja Massfix fatura R$ 36 milhões por ano. A Massfix ajuda indústrias a encontrar maneiras de praticar o reúso de insumos.

Para ela, as multinacionais lideram esse movimento. “Percebemos que tem uma pressão externa (das matrizes) para a adoção de políticas mundiais”, diz Juliana, que pretende focar seu trabalho em empresas globais em 2016. “A política nacional ainda está discussão”, frisa a empresária, dizendo que a consciência da separação ainda não é forte por aqui.

Com foco também na indústria, o empresário Kauan Ramalho decidiu investir, há dois anos, na Bio Ideias, empresa que desenvolve soluções para tratamentos de resíduos orgânicos. A perspectiva de Ramalho é dobrar de tamanho até 2017 com uma estratégia agressiva de vendas para múltis.

O trabalho da Bio Ideias ganhou visibilidade com a implantação de telhados verdes, tecnologia que transforma o resíduo orgânico em adubo. O empresário destaca a importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, como mola propulsora deste mercado.

Já a empresária Mayura Okura decidiu montar um “marketplace” de resíduos industriais, que vão desde retalhos de tecidos até entulho da construção civil – em um total de 6 mil tipos catalogados.

Novos clientes. A B2Blue tem, para este ano, o objetivo de angariar 3 mil novos clientes até o fim deste ano, chegando a um total de 15 mil. “As indústrias são muito mais receptivas em momentos de crise quando falamos em receitas imediatas, em vez de custos”, diz Mayura.

A retração econômica é aposta da empresária para crescer entre 15% e 20% no faturamento atual da empresa, que foi de R$ 3 milhões no ano passado.

Fonte: Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão

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