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Obra de R$ 3 bilhões transforma água do oceano em potável e terá estrutura a mais de 1 km da costa brasileira para atender 720 mil pessoas

Obra de R$ 3 bilhões transforma água do oceano em potável e terá estrutura a mais de 1 km da costa brasileira para atender 720 mil pessoas

Segundo a Cagece, a estrutura poderá atender aproximadamente 720 mil pessoas.

A previsão divulgada é de que a obra seja concluída em cerca de 24 meses, com possibilidade de início da operação em 2028

Fortaleza, no Ceará, vai ganhar uma nova fonte de abastecimento de água. Uma megaobra de dessalinização será construída na Praia do Futuro para transformar água do mar em água potável.

O projeto da Dessal Ceará recebeu autorização para entrar na fase de execução em julho de 2026. A iniciativa prevê investimento superior a R$ 3 bilhões e terá capacidade para produzir 1.000 litros de água potável por segundo.

Segundo a Cagece, a estrutura poderá atender aproximadamente 720 mil pessoas. A previsão divulgada é de que a obra seja concluída em cerca de 24 meses, com possibilidade de início da operação em 2028.

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Água do mar será captada a mais de 1 km da costa

O sistema terá aproximadamente 2,61 quilômetros de tubulações para transportar a água captada no oceano até a planta de tratamento.

A estrutura de captação ficará a cerca de 1,1 quilômetro da costa. O ponto escolhido possui aproximadamente 14 metros de profundidade.

Um dos trechos da tubulação terá 1.360,5 metros de extensão e diâmetro externo de 1,6 metro. A água será retirada do mar por uma estrutura submersa e levada até uma estação de bombeamento.

Depois disso, o líquido seguirá para as etapas de tratamento dentro da unidade instalada na Praia do Futuro.

Osmose reversa será usada para retirar o sal

A Dessal Ceará terá capacidade nominal para captar cerca de 207,4 milhões de litros de água do mar por dia.

Desse volume, a expectativa é produzir até 86,4 milhões de litros de água potável diariamente. O processo terá como principal tecnologia a osmose reversa.

Primeiro, filtros retiram materiais sólidos e outras partículas presentes na água. Em seguida, bombas aumentam a pressão para fazer o líquido atravessar membranas que retêm os sais dissolvidos.

Após essa etapa, a água passa por um tratamento final. O processo inclui ajustes de pH e alcalinidade, além de desinfecção antes do envio para o sistema de abastecimento.

Sal retirado da água volta para o oceano

A dessalinização não elimina o sal. O processo gera uma corrente concentrada, conhecida como salmoura.

O projeto prevê um sistema próprio para devolver esse material ao oceano. Para isso, será utilizado um emissário submarino com aproximadamente 2,06 quilômetros.

A Cagece também participa de estudos sobre possíveis formas de aproveitar a salmoura no futuro. Entre as possibilidades estão a recuperação de minerais, a produção de produtos químicos e o aproveitamento energético.

Essas alternativas, porém, ainda dependem de estudos de viabilidade técnica e econômica.

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Nova estrutura deve reforçar abastecimento

A produção prevista de 1.000 litros de água potável por segundo representa cerca de 12% da oferta do macrossistema responsável pelo abastecimento de Fortaleza e áreas interligadas.

Depois do tratamento, a água será encaminhada para reservatórios da Cagece. A partir desses pontos, seguirá para a rede de distribuição.

O projeto chegou à fase de execução após anos de estudos, alterações na área escolhida e processos de licenciamento.

Se o cronograma previsto for mantido, a Dessal Ceará poderá começar a operar em 2028. A nova fonte deve ajudar a diversificar o sistema de abastecimento e reduzir parte da dependência de açudes e outros sistemas que atualmente fornecem água para a região.

Fonte: Diário do Litoral


 

Escrito por:

Igor de Paiva – Jornalista graduado pela Universidade Católica de Santos, Igor de Paiva integra a equipe de repórteres do Diário do Litoral, veículo membro do Gazeta Mídia Grupo (GMG). Especializou-se na produção de reportagens factuais, regionais e nacionais de hard news.

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