Concessionárias removeram 1.012 toneladas nos oito primeiros meses deste ano, contra 892 no mesmo período de 2025.
As concessionárias responsáveis por seis cidades, com exceção de São Caetano, retiraram dos esgotos 1.012 toneladas de detritos de janeiro a agosto de 2026. A empresa removeu 13,5% mais resíduos do que no mesmo período do ano passado, quando retirou 892 toneladas.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) realizou, em Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a remoção de 580 toneladas de lixo e 400 toneladas de areia neste ano. Em 2025, as equipes retiraram 539 toneladas de lixo e 320 toneladas de areia.
As equipes removem os resíduos das caçambas de acordo com o tipo de grade e as condições climáticas. Segundo a coordenadora de Tratamento de Esgoto da Sabesp, Kelly Rodrigues Lopes, essa atividade faz parte da rotina operacional.
A retirada de areia é realizada continuamente. Já a remoção dos resíduos sólidos retidos nas grades ocorre, em média, cinco vezes por semana.
“Em períodos chuvosos, há um aumento significativo do volume de resíduos que chega às estações, o que exige maior frequência de remoção. Entre os materiais mais encontrados estão hastes de cotonete, bisnagas de pasta de dente, brinquedos, chupetas, bijuterias, roupas íntimas, dentaduras, prendedores de cabelo e embalagens plásticas, conta Kelly.
A BRK, concessionária responsável pelos serviços de esgoto em Mauá, retirou 33,7 toneladas de materiais das redes e tubulações nos primeiros meses de 2026. No mesmo período de 2025, foram retiradas 32 toneladas.
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De acordo com a gerente de operações da BRK, Viviane Moraes, materiais como cabelo, fio dental, papel, brinquedos, absorventes, peças plásticas e restos de construção civil se acumulam e obstruem a passagem do esgoto. Principalmente a gordura proveniente do descarte inadequado do óleo de cozinha contribui para essas obstruções.
“A rede de esgoto foi dimensionada para receber 99% de material líquido e somente 1% de sólido, sendo projetada para transportar apenas os efluentes domésticos provenientes de banheiros, pias e cozinhas. O descarte de resíduos pode provocar rompimento da tubulação, extravasamento e retorno do esgoto, que podem ocorrer nas ruas ou imóveis da cidade. Mesmo com as ações preventivas realizadas pela concessionária, é essencial que a população tenha como hábito o uso adequado do sistema público de esgoto”, informa Viviane.
A Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental), responsável pelo Esgoto de São Caetano, não informou sobre os procedimentos realizados.
DESCARTE IRREGULAR
O biólogo e professor na área ambiental da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Tiago Misawa Calixto ressalta que a população precisa descartar corretamente o lixo e o óleo, enquanto o poder público e as empresas responsáveis precisam garantir coleta, manutenção, fiscalização e tratamento.
“A limpeza é necessária, mas prevenir o descarte inadequado evita que o problema se repita. A responsabilidade tem de ser compartilhada com o poder público e com a população. E o caminho disso é através da educação ambiental. A poluição prejudica os ecossistemas, e o contato com esgoto extravasado expõe a população a riscos à saúde”, alerta.
É importante ainda o cuidado com o descarte de lixo nas ruas, principalmente em períodos de chuva, conforme destaca o especialista.
“O lixo jogado na rua costuma ser arrastado para bueiros e galerias pluviais, podendo obstruir a passagem da água e agravar alagamentos. Parte desse material segue para córregos e rios, geralmente sem passar por uma estação de tratamento de esgoto”, afirma.
“Mesmo com limpeza, parte da poluição pode escapar. A manutenção remove obstruções, mas não consegue recuperar tudo que já foi levado pela chuva”, alerta.
Fonte: DgABC
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