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Alto custo desestimula reciclagem de lixo eletrônico

Está ocorrendo no mundo todo uma mudança de comportamento sobre o que se entende por lixo urbano e por resíduos industriais e agrícolas resultantes da produção de bens e alimentos.

Resíduos industriais e agrícolas de alguns setores já são reciclados. Exemplos são as fábricas de pneus, que reaproveitam os pneus inservíveis como combustível alternativo para as cimenteiras ou o setor de sucata de ferro e aço, que recicla eficientemente esses produtos. No caso de resíduos agrícolas, estão sendo crescentemente usados para gerar energia e fertilizantes.

Nos países desenvolvidos os tempos em que resíduos industriais eram depositados nos terrenos situados perto das fábricas são passado. Só para dar um exemplo, na Alemanha, em fins do século 19, havia mais de 80 mil áreas contaminadas por produtos resultantes da extraordinária expansão da indústria química alemã.

Em São Paulo, levantamentos da Cetesb identificaram em 2015 cerca de cinco mil áreas contaminadas. Quando se trata de lixo urbano a situação é mais complicada, porque são milhões os produtores desse lixo, e um dos grandes problemas é recolhê-lo e processá-lo.

Há setores em que isso está acontecendo porque o que se considerava “lixo” tem valor e é reciclado. Exemplos são a coleta de papel de grandes bancos e empresas ou a de latinhas de alumínio. Já se tornou economicamente viável recolher estes produtos e reciclá-los.

Estamos chegando agora a um novo tipo, o lixo eletrônico constituído de produtos eletroeletrônicos descartados após o consumo (computadores, televisões, celulares, geladeiras etc).

As quantidades desse “lixo” estão se tornando consideráveis: a China produziu 7,3 milhões de toneladas em 2012, e os Estados Unidos, 9,4 milhões –seis vezes mais do que o país asiático por habitante. Em média, são sete quilogramas por habitante do planeta ao ano, com estimativa de chegar a nove, em 2017.

No Brasil a situação é a seguinte: em 2012 foram produzidos 1,4 milhão de toneladas, que correspondem a cerca de 2% dos 70 milhões de toneladas de lixo urbano produzido no país por ano.

Não parece muito, mas a tendência é aumentar estes resíduos, que não se decompõem naturalmente, como é o caso dos produtos orgânicos do lixo urbano. Assim, com o passar do tempo, se acumulam, com risco de contaminação do solo, cursos d”água e lençóis freáticos.

O problema é reciclá-lo, já que o lixo eletrônico é formado por vidro e muitos tipos de plásticos e metais, alguns com valor agregado, podendo ser reutilizados. Alguns equipamentos chegam a ter mais de 40 elementos, como cobre, ouro, prata, estanho, cobalto, paládio. Os processos de segregação dessa diferenciada gama de materiais ainda são caros e os custos com a logística para que os produtos eletroeletrônicos pós-consumo cheguem até os poucos locais que fazem a “desmanufatura” e a reciclagem são altíssimos.

A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) teve um papel pioneiro na reciclagem de telefones celulares no Estado de São Paulo, que têm sido recolhidos pelos operadores de telefonia móvel e vendidos. Com a Lei Nacional de Resíduos Sólidos em implantação e a logística reversa sendo introduzida em diversas cadeias produtivas, os produtos eletroeletrônicos pós-consumo devem ser considerados, pois são de representativo impacto ambiental.

Dessa forma, toda a cadeia terá de fazer a sua parte: consumidores devem segregar e levar ao ponto de coleta; comerciantes precisam informar e disponibilizar o ponto de coleta; fabricantes e importadores têm que coletar, desmanufaturar, reciclar e dispor os rejeitos.

Pesquisa tecnológica deve ser encorajada nesta área para que novas indústrias surjam e se desenvolvam como recicladoras. Se isto não for feito, no Brasil e nos outros países, vamos acabar vivendo num mundo em que seremos cercados de montanhas crescentes de lixo, inclusive o eletrônico, que vão deteriorar a nossa qualidade de vida.

Fonte: UOL Notícias

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