O envelhecimento invisível do patrimônio subterrâneo e eletromecânico
As empresas de saneamento gerenciam uma das infraestruturas mais complexas e custosas do setor de utilidades públicas. Diferente de outros segmentos, como a distribuição de energia elétrica ou telecomunicações — onde a grande maioria dos ativos é aérea e visível —, no saneamento, mais de 70% do patrimônio encontra-se enterrado sob as vias públicas (redes de distribuição, adutoras, coletores de esgoto e ramais).
Ademais, essa característica impõe um desafio crítico: o envelhecimento invisível dos ativos. Tubulações sofrem processos corrosivos, incrustações internas e estresse mecânico causado pelo tráfego pesado e por picos de pressão hidráulica.
Paralelamente, nas instalações de superfície — como Estações de Tratamento (ETAs/ETEs) e Estações Elevatórias (EEE/EEA) —, conjuntos motobombas, painéis elétricos e válvulas operam sob regimes severos e contínuos de trabalho.
A ausência de uma estratégia moderna de Gestão de Ativos (conforme os preceitos da ISO 55000) resulta em depreciação acelerada, alto índice de falhas prematuras, desperdício de capital em substituições emergenciais e queda vertiginosa na qualidade do serviço prestado à população.
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A evolução das estratégias de manutenção de ativos
Para estender a vida útil da infraestrutura de saneamento sem estourar o orçamento operacional (OPEX), é necessário evoluir a maturidade dos processos de manutenção:
- Manutenção Reativa: Conserta após a falha -> Custo emergencial elevado, paralisação de serviços e danos secundários;
- Manutenção Preventiva: Troca por tempo/ciclo -> Custos com substituição de peças úteis, não evita falhas aleatórias;
- Manutenção Preditiva e RCM: Monitora a saúde contínua -> Intervenção no momento exato, vida útil máxima e menor custo total (TCO).
1. Manutenção Reativa (Corretiva Emergencial)
O ativo é operado até o limite do colapso (Run-to-Failure). Além de interromper o abastecimento de forma abrupta, a quebra de um ativo crítico (como uma bomba principal de recalque) frequentemente causa estragos secundários em painéis elétricos e tubulações adjacentes, triplicando o custo do reparo.
2. Manutenção Preventiva Sistemática
Ações programadas com base em intervalos fixos de tempo ou ciclos de funcionamento (ex.: lubrificar rolamentos a cada 3 meses ou revisar válvulas anualmente). Embora reduza quebras catastróficas, este modelo apresenta dois gargalos:
- Substituição desnecessária de componentes que ainda possuíam longa vida útil;
- Incapacidade de prever falhas aleatórias que ocorrem entre os intervalos de inspeção.
3. Manutenção Preditiva e Centrada em Confiabilidade (RCM)
O estado de saúde do ativo é monitorado continuamente através de parâmetros físicos e operacionais (vibração, temperatura de mancais, vazão, pressão e eficiência hidráulica). A intervenção ocorre exclusivamente quando o ativo apresenta desvios em relação ao seu padrão nominal, maximizando sua vida útil com segurança absoluta.
Táticas práticas para prolongar a vida útil da infraestrutura
A. Controle Dinâmico de Pressão nas Redes de Distribuição
A pressão excessiva e os “golpes de aríete” (transientes hidráulicos gerados pelo fechamento brusco de válvulas ou parada de bombas) são os maiores destruidores de tubulações de água.
- Ação de Gestão: Instalação de Válvulas Reguladoras de Pressão (VRPs) geridas por telemetria, mantendo a pressão da rede dentro dos limites estritamente necessários para o abastecimento nos horários de pico e aliviando a carga nos períodos noturnos;
- Resultado: Redução de até 60% na taxa de rompimento de tubulações, estendendo a vida útil da rede em dezenas de anos.
B. Gestão da Saúde Eletromecânica de Conjuntos Motobombas
O superaquecimento de estatores e a vibração excessiva provocada por desbalanceamento ou cavitação aceleram o desgaste das bombas.
- Ação de Gestão: Monitoramento em tempo real do Consumo Específico de Energia (CEE) em kWh/m³ e do perfil de vibração;
- Resultado: Identificação do desbalanceamento hidráulico nas fases iniciais, permitindo recondicionar o rotor antes que o motor queime ou a carcaça seja danificada irremediavelmente.
C. Cadastro Técnico Georreferenciado (SIG/GIS) e Histórico de Intervenções
Ativos sem histórico cadastral não podem ser geridos estrategicamente.
- Ação de Gestão: Integração do sistema de gestão de ativos com um GIS corporativo, registrando a data de assentamento da tubulação, material (PEAD, Ferro Fundido, PVC), diâmetro, profundidade e o histórico de todas as Ordens de Serviço (OS) executadas naquele trecho;
- Resultado: Criação do índice de criticidade do ativo, permitindo planejar a substituição preventiva de redes com base no custo total de propriedade (Total Cost of Ownership – TCO).
O Retorno sobre o Investimento (ROI) da Gestão de Ativos
A adoção do gerenciamento preditivo e estruturado de ativos não deve ser vista como um centro de custo, mas como uma alavanca de valorização patrimonial e economia financeira.
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Protegendo o maior patrimônio da concessionária
A infraestrutura de saneamento representa bilhões de reais em capital aplicado. Garantir que redes, bombas e equipamentos operem com máxima eficiência e pelo maior tempo possível é o pilar central para a sustentabilidade financeira e a prestação de serviços de excelência.
Para colocar em prática uma gestão de ativos verdadeiramente preditiva, a visibilidade contínua dos parâmetros operacionais em tempo real é indispensável.
Por fim, o Agillis Advanced da EOS Systems permite acompanhar a performance de medidores, vazões e consumo de utilidades com precisão milimétrica, alertando sobre anomalias de pressão e funcionamento antes que elas causem danos irreparáveis à sua infraestrutura.
Fonte: EOS Systems