saneamento basico

A importância da água

Enéas Ripoli e Hélio Samora*

Todos sabem como a água é importante para a vida, mas especificamente no Brasil deveríamos nos preocupar muito mais com as perdas desse bem tão precioso, até porque elas poderiam ser evitadas, ou drasticamente reduzidas, se as empresas públicas e privadas de saneamento básico adotassem tecnologias já existentes e disponíveis para melhorar o monitoramento e a gestão dessas perdas e, com isso, tomar ações efetivas para reduzi-las de forma substancial.

É importante que a população saiba que no Brasil são extraídos mais de 16 bilhões de m³ de água por ano dos mananciais hídricos (segundo dados da SNIS 2018) que são transformados em água potável, mas apenas metade desse total é bem utilizado. A outra metade, chamada de “perdas de água”, representa um enorme desperdício, cujas consequências danosas são sentidas por toda a sociedade, além dos prejuízos causados ao meio ambiente. Não podemos ficar indiferentes diante desta situação e só nos darmos conta disso quando falta água nas nossas torneiras. Como cidadãos, somos orientados a fazer o mínimo para preservar a água com mensagens do tipo: “feche a torneira para escovar os dentes”, sendo que os 99% restantes das ações corretivas deveriam ser de responsabilidade das empresas de saneamento que por um motivo ou outro continuam a desperdiçar 50% da água potável processada. Não é com ações isoladas e mínimas que iremos preservar a água para a nossa sobrevivência e a das futuras gerações.

Recursos Hídricos

A conscientização da população sobre esse assunto é fundamental porque com maior conhecimento sobre o que ocorre na sua cidade, os cidadãos terão argumentos fortes para cobrar dos gestores públicos e privados as ações efetivas de combate à má utilização da água. Vale destacar que se apenas a água que se perde por vazamentos fosse recuperada, haveria quantidade suficiente para abastecer 37,5 milhões de brasileiros consumindo 150 litros de água por dia. E concomitantemente, se a água que os consumidores utilizam fosse corretamente medida e faturada, em termos de valores seriam acrescidos R$ 12 bilhões ao ano de receita às empresas de saneamento básico, que poderiam ser investidos na qualidade e universalização dos serviços de água e esgoto.

Haveria outros ganhos recorrentes como na saúde pública, com a diminuição de doenças relacionadas à água e esgoto; equilíbrio econômico das empresas de saneamento básico; recuperação da receita sobre a água consumida; otimização de investimentos na produção de água e tratamento de esgoto; potencialização das empresas de saneamento básico para realizar investimentos na universalização dos serviços de água e esgoto, o  que resultaria na melhoria na qualidade dos serviços prestados, na cobrança justa pela água consumida e na prática de tarifas adequadas.

A modernização da gestão de distribuição da água, com a adoção de uma solução eficaz, sistemática e definitiva possibilita também a melhoria da gestão ambiental no que se refere à preservação dos mananciais hídricos e do meio ambiente. Mas a população também deve fazer a sua parte por meio de ações corriqueiras e preventivas tais como: não ocupar áreas de preservação ambiental e de mananciais, não poluir os córregos e rios, descartar o lixo de forma correta, e ainda obter mais informações sobre a produção e distribuição de água potável para, assim, ter voz ativa e exigir dos gestores ações efetivas de combate às perdas e ao desperdício desse bem tão essencial para a vida.

*Enéas Ripoli é graduado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), em Engenharia de Sistemas pela Fundação Armando Álvares Penteado e em Tecnologia em Eletromecânica pelo CTIEO. Atualmente é CEO da GestÁgua Consultoria e Serviços, especializada no combate e gestão de perdas de água, e CTO na empresa SmartAcqua Solutions.

*Hélio Samora é graduado em Engenharia Mecânica (Mackenzie), com pós-graduação em Marketing Industrial (ESPM). Atualmente é sócio-fundador e CEO da SmartAcqua Solutions e CEO da i-IoT Solutions.

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