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Perdas de água pressionam os custos do saneamento e exigem eficiência operacional, explica Márcio André Savi

Perdas de água pressionam os custos do saneamento e exigem eficiência operacional, explica Márcio André Savi

A água tratada que se perde antes de chegar ao consumidor pressiona tarifas, investimentos e metas de universalização das concessionárias.

Entre os indicadores que definem a saúde financeira de uma operação de saneamento, Márcio André Savi, profissional da área de engenharia, analisa um que costuma receber menos atenção do que deveria fora do setor: as perdas de água no processo de distribuição.

O custo incorrido sem receita correspondente é gerado quando há um volume de água captado, tratado e bombeado, mas que não chega ao consumidor final ou não é faturado.

O tema adquiriu maior importância com o Novo Marco Legal do Saneamento, de 2020, que incluiu metas de redução de perdas entre os requisitos dos contratos de prestação do serviço.

Desde então, o indicador deixou de ser considerado exclusivamente uma métrica operacional, passando a integrar a avaliação de concessões, a modelagem de leilões e o planejamento de investimentos das empresas.

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Qual é a diferença entre perda física e perda comercial?

As perdas de água podem ser divididas em dois grupos, de acordo com os efeitos econômicos distintos que provocam. A perda física, também chamada de real, ocorre quando há vazamento de água, seja em tubulações, ramais ou reservatórios.

Nesse caso, a companhia arca com todo o custo de produção, que inclui energia elétrica, produtos químicos e operação das estações, sem entregar o produto.

A perda comercial, ou aparente, ocorre quando a água chega ao usuário, mas não é contabilizada corretamente. Entre os fatores que contribuem para esse cenário, podemos citar a submedição de hidrômetros antigos, as ligações clandestinas e as falhas de cadastro.

Márcio André Savi examina essa distinção como ponto de partida de qualquer diagnóstico, visto que cada tipo de perda exige intervenções, prazos e investimentos diferentes. Tratar as duas da mesma forma pode resultar em desperdício de recursos.

Como as perdas de água afetam o caixa das concessionárias?

É importante ressaltar que o impacto em questão pode ser observado em mais de uma linha do balanço. A perda física resulta no aumento do custo unitário da água entregue, uma vez que a estrutura de produção precisa operar acima do necessário para compensar o volume desperdiçado.

A perda comercial impacta diretamente o faturamento, uma vez que o serviço é prestado e não é cobrado.

Ademais, há um efeito menos visível sobre a expansão. Quando há perda significativa de uma parcela da produção, a empresa pode ser compelida a investir em novos mananciais, adutoras e estações antes do tempo, mesmo que o volume necessário já esteja disponível no próprio sistema.

Márcio André Savi estabelece uma correlação entre esse ponto e a alocação de capital, afirmando que, em muitos casos, recuperar água perdida custa menos do que produzir água nova. Isso coloca o controle de perdas na disputa por recursos com as obras de ampliação.

Onde a engenharia atua para reduzir o desperdício

A luta contra as perdas físicas deve começar com a setorização da rede em distritos de medição e controle. Nessas áreas delimitadas, é possível comparar com precisão o volume de água que entra na rede com o volume consumido.

A partir desse balanço, a gestão da pressão com válvulas redutoras diminui a ocorrência e a vazão dos vazamentos. Além disso, a detecção acústica permite localizar rompimentos que não afloram à superfície.

No contexto comercial, a substituição programada de hidrômetros é essencial. A revisão cadastral e a macromedição confiável também contribuem para alinhar a faturação ao consumo real. Dessa forma, a gestão financeira se torna mais precisa e eficiente.

Márcio André Savi destaca que a sequência dessas medidas é tão relevante quanto as próprias intervenções. A substituição de redes, por exemplo, é a medida mais onerosa. Por isso, seu desempenho melhora quando a intervenção se baseia em dados de setores já monitorados, em vez de estimativas gerais.

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Perdas como variável de investimento

Com a entrada de operadores privados e a multiplicação de concessões regionais, a eficiência operacional deixou de ser um assunto restrito à engenharia e passou a ter peso na avaliação dos ativos.

O nível de perdas de um sistema afeta a projeção de receitas, o volume de investimento necessário e a capacidade de atingir as metas de universalização dentro do prazo contratual.

Ao mapear a relação mencionada, o engenheiro civil Márcio André Savi trata a redução das perdas hídricas como um eixo que gera retorno tanto na redução de custos operacionais como na expansão do sistema. Para investidores e gestores, o indicador tende a funcionar cada vez mais como um termômetro da qualidade da gestão de uma concessão.

Fonte: BlueStudio

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