saneamento basico

Brasil pode gerar entre 15 e 22 bilhões de litros de chorume por ano

A disposição de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários produz um dos efluentes mais complexos do saneamento ambiental: o lixiviado, popularmente conhecido como chorume.

Uma estimativa preliminar, baseada nas características médias dos resíduos brasileiros e nas condições climáticas do país, indica uma geração potencial da ordem de 15 a 22 milhões de metros cúbicos de chorume por ano: o equivalente a 15 a 22 bilhões de litros.

A quantidade efetivamente produzida varia significativamente entre aterros e regiões. Entre os principais fatores estão a precipitação pluviométrica, a área do aterro exposta ou contribuinte para infiltração, a eficiência da cobertura e da drenagem, a quantidade de resíduos recebidos, sua idade e compactação e, especialmente, sua composição e teor de umidade.

No Brasil, onde aproximadamente 43% da composição média dos resíduos sólidos urbanos corresponde a alimentos e resíduos verdes, a fração orgânica exerce papel relevante na formação e nas características do lixiviado.

LEIA TAMBÉM: A crise silenciosa do chorume em São Paulo: diluir não é tratar

Brasil pode gerar entre 15 e 22 bilhões de litros de chorume por ano

Como referência preliminar para avaliação em escala nacional, pode-se trabalhar com uma faixa da ordem de 0,20 a 0,30 litro de lixiviado por habitante por dia, equivalente a aproximadamente 73 a 110 litros por habitante por ano. Trata-se, entretanto, de uma estimativa de ordem de grandeza, e não de um inventário nacional medido.

A determinação mais precisa exige considerar a população efetivamente atendida por aterros, a massa de resíduos aterrada, a pluviosidade regional, o balanço hídrico e as condições construtivas e operacionais de cada empreendimento.

A dimensão desses números evidencia um desafio ainda pouco mensurado no saneamento brasileiro: quanto chorume o país efetivamente produz, quanto é submetido a tratamento específico e qual parcela ainda depende de soluções inadequadas ou insuficientemente controladas?

A construção de um inventário nacional de geração, tratamento e destinação de lixiviados permitiria transformar esse passivo pouco visível em um indicador objetivo de desempenho ambiental dos sistemas de disposição final de resíduos.

LEIA TAMBÉM: Regulação fragmentada: o que o transporte coletivo pode aprender com o saneamento?


 

Escrito por:

Walter Plácido Teixeira Junior – Diretor na AST Ambiente e Lavoro Solutions | Especialista em Gestão de Resíduos Sólidos, Sustentabilidade e Políticas Públicas.

Últimas Notícias:
A crise silenciosa do chorume em São Paulo diluir não é tratar

A crise silenciosa do chorume em São Paulo: diluir não é tratar

O Estado de São Paulo ostenta uma das maiores e mais complexas infraestruturas de disposição final de resíduos sólidos urbanos da América Latina. Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) indicam que o estado contava, em 2023, com 302 aterros sanitários em operação, recebendo cerca de 39 mil toneladas diárias de resíduos.

Leia mais »