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Salmonela no esgoto de São Paulo

Estudo alerta para presença de salmonela resistente no esgoto de São Paulo

Salmonela no esgoto de São Paulo

Até 550 milhões de pessoas sofrem com doenças diarreicas todos os anos, resultado do consumo de alimentos contaminados, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os microrganismos mais comuns nestes casos, destaca-se a Salmonella, uma bactéria pertencente à família Enterobacteriaceae e que pode desencadear quadros de diarreia. Tendo isso em vista, pesquisadoras da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP estudaram o perfil da salmonela não-tifóide no esgoto bruto na Região Metropolitana de São Paulo e alertaram para os perigos de más condições de saneamento básico e a utilização excessiva de antibióticos.

Falta de saneamento básico na periferia e uso desmedido de antibióticos contribuem para multiplicação da salmonela não-tifóide, que causa quadros de diarreia

A salmonela não-tifóide é responsável pela salmonelose, uma doença bacteriana que apresenta quadros de vômito, dores abdominais, febre e diarreia. Sua transmissão ocorre pela ingestão ou contato com alimentos e água contaminados. A pesquisa, realizada no Laboratório de Saúde Ambiental da FSP, revelou a presença de bactérias com resistência a antimicrobianos na região estudada, o que representa uma ameaça à saúde pública local.

A resistência antimicrobiana diz respeito à capacidade de bactérias e microrganismos a resistirem à ação de drogas que visam seu tratamento. Esse é um problema consequente do uso excessivo e não-supervisionado de antibióticos por parte da população, como explica Solange Rocha, primeira autora do estudo, ao Jornal da USP. “Isso acaba dificultando o tratamento de algumas doenças infecciosas. O uso indiscriminado de antibióticos e quaisquer medicamentos está levando as bactérias a criarem cada vez mais resistência.”

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De acordo com a pesquisadora, o descarte de esgoto não coletado e mal tratado também cria um ambiente propício para o problema. “Quase 56% da população recebe coleta de esgoto, mas somente 51% desse esgoto é tratado. Então quando esse esgoto chega no corpo da água, ocorre a contaminação seja por salmonela ou outras bactérias patogênicas”, diz Solange Rocha. Paralelo a esse descarte impróprio, os antibióticos consumidos pelas pessoas são eliminados pelas fezes e urina e acabam nos esgotos – o que faz com que a salmonela fique em contato constante com esses fármacos, dando origem a sua resistência.

“Ao ampliarmos o acesso à água potável, ao tratamento de esgoto e a estrutura de saneamento, nós estaremos investindo na qualidade de vida da população”.

O tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo é feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que realiza coleta de resíduos de 8,5 milhões de casas por meio das redes coletoras. O esgoto então é transportado para estações de tratamento, onde ele passa por duas fases: uma biológica e outra aeróbica. O método consiste na separação da massa sólida do esgoto e no fornecimento de dispositivos de aeração para o fornecimento de oxigênio e tratamento da água para reúso. Contudo, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem sem acesso a saneamento básico na capital, totalizando 370 mil residências sem ligação à rede coletora. De acordo com o Datasus 2019, a Região Metropolitana registrou mais de 6 mil internações por doenças relacionadas à falta de saneamento.

“Pessoas mais carentes que habitam nas periferias de São Paulo têm muito mais probabilidade de se contaminarem, tanto pela ingestão da água que entrou em contato com o esgoto não-tratado quanto pela interação com a salmonela”, diz a pesquisadora. Frente a esse problema, o Congresso Nacional aprovou o novo Marco Legal do Saneamento Básico, em 2020, que estabelece algumas metas a serem alcançadas. O objetivo proposto na lei é a ampliação do atendimento de coleta e tratamento de esgotos para 90% dos brasileiros e do fornecimento de água potável para 99% da população até o final de 2033.

Fonte: Jornal da USP.

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