A transição da automação isolada para a automação integrada
A busca por maior produtividade no setor de utilities impulsionou o uso de tecnologias de automação nas últimas décadas. No entanto, é comum encontrar concessionárias que implementaram a automação de forma pontual e desconectada: um painel com inversor de frequência em uma elevatória específica, um sensor de nível isolado em um reservatório ou um CLP (Controlador Lógico Programável) que atua sem comunicação com a central.
Embora a automação local traga ganhos pontuais de proteção do equipamento, ela não caracteriza uma operação verdadeiramente inteligente. O grande salto de eficiência ocorre na transição para a Automação Operacional Integrada, onde campo, centro de controle (CCO) e sistemas de inteligência corporativa trocam informações de forma bidirecional e em tempo real.
Decidir o momento certo de investir em automação e calcular com precisão o retorno sobre o investimento (ROI) é um dos papéis mais estratégicos dos diretores de operações e tecnologia nas empresas de saneamento.
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Indicadores claros: quando é o momento de investir em automação?
Investir em automação não deve ser um ato motivado pelo apelo tecnológico, mas sim uma resposta a gargalos operacionais bem identificados:
Sinal 1: Alta Frequência de Operação Manual em Pontos Distantes ->
Sinal 2: Elevado Custo com Deslocamento de Equipes para Manobras ->
CSinal 3: Ocorrência de Transientes e Quebras por Falha Humana
- Dependência de manobras manuais para equilíbrio do sistema: Necessidade constante de enviar operadores em veículos para abrir ou fechar registros de grande porte em horários específicos do dia ou da noite;
- Ocorrência frequente de extravasamento de reservatórios: Perda de água tratada por transbordamento (ladrão) de reservatórios devido a atrasos na identificação visual do nível ou falha de comunicação entre reservatório e elevatória;
- Altos índices de variação de pressão na rede: Oscilações severas de pressão ao longo do dia resultando em rompimentos mecânicos na tubulação e reclamações de falta d’água nas pontas de rede;
- Alto custo e risco em locais de difícil acesso: Unidades operacionais localizadas em áreas rurais ou de relevo acidentado, onde o envio presencial de equipes coloca em risco a integridade dos colaboradores.
Resultados práticos esperados com a automação integrada
Ao estruturar um projeto consistente de automação operacional, a concessionária pode projetar resultados mensuráveis nas seguintes dimensões do negócio:
1. Eficiência Energética e Redução do Consumo Específico de Energia (CEE)
Com a instalação de inversores de frequência automatizados e controlados por telemetria, o motor da bomba ajusta sua rotação exatamente à vazão e pressão necessárias para aquele instante.
- Resultado Esperado: Redução de 12% a 25% no consumo de energia elétrica das Estações Elevatórias.
2. Erradicação do Extravasamento em Reservatórios
A automação cria um elo de comunicação direta (Interlock) entre o sensor de nível do reservatório e o painel de comando da bomba da elevatória montante. Ao atingir o Nível Máximo Operacional, o sinal de parada é executado instantaneamente.
- Resultado Esperado: Eliminação de 100% do desperdício de água por extravasamento em reservatórios automáticos.
3. Redução do Tempo Médio de Atendimento a Emergências (MTTR)
Sem automação, o CCO descobre a parada de uma estação elevatória apenas quando o reservatório seca e a população começa a ligar para o call center. Com automação e telemetria, o painel envia um alarme em milissegundos para a central.
- Resultado Esperado: Redução de até 70% no tempo de resposta e restabelecimento do sistema.
4. Otimização da Mão de Obra Operacional
Em vez de alocar técnicos para funções repetitivas de verificação visual e manobra de registros, a equipe técnica passa a atuar como analistas de operação no CCO e planejadores de manutenção preditiva.
- Resultado Esperado: Aumento na produtividade por colaborador e redução de custos com horas extras e deslocamentos.
Como estruturar um projeto de automação sem estourar o orçamento
Para garantir o sucesso da implementação e evitar surpresas financeiras, a diretoria deve seguir um roteiro em quatro passos:
- Padronização de Hardware e Protocolos: Adotar controladores e instrumentos que utilizem protocolos de comunicação abertos (Modbus, DNP3, MQTT) para evitar o aprisionamento tecnológico (Vendor Lock-in);
- Infraestrutura de Comunicação Confiável: Escolher redes de transmissão adequadas para cada realidade de campo (4G/5G, NB-IoT, LoRaWAN ou rádio privativo) garantindo redundância nos pontos críticos;
- Projeto Piloto Focado no “Top 20” do Impacto: Começar a automação pelas unidades que respondem por 80% do custo de energia ou pelo maior volume de água distribuída;
- Integração com o Software de Gestão Central: Garantir que os dados coletados pela automação alimentem diretamente as plataformas corporativas de análise da empresa.
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O valor de uma automação guiada por dados
A automação operacional é o divisor de águas entre o saneamento artesanal e o Saneamento 4.0. Ela confere estabilidade hidráulica ao sistema, protege a infraestrutura física contra surtos operacionais e reduz drasticamente os custos variáveis de produção e distribuição.
Por fim, para extrair o máximo valor dos ativos automatizados, é fundamental contar com plataformas analíticas. Essas soluções transformam os sinais de automação em informações para decisões estratégicas.
Nesse contexto, o Agillis Advanced, da EOS Systems, integra-se às arquiteturas de automação e telemetria de campo. Além disso, permite gerenciar o consumo de recursos e definir alarmes parametrizados.
Dessa forma, a plataforma contribui para ampliar a eficiência operacional da empresa.
Fonte: EOS Systems