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Construindo o Ecossistema de OEMs do Brasil Por que o Momento de Agir e Agora

Construindo o Ecossistema de OEMs do Brasil: Por que o Momento de Agir e Agora? | Transcend

O Brasil esta no meio de um dos processos de expansão de infraestrutura mais consequentes do seculo XXI. O Novo Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, rompeu um século de monopolio do setor público e abriu o mercado para a participação privada, estabelecendo metas nacionais de 99% de cobertura de água e 90% de tratamento de esgoto ate 2033.

Segundo a Roland Berger, a participação do setor privado já cresceu de 13% em 2012 para 42% em 2024, com investimentos privados previstos de BRL 105 bilhões em 43 projetos de privatização ate 2033.

Esse é um volume extraordinário de infraestrutura a ser planejado, projetado e entregue em um prazo comprimido, em um país vasto e geograficamente diverso. Para fabricantes de equipamentos e fornecedores de tecnologia que atuam no setor de água e saneamento do Brasil, isso representa uma oportunidade geracional.

Mas aproveita-la exigira muito mais do que produtos de qualidade. Exigiria uma forma fundamentalmente diferente de fazer com que esses produtos sejam especificados, projetados e implantados em escala.

 

O Problema da Especificação


Aqui está um desafio que todo OEM do setor hídrico brasileiro conhece bem, ainda que raramente seja nomeado diretamente: o momento que mais importa, quando engenheiros e concessionárias estão avaliando tecnologias, definindo especificações e consolidando o projeto, e também o momento em que a maioria dos fornecedores de equipamentos tem menos visibilidade e influência.

Quando uma RFQ ou RFP formal chega, as decisões críticas já foram tomadas. As tecnologias de tratamento ja foram pré-selecionadas. Os layouts ja foram esboçados. Os orçamentos ja foram ancorados em premissas que podem ou não favorecer a sua linha de produtos. Vencer aquela licitação é possível, mas é mais difícil, mais lento e mais caro do que precisa ser.

Esse não é um problema exclusivamente brasileiro, mas a escala do Brasil o amplifica consideravelmente. Como relata a Smart Water Magazine, o esforço do Brasil para levar mais 35 milhoes de pessoas a sistemas de água tratada e 104 milhões a redes de esgoto até 2033 representa uma demanda de mercado sem precedentes.

Projetos estao sendo estruturados e dimensionados simultaneamente em todas as regiões do país, desde grandes concessões metropolitanas em São Paulo e Rio de Janeiro até PPPs emergentes no Nordeste. Nenhum fornecedor de equipamentos tem capacidade tecnica para estar presente em todas essas conversas de fase inicial.

As empresas que descobrirem como inserir sua tecnologia na frente do processo de design, e não apenas responder a ele, serão as que definirão o cenário de infraestrutura do Brasil nas próximas três décadas.

 

De Reativo para Integrado


O modelo tradicional de engajamento de OEMs em projetos de infraestrutura é reativo por natureza. Um projeto é definido. Um engenheiro emite uma RFQ. Um fornecedor responde com uma proposta. O fornecedor com o menor preço, a entrega mais rápida ou o melhor relacionamento geralmente vence.

Esse modelo fazia sentido quando os projetos avançavam lentamente e os relacionamentos podiam fazer o trabalho de influenciar especificações. No Brasil de hoje, onde uma única iniciativa como a parceria da SABESP com a Arcadis abrange 375 municípios e um investimento público de R$ 70 bilhões, esse ritmo não é mais viável.

As firmas de consultoria de engenharia e as equipes de planejamento das concessionárias precisam percorrer o processo de avaliação de tecnologias mais rapidamente do que qualquer modelo convencional de engajamento de fornecedores suporta.

O que os OEMs mais visionários estão fazendo em vez disso. É integrar seus produtos e dados de desempenho diretamente nas ferramentas digitais que os engenheiros já usam durante o projeto em fase inicial.

Quando uma concessionária ou EPC executa uma análise de viabilidade. As tecnologias que aparecem nessa análise. Com dados reais de custo. Lógica de dimensionamento. E benchmarks de desempenho. São as tecnologias que serão especificadas. As que não aparecem. Simplesmente não são consideradas.

Esse é o princípio por trás do programa Transcend Nexus, que conecta fabricantes de equipamentos diretamente ao fluxo de trabalho de projeto em fase inicial dentro do Transcend Design Generator (TDG).

Ao integrar dados de OEMs ao processo de opcionamento de infraestrutura em fase inicial, o Nexus permite que os usuários avaliem tecnologias com base em dados reais de desempenho e custo, no momento em que as escolhas tecnológicas de longo prazo estão sendo feitas.

Para os OEMs, isso cria um canal direto para as conversas que precedem a contratação.

 

O Que um Ecossistema Digital Realmente Significa para os OEMs


O conceito de ecossistema de OEMs em infraestrutura é às vezes usado de forma imprecisa, mas no contexto brasileiro ele tem um significado específico e urgente.

Um ecossistema não é simplesmente uma lista de fornecedores ou um catálogo de produtos. É um conjunto de relações interconectadas, entre fornecedores de tecnologia, consultores de engenharia, concessionárias e as plataformas digitais que mediam decisões de projeto, que funciona como uma rede e não como uma coleção de transações isoladas.

Em um ecossistema bem funcionando, os dados de produto de um OEM não estão presos em um catálogo PDF. Eles estão incorporados na lógica computacional que as equipes de engenharia usam para comparar opções, estimar custos e gerar projetos preliminares.

Quando uma concessionária em Recife ou uma EPC em Curitiba executa um cenário para uma nova instalação de tratamento, o resultado já reflete as características reais do equipamento que seria necessário.

Considere o que isso significa na prática. Quando a SABESP, a maior empresa de saneamento da América Latina, adotou o TDG para planejar e projetar instalações de água e esgoto em 377 municípios do estado de São Paulo, cada avaliação de tecnologia que as equipes de engenharia realizaram dentro da plataforma foi moldada pelo que estava disponível nela.

Os OEMs já integrados ao TDG através do programa Nexus tiveram lugar nessa mesa. A integração da tecnologia Nereda de grânulos aeróbicos da Royal HaskoningDHV ao TDG através do programa Nexus é um exemplo direto dessa estratégia em ação, permitindo que engenheiros comparem a Nereda com opções convencionais de tratamento durante as fases de planejamento de capital e opcionamento.

A tecnologia entra na sala antes da RFP. Essa é a vantagem competitiva que um ecossistema digital cria.

Para o Brasil especificamente, os riscos são ainda maiores porque o ecossistema ainda está sendo formado. As concessões, PPPs e programas federais que estão reformulando o setor também estão reformulando suas relações com fornecedores.

Os OEMs que estabelecem sua presença digital agora, inserindo sua lógica de produto nas plataformas onde engenheiros e concessionárias brasileiras estão fazendo seu trabalho de fase inicial, serão os que mais se beneficiarão conforme o volume de projetos se acelera até 2027 e além.

Um Mercado que Recompensa o Posicionamento Antecipado


O setor de água e saneamento do Brasil não é mais um mercado lento e dependente de relacionamentos. Como relata a BNamericas, a crescente concorrência, as novas rodadas de concessões e a busca por maior eficiência e menores custos estão impulsionando projetos de digitalização em todo o setor.

As concessionárias estão adotando novas ferramentas de planejamento. As firmas de engenharia estão sob pressão para acelerar estudos de viabilidade e projetos conceituais. O ciclo de contratação está se comprimindo mesmo enquanto o volume de projetos cresce.

Para os OEMs, essa combinação, mais projetos, ciclos mais rápidos e avaliações de múltiplas tecnologias mais complexas, é ao mesmo tempo uma oportunidade e uma pressão. As empresas com a presença digital mais sofisticada vão se mover mais rápido, aparecer em mais conversas de fase inicial e converter mais dessas conversas em projetos especificados.

O ecossistema está sendo construído. A questão não é se faz parte dele. A questão é se você vai ajudar a moldá-lo agora, ou tentar ingressá-lo mais tarde nos termos de outros.

Fonte: Transcend


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