saneamento basico

Avaliação dos métodos de projeção populacional para elaboração de projetos de saneamento básico em Belém do Pará/PA

Resumo

Para o dimensionamento de obras de saneamento, é de fundamental importância a aplicação de modelos matemáticos, que possibilitem a estimativa da população a ser atendida pelos serviços provenientes da execução dos projetos. Sabe-se que projeções populacionais realizadas adequadamente possibilitam maior eficiência na distribuição dos serviços oferecidos. Por outro lado, uma projeção consideravelmente abaixo ou acima do que representará a realidade pode gerar, por exemplo, deficiências no atendimento dos usuários e encarecimento do projeto para uma determinada região. Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo demonstrar a importância da adequada projeção populacional, bem como discutir sobre a precisão dos métodos de projeção utilizados na elaboração de projetos de saneamento básico no município de Belém do Pará. Os métodos de projeção adotados foram o Método Aritmético, Método Geométrico e Método Logístico. O estudo foi realizado em quatro etapas. A primeira etapa consistiu na pesquisa bibliográfica à cerca das metodologias utilizadas, a segunda consistiu na coleta de dados populacionais referentes ao município de Belém, a terceira na aplicação dos métodos de projeção e a quarta etapa consistiu na comparação do resultados obtidos com as estimativas do Plano de Saneamento de Belém, tendo-se como base os censos do IBGE. Com base nos resultados obtidos, pôde-se concluir sobre a precisão dos métodos utilizados, quando comparados com os dados das projeções feitas para o Plano de Saneamento Básico do Município de Belém (PSBMB), com base nas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também foi possível concluir sobre quais as vantagens e desvantagens de cada método.

Introdução 

Segundo Matuda (2009) em qualquer país o crescimento populacional resulta de duas variáveis: o saldo das migrações externas e o crescimento natural ou vegetativo da população. No caso do Brasil, apesar da imigração ter contribuído de forma decisiva no aumento populacional, sem dúvida foi o crescimento vegetativo o fator principal desse aumento. Se até a década de 1930 a imigração teve participação importante no crescimento populacional, a partir de então, o crescimento populacional passou a depender, quase exclusivamente, do crescimento vegetativo.

Quando aborda-se especificamente Belém do Pará, verifica-se que a dinâmica do crescimento populacional não foi diferente. De acordo com Coêlho (2017), o dinheiro gerado pela comercialização da borracha, no século XIX, foi muito importante para a estruturação urbana do município. À partir do ano de 1897, foram promovidas diversas mudanças de renovação estética e higienista como a instalação de uma rede coletora de esgoto, criação do serviço de transporte público e a instalação de poços artesianos para fim de abastecimento.

Dessa forma, houve um grande número de imigrantes e emigrantes vindo morar e trabalhar na cidade, fazendo com que o crescimento de sua população se acentuasse, até que este passasse a ser predominantemente vegetativo.

Neste contexto, conforme explica Benetti (2007), muitos serviços públicos são estratégicos e necessitam de projeção populacional para que não sofram as consequências da falta de planejamento adequado, já que a falta de infraestrutura em algumas áreas pode acarretar problemas em outras. Exemplo disso é a relação entre os serviços de água e esgoto com a área da saúde pública, levando em conta os problemas de saúde ocasionados pelo contato de pessoas com águas poluídas e/ou contaminadas. Este fato, por si só, justifica a necessidade de investimento em infraestrutura.

Nos projetos de saneamento básico, a projeção populacional é indispensável, pois para os diferentes projetos
dessa área é necessário o conhecimento da população de início e de final de plano (população de projeto), bem
como da sua evolução ao longo do tempo, para o estudo das etapas de implantação. Estes valores servem de
“base” para os dimensionamentos.

Quanto os modelos matemáticos utilizados para efetuar a projeção populacional, Hernández e Peroni (2011)
entendem que não há um perfeito que seja geral, realista, preciso e simples ao mesmo tempo. A generalidade e
a simplicidade sacrificam a precisão e o realismo de um modelo, que nada mais é que uma simplificação da
realidade, para facilitar seu entendimento, e que pode gerar formulações que imitam um fenômeno do mundo
real. Conforme os referidos autores, apesar de os modelos que necessitarem de precisão, possibilitam a
compreensão de tendências populacionais básicas.

Autores: Giovanni Chaves Penner; Ana Gabriela Santos Dias e Laércio dos Santos Rosa Junior.

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