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Em 3 anos, 1,8 milhão de toneladas de embalagens retornaram ao ciclo produtivo

Embalagens Ciclo Produtivo

Por: Fernanda Peregrino 

O crescente interesse da sociedade por questões ambientais tem gerado uma conscientização sobre o impacto das embalagens no meio ambiente.

Consumidores, cada vez mais informados, buscam marcas comprometidas com a sustentabilidade e têm pressionado as empresas a adotarem práticas mais responsáveis em relação ao ciclo de vida de seus produtos.

Por isso, cresce no mundo todo a adoção de práticas sustentáveis por diversos setores da economia. Nesse processo, a logística reversa de embalagens pós-consumo desponta. A ideia é recolher, reciclar e reutilizar materiais, diminuindo assim a quantidade de resíduos enviados aos aterros sanitários.

No Brasil, o avanço significativo dessa prática tem conquistado a atenção de empresas, consumidores e órgãos reguladores. De acordo com a plataforma Central de Custódia, que coleta e analisa dados de logística reversa de embalagens na América Latina, desde 2021, retornaram ao ciclo produtivo mais de 1,8 milhão de toneladas de embalagens pós-consumo.

“No Brasil, estamos avançando de forma muito positiva na rastreabilidade das informações relacionadas à logística reversa de embalagens. Inclusive o verificador independente de resultados foi regulamentado em nível federal por meio do Decreto Federal n° 11.413 de 2023, e de Decretos Estaduais em Pernambuco, Paraíba, Piauí, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Sergipe, Maranhão, o que torna o case brasileiro um destaque na logística reversa de embalagens no mundo”, afirma Fernando Bernardes, diretor de Operações da Central de Custódia.

Para ter uma ideia da evolução da logística reversa de embalagens no Brasil, em 2021, foram recuperadas cerca de 156 mil toneladas. Já em 2022 retornaram ao ciclo produtivo mais de 600 mil toneladas. Ano passado, a empresa contabilizou mais de 1 milhão de toneladas.

Entre os materiais recuperados – ou seja, reintegrados ao ciclo produtivo, evitando a contaminação do meio ambiente –, 787 mil toneladas eram de papel, 464 mil toneladas de plástico, 236 mil toneladas de metal e 232 mil toneladas de vidro.

Desafios a serem superados

Apesar do progresso, no Brasil, apenas 4% dos resíduos sólidos recicláveis são enviados para esse processo. Índice muito abaixo de países como Chile, Argentina, África do Sul e Turquia, que apresentam média de 16% de reciclagem, segundo dados da ISWA (International Solid Waste Association). O Panorama dos Resíduos Sólidos 2021, divulgado pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) aponta que o Brasil contabilizou 27,7 milhões de toneladas anuais de resíduos recicláveis.

Mas outro levantamento feito pela Abrelpe em 2019 mostrou que somente os recicláveis encaminhado para aterros e lixões nas cidades brasileiras levam a uma perda de R$ 14 bilhões anualmente. Já um relatório do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado em 2010 apontou que, então, o país perdia R$ 8 bilhões por ano quando deixava de reciclar todo resíduo reciclável.

Para o diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, falta infraestrutura das prefeituras para permitir que esses materiais retornem para o ciclo produtivo. “Faltam unidades para descarte separado, coleta seletiva; faltam unidades de triagem; e, por fim, eu diria que falta uma estrutura fiscal tributária para permitir que esse material reciclável seja atrativo para a indústria”, explica.

Por isso, o apoio governamental é essencial para o avanço da logística reversa no Brasil. A implementação de políticas de regulamentação e a concessão de incentivos fiscais encoraja consumidores e empresas a investirem em sistemas eficazes de coleta e reciclagem de embalagens.

Embalagens Ciclo Produtivo

Nesse sentido, em 2022, foi instituído o Planares (Plano Nacional de Resíduos Sólidos). Ele trouxe metas para os próximos 20 anos para a reciclagem de materiais, valorização, aproveitamento de resíduos. “Acho que, agora, a gente tem o arcabouço completo para esse setor avançar. Precisamos, realmente, fazer disso uma realidade, transformar tudo isso que está à disposição do mercado em números que venham refletir a reciclagem”, afirma Silva Filho.

Então o Planares determina o aumento crescente da recuperação de resíduos e estabelece meta de 50% de aproveitamento, em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética.

Em suma os resultados da legislação já são sentidos. Só na plataforma Central de Custódia, participam 569 municípios dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Há dois anos, havia o cadastrado de apenas 189 municípios.

Fonte: Varejo SA.

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