saneamento basico

Tratamento de lixiviado de aterro de pequeno porte por foto-fenton solar

Resumo

Neste estudo foi utilizado o processo oxidativo avançado, foto-Fenton, para tratamento lixiviado. Este efluente poderia promover prejuízos incalculáveis para qualquer corpo receptor se descartado sem o devido tratamento, devido à alta concentração de nitrogênio amoniacal, elevada presença de sólidos e presença de metais tóxicos. Este trabalho teve por objetivo estudar a degradação de um lixiviado de aterro sanitário de pequeno porte do interior de Pernambuco por oxidação avançada, empregando a reação de foto-Fenton com duas relações ferro peróxido, avaliando a redução da DQO e da toxicidade. O lixiviado do aterro de Lajedo passou inicialmente por uma caracterização físico-química. Em seguida foram realizados os ensaios de oxidação com radiação solar utilizando o reagente de Fenton. Após os ensaios de tratamento foram realizados os estudos de toxicidade. Pôde-se concluir que o tratamento Foto-Fenton é eficaz na remoção de cor e turbidez de lixiviados, além de reduzir bem a DQO, porém deve-se ter o cuidado de utilizar proporções adequadas de reagentes, para que o ferro não esteja em excesso na solução e acabe por inibir a degradação da matéria orgânica.

Introdução

Os processos oxidativos avançados são definidos como processos que envolvem a geração de espécies transitórias de elevado poder oxidante, sendo o principal o radical hidroxila (Glaze, 1994). Este radical apresenta alto poder oxidante e baixa seletividade, possibilitando a transformação de um grande número de contaminantes tóxicos, em tempos relativamente curtos (Malato et al., 2002; Kunz e Peralta-Zamora, 2002). A elevada eficiência destes processos pode ser atribuída a fatores termodinâmicos, representado pelo elevado potencial de redução do radical hidroxila e cinéticos, favorecidos pela elevada velocidade das reações radicalares.

Algumas das vantagens do processo de oxidação avançada são a introdução de modificações químicas no substrato, em grande número de casos induzindo a sua completa, mineralização (Sarria et al., 2002; Tabrizi e Mehrvan, 2004); graças a inespecificidade dos processos oxidativos avançados, há uma viabilização da degradação de substratos de qualquer natureza química, assim pode ser dado à degradação de contaminantes refratários e tóxicos, cujo tratamento pode ser viabilizado por oxidação avançada parcial (Scott; Ollis, 1995; Kiwi et al., 1994; Parra, 2001; Gogate; Pandit, 2004a); pode ser aplicado para reduzir a concentração de compostos formados em etapas de pré-tratamento, por exemplo os aromáticos halogenados formados durante desinfecção convencional (Tabrizi; Mehrvan, 2004).

Por outro lado, como qualquer forma de tratamento, os POAs não podem ser aplicados indiscriminadamente no tratamento de qualquer tipo de resíduo. Algumas condições limitam a aplicabilidade do POA, por exemplo: nem todos os processos estão disponíveis em escalas apropriadas; os custos podem ser elevados principalmente devido ao consumo de energia; há formação de subprodutos de reação que podem ser tóxicos; apresentam restrição de aplicação em condições de elevada concentrações de poluentes (Neyens; Baeyens, 2003).

Um dos problemas da aplicação de POA é a grande energia consumida pelas fontes de radiação. Outro inconveniente é a geração de intermediários tóxicos, que torna necessário o acompanhamento do processo através de testes de toxicidade (Parra, 2001; Bila et al., 2004).

O Sistema Fenton corresponde a um processo físico-químico que se vale da reação entre um sal ferroso e peróxido de hidrogênio, em meio ácido, que leva à formação de radicais hidroxila (Gozzo, 2001; Pacheco, 2004).

A determinação da concentração de íons ferrosos são de extrema importância, outra questão é o tempo de reação, porque mais de 90% da degradação ocorre nos primeiros 10 minutos de reação e que o aumento da temperatura melhora sensivelmente a eficiência de remoção de DQO. Mas a principal dificuldade de trabalhar com reativo de Fenton é a faixa de pH, porque o pH deve ser abaixo de 4,0 para evitar a precipitação de óxi-hidróxidos férricos, tendo que ser monitorado.

Certamente, uma das principais vantagens do processo foto-Fenton está representada pela necessidade de fontes de irradiação menos energéticas. Enquanto a geração de radical hidroxila a partir de H2O2 (fotólise) requer energia correspondente a comprimentos de onda menores que 300 nm, o sistema foto-Fenton (fotocatálise) pode se processar com radiação da faixa de 360 a 550nm (Neyes; Bayens, 2003; Pacheco, 2004).

Análises microbiológicas demonstram a presença de um número significante de bactérias no chorume, ou lixiviado, sendo mais comuns: bactérias acetogênicas, metanogênicas, e desnitrificantes, além de coliformes (Christensen et al., 2001; Boothe et al., 2001).

A toxicidade do chorume pode ser atribuída à presença de grande variedade de compostos persistentes, metais potencialmente tóxicos, presença de grandes concentrações de amônia e elevada alcalinidade (Silva et al., 2004, Kohn et al., 2004). A toxicidade do chorume não pode ser associada a uma substância isoladamente e nem a soma de todas as substâncias presentes, mas sim ao efeito sinérgico entre as diferentes substâncias existentes no chorume. A análise de toxicidade se faz necessária devido ao fato de o processo Foto-Fenton poder, ao degradar a matéria orgânica, criar compostos ainda mais tóxicos que os inicialmente presentes na amostra. Segundo Bagatini et al. (2007) e Arraes e Longhin (2012) as espécies de planta Lycopersicon esculentum (tomate), Lactuca sativa (alface) e Allium cepa (cebolinha) são organismos modelo utilizados na avaliação da toxicidade, tendo em vista suas características como rápida germinação e sistema radicular mais sensível à ação tóxica, sendo sensíveis mesmo às baixas concentrações de substâncias nocivas.

Este trabalho teve por objetivo estudar a degradação de um lixiviado de aterro sanitário de pequeno porte do interior de Pernambuco por oxidação avançada, empregando a reação de foto-Fenton com duas relações ferro peróxido, avaliando a redução da DQO e da toxicidade.

Autores: Camila Guimarães Sobrinho de Lira; Luyara Mari Muniz Costa; Karoline Ferreira Torres; Maria Monize de Morais e Mauricio Alves da Motta Sobrinho.

baixe-aqui

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »