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Tecnologia transforma esgoto doméstico em água de reúso e impulsiona a produção de alimentos em comunidades rurais de oito estados

Tecnologia transforma esgoto doméstico em água de reúso e impulsiona a produção de alimentos em comunidades rurais de oito estados

Sistema SARA trata esgoto doméstico, transforma águas residuárias em água de reúso para irrigação e leva saneamento rural, saúde e segurança hídrica ao Semiárido brasileiro.

A expansão do Sistema SARA (Saneamento Ambiental e Reúso de Água) vem redesenhando a rotina de comunidades rurais no Semiárido brasileiro.

Entre 2020 e 2024, 25 unidades foram implantadas em oito estados, levando saneamento básico e permitindo o aproveitamento de águas residuárias na produção agrícola.

Ao mesmo tempo, outras 32 estruturas estão em fase de instalação, com execução prevista até 2027.

Desde o início da iniciativa, os investimentos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) somam R$ 3,5 milhões.

Sistema SARA combina saneamento e segurança hídrica

Diferentemente de modelos tradicionais, o Sistema SARA foi concebido para atuar simultaneamente em duas frentes críticas: o tratamento do esgoto doméstico e o reúso da água.

A tecnologia é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI).

Essa abordagem integrada busca oferecer uma resposta prática às condições ambientais da região.

Como funciona o Sistema SARA?

O processo ocorre de forma descentralizada. O esgoto gerado nas residências passa por etapas de coleta e tratamento até atingir parâmetros adequados para uso agrícola.

Após a depuração, a água é direcionada à irrigação controlada de hortas, pomares e pequenas áreas produtivas.

O modelo reduz impactos ambientais e amplia o aproveitamento de recursos já disponíveis nas propriedades.

Reúso da água reduz custos na agricultura familiar

Além de garantir acesso à água para irrigação, o sistema traz ganhos econômicos. Os nutrientes presentes no efluente tratado ajudam a enriquecer o solo.

Isso diminui a necessidade de fertilizantes químicos, reduzindo despesas na produção rural.

Em áreas marcadas por estiagens prolongadas, essa economia se torna ainda mais relevante.

Impactos diretos na saúde das comunidades

O esgoto a céu aberto, comum em muitas localidades rurais, representa um dos principais fatores de contaminação ambiental.

Com o Sistema SARA, esse cenário é substituído por um modelo de tratamento adequado.

A mudança contribui para reduzir riscos de doenças de veiculação hídrica e melhora as condições sanitárias locais.

Rose Edna Pondé, coordenadora-geral de Instrumentos da Política Nacional de Irrigação do MIDR, destaca:

“Com a implementação do SARA, deixamos de ter esgoto a céu aberto e passamos a adotar um sistema de reuso de águas que promove saúde, preserva o meio ambiente e fortalece a produção no Semiárido”.

Onde o Sistema SARA já foi implantado?

As unidades instaladas estão distribuídas por Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe.

No total, 153 famílias agricultoras foram atendidas diretamente.

Em escolas rurais, 586 estudantes passaram a contar com saneamento adequado e áreas destinadas à produção de alimentos.

Tecnologia adaptável a diferentes realidades

O Sistema SARA pode ser implementado em três modalidades. A versão familiar atende residências individuais, enquanto o modelo escolar é direcionado a instituições de ensino e apoio à merenda.

Já a estrutura comunitária contempla várias moradias em uma mesma localidade.

Essa versatilidade amplia o alcance da tecnologia em diferentes cenários rurais.

Investimento acessível e vida útil prolongada

O custo médio de implantação por família é estimado em R$ 13,4 mil.

A vida útil prevista é de aproximadamente 20 anos, com manutenção considerada simples.

Estudos técnicos indicam que o investimento pode ser compensado nos primeiros anos, graças à economia com água e insumos agrícolas.

Relatos de agricultores apontam aumento da produtividade e maior estabilidade na produção.

Há também registros de redução da necessidade de venda de animais durante períodos de seca.

Rose Edna Pondé resume essa transformação:

“Com o SARA, o homem do campo deixa de conviver com o esgoto a céu aberto e passa a viver em um ambiente mais saudável, produtivo e digno”.

O potencial de replicação permite que o Sistema SARA seja articulado com outros programas federais.

Entre eles, o Programa Água Doce, também coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica.

Essa sinergia amplia os impactos sobre segurança hídrica, produção de alimentos e desenvolvimento regional.

Escrito por Ruth Rodrigues

Fonte: Clickpetroleoegas


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