Por décadas, o planejamento de capital no setor de água e saneamento do Brasil seguiu um ritmo familiar. Uma concessionária ou órgão governamental contratava um plano diretor.
Consultores coletavam dados, modelavam cenários de demanda e produziam um documento abrangente descrevendo prioridades de investimento ao longo de um horizonte de dez ou vinte anos. O plano era aprovado, arquivado e usado como ponto de referência para solicitações de orçamento e dimensionamento de projetos por anos.
Esse modelo não é mais adequado. O setor hídrico do Brasil opera em condições que nenhum plano diretor estático consegue capturar: um ambiente regulatório que mudou fundamentalmente em 2020, uma onda de privatização que reestruturou a propriedade e a responsabilidade em dezenas de concessionárias, pressões climáticas que estão alterando a confiabilidade das fontes de água e os requisitos de infraestrutura, e um prazo de universalização de 2033 que torna cada ciclo de planejamento urgente. O setor precisa de algo mais adaptativo.
O planejamento de capital dinâmico, a capacidade de atualizar continuamente as prioridades de investimento com base em dados atuais, modelagem de cenários e restrições em evolução, não é apenas uma atualização técnica. É uma necessidade estratégica para qualquer concessionária ou concessão tentando operar eficazmente no ambiente atual do Brasil.
LEIA TAMBÉM: Gêmeos Digitais e Integração de OEMs: O Futuro da Infraestrutura no Brasil | Transcend
Por Que os Planos Estáticos Estão Falhando
As limitações dos planos diretores estáticos não são novas, mas tornaram-se mais agudas. Um plano desenvolvido em 2021 foi baseado em premissas sobre crescimento populacional, condições climáticas, requisitos regulatórios e custos de tecnologia que já mudaram significativamente.
No Brasil, esse problema é agravado pela complexidade geográfica e institucional. O Novo Marco Legal do Saneamento transferiu a responsabilidade pela prestação de serviços para dezenas de novas concessões e PPPs, cada uma com áreas de serviço diferentes, pontos de partida de infraestrutura e obrigações regulatórias distintos.
A variabilidade climática está adicionando mais uma camada de imprevisibilidade. O governo brasileiro registrou um aumento de 460% nos desastres relacionados ao clima desde os anos 1990, com secas, inundações e eventos de calor extremo ocorrendo com crescente frequência e severidade. A infraestrutura projetada para um conjunto de condições climáticas pode ser inadequada, superdimensionada ou mal localizada em relação a onde os riscos climáticos estão realmente se concentrando.
E o prazo de universalização de 2033 cria um desafio de sequenciamento que os planos estáticos são mal equipados para lidar. Com 33 milhões de brasileiros ainda sem acesso à água e 80 milhões sem tratamento de esgoto, a questão de onde investir primeiro, o que construir em que ordem para maximizar a cobertura dentro dos prazos regulatórios, requer um nível de agilidade analítica que um plano diretor tradicional não pode fornecer.
Como é o Planejamento de Capital Dinâmico na Prática
O planejamento de capital dinâmico não é simplesmente planejamento diretor mais frequente. É uma abordagem fundamentalmente diferente para gerenciar decisões de investimento, que trata o plano de capital como um documento vivo que é continuamente atualizado com base em dados reais e testado contra múltiplos cenários futuros.
Na prática, isso significa várias coisas. Significa ter acesso a ferramentas que podem gerar rapidamente estimativas de CAPEX e OPEX para diferentes configurações de infraestrutura. Significa ser capaz de realizar análises de cenários, avaliando como as prioridades de investimento mudariam sob diferentes premissas sobre crescimento populacional, risco climático, requisitos regulatórios ou custos de tecnologia. E significa ser capaz de atualizar essas análises rapidamente quando as premissas subjacentes mudam.
Essa é precisamente a capacidade que plataformas de projeto generativo, como o Transcend Design Generator, trazem ao planejamento de capital. O TDG permite que concessionárias e seus parceiros de engenharia gerem rapidamente múltiplas opções de design para instalações de água e saneamento.
Ademais, cada opção conta com estimativas detalhadas de CAPEX e OPEX. Também apresenta dados de pegada de carbono e análise de restrições de site. Dessa forma, permite que as decisões de investimento sejam fundamentadas na realidade de engenharia, em vez de premissas de nível de planejamento.
Quando a SABESP adotou o TDG para apoiar o planejamento de capital e design em 377 municípios, o objetivo era precisamente esse tipo de agilidade. A capacidade de avaliar múltiplas opções de instalações rapidamente. Comparar trade-offs. E tomar decisões de investimento fundamentadas em dados de engenharia atuais, em vez de premissas de planejamento desatualizadas.
A plataforma permite que os engenheiros explorem 18 cenários alternativos de design em aproximadamente 40 minutos. Esse nível de capacidade analítica transforma a qualidade e a velocidade das decisões de planejamento de capital.
LEIA TAMBÉM: Padronização em Escala: Como os OEMs Podem Incorporar Seu DNA de Design em Software de Projeto Generativo | Transcend
A Infraestrutura de Planejamento de que o Brasil Precisa
Cumprir as metas de universalização de 2033 exigirá que o Brasil construa, atualize ou reabilite centenas de instalações de água e saneamento em enorme diversidade geográfica, em um prazo comprimido, sob significativa pressão de financiamento e regulatória. Nenhum processo de planejamento estático pode gerenciar isso no ritmo e qualidade exigidos.
As concessionárias e operadoras que terão sucesso nesse ambiente são as que investem agora na infraestrutura de planejamento que torna possível o gerenciamento dinâmico de capital: ferramentas de projeto generativo que produzem dados de qualidade de engenharia em velocidade de planejamento, capacidades de modelagem de cenários que testam decisões de investimento contra uma gama de condições futuras, e plataformas digitais que permitem que dados de planejamento sejam continuamente atualizados e reutilizados entre projetos.
Por fim, o desafio de infraestrutura do Brasil não é principalmente um desafio tecnológico. É um desafio de planejamento e gestão. A tecnologia que torna possível o planejamento dinâmico já existe. A questão é se os líderes do setor hídrico brasileiro vão adotá-la no ritmo que o desafio exige.
Para explorar como a Transcend apoia equipes de planejamento de capital no Brasil e globalmente com ferramentas de projeto generativo, acesse CLICANDO AQUI
Fonte: Transcend