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Aplicação de estruturas geotêxteis modulares (GEOXTEEL®) como tanque pulmão em sistemas de tratamento de efluentes estudo de caso em uma ete no interior de são paulo SBV Engenharia Ambiental

Aplicação de estruturas geotêxteis modulares (GEOXTEEL®) como tanque pulmão em sistemas de tratamento de efluentes: estudo de caso em uma ETE no interior de São Paulo | SBV Engenharia Ambiental

Variações significativas de vazão e de carga de sólidos ao longo do tempo frequentemente influenciam a operação de estações de tratamento de efluentes (ETEs).

Tais alterações podem estar associadas a características do processo produtivo, descargas de unidades industriais, operações de limpeza ou eventos de chuva. Quando não adequadamente equalizadas, tais flutuações podem comprometer a estabilidade das etapas de tratamento, gerar sobrecarga em equipamentos e reduzir a eficiência global do sistema.

Nesse contexto, unidades de amortecimento hidráulico, usualmente denominadas tanques pulmão ou tanques de equalização, desempenham papel importante ao permitir que as unidades subsequentes operem sob condições mais estáveis.

Reservatórios em concreto ou aço tradicionalmente desempenham essa função, pois absorvem picos momentâneos de vazão e regularizam a alimentação do sistema.

Entretanto, em situações que exigem rápida implantação ou ampliação emergencial de capacidade, a construção de estruturas convencionais pode demandar prazos e investimentos altos. Nessas condições, soluções baseadas em estruturas flexíveis de contenção têm sido avaliadas como alternativas para armazenamento temporário de efluentes e lodos.

O sistema Geoxteel® consiste em uma estrutura geossintética de grande volume, composta por módulos metálicos, desenvolvida para contenção, armazenamento e desaguamento progressivo de materiais com alto teor de sólidos. Fabricado com geossintéticos de alta resistência mecânica e permeabilidade controlada, o sistema permite reter os sólidos enquanto promove drenagem gradual da fase líquida.

Embora aplicações de desaguamento de lodo utilizem frequentemente o Geoxteel®, ele também pode atuar como reservatório intermediário. Dessa forma, o sistema desempenha função semelhante à de um tanque pulmão em determinadas configurações operacionais.

Quando utilizado dessa forma, o sistema passa a exercer a função de armazenamento temporário do fluxo, permitindo que o volume interno da estrutura absorva picos de vazão provenientes das etapas a montante do tratamento.

Essa aplicação foi avaliada em uma estação de tratamento de esgoto localizada no interior do estado de São Paulo, responsável pelo tratamento de efluente doméstico com geração de lodo biológico em lagoa facultativa. A estação apresentava picos operacionais de produção de lodo que frequentemente superavam a capacidade instantânea das unidades de manejo existentes, causando instabilidades operacionais.

Como alternativa, e considerando o espaço limitado disponível, a equipe implantou um sistema Geoxteel® na área da estação. Para isso, preparou previamente o local com base compactada de brita e revestimento em Polietileno de Alta Densidade (PEAD).

Neste formato, a estrutura foi configurada especificamente para atuar como tanque pulmão, sem função de desaguamento. O revestimento interno com PEAD garantiu a impermeabilização do sistema, permitindo que o volume armazenado permanecesse contido na estrutura.

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O lodo passou a ser encaminhado à centrífuga instalada na sequência por bombeamento, funcionando como reservatório intermediário destinado a absorver variações momentâneas de vazão.

Durante a operação, o sistema passou a desempenhar essencialmente a função de armazenamento temporário, permitindo a acumulação do lodo gerado nos períodos de maior carga operacional.

Dessa forma, a equipe podia recircular o volume armazenado posteriormente ou encaminhá-lo de maneira controlada às etapas subsequentes do processo, de acordo com a capacidade operacional disponível na linha de tratamento.

A presença do Geoxteel® permitiu, portanto, desacoplar temporariamente a geração de lodo da capacidade de processamento das unidades existentes, atuando como elemento de equalização hidráulica e armazenamento intermediário.

Essa configuração contribuiu para maior estabilidade operacional da estação, reduzindo o impacto de picos de produção de lodo sobre as unidades.

Outro aspecto relevante observado foi a simplicidade de implantação da solução. A instalação da estrutura exigiu apenas a preparação da base e a aplicação da manta de PEAD para garantir a estanqueidade do sistema, dispensando a execução de estruturas civis convencionais em concreto.

Isso permitiu rápida entrada em operação do tanque pulmão, atendendo à necessidade de ampliação da capacidade de armazenamento da estação em curto prazo.

Os resultados indicam que a utilização do sistema Geoxteel® como tanque pulmão pode representar uma alternativa técnica eficaz. Dessa forma, a solução permite o armazenamento temporário de lodos. Além disso, atende estações de tratamento que enfrentam variações operacionais significativas. Por fim, também responde a limitações de espaço.

Quando configurado como reservatório impermeabilizado, o sistema pode oferecer capacidade adicional de equalização hidráulica com rápida implantação e reduzida intervenção estrutural na planta existente.

Fonte: SBV Engenharia Ambiental


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