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Embalagens deixam de contaminar o meio ambiente para virar produtos ecológicos

Um volume de 25 toneladas de embalagens ‘longa vida’ usadas, aproximadamente 1 milhão de unidades, que iam ser descartadas no Aterro de Manaus foram recuperadas pela empresa Rio Limpo, com o apoio da Prefeitura de Manaus, e enviadas, nesta terça-feira, 12, para empresas recicladoras do Sul e do Sudeste brasileiros. As embalagens serão transformadas em outros produtos como telhas, canetas e móveis.

A iniciativa da Rio Limpo foi registrada em cerimônia que ocorreu na sede da empresa, em Manaus, e contou com a presença do diretor do grupo, Michel Ribeiro, e do Secretário Municipal de Limpeza Urbana, Paulo Farias.

O envio do material recuperado do mercado consumidor de Manaus segue as diretrizes do Acordo Setorial, previsto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determina que fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores de embalagens e de produtos comercializados em embalagens devem se responsabilizar pela destinação final de 22% do volume de embalagens que vai para o lixo.

O Secretário Municipal de Limpeza Urbana, Paulo Farias, explicou que, no caso de Manaus, o lixo de embalagem representa 10% do total coletado nos domicílios locais pela Semulsp, algo em torno de 8 mil toneladas por ano de resíduos. O carregamento enviado pela Rio Limpo contabiliza aproximadamente 1 milhão de embalagens que deixaram de poluir o meio ambiente ou de seguir para o aterro sanitário.

“Esses resíduos vão dar vida a novos produtos que, depois do consumo, deverão ser recolhidos e reciclados novamente. Essa é a ideia: estabelecer um ciclo de vida consciente desses produtos. Essa iniciativa conta com o apoio do Prefeito Arthur Neto, porque visa melhorar o meio ambiente e gerar renda na iniciativa privada e aos catadores”, analisou o Secretário da Semulsp, Paulo Farias.

A coleta das embalagens é alvo de campanha da iniciativa privada para incentivar a população a recolher e descartar corretamente esse material que é rico em componentes recicláveis. “Nosso objetivo é aproveitar a oportunidade que a lei nos traz e impor uma nova consciência no âmbito do pós-consumo. A Rio Limpo já prepara novas campanhas para que todo mês um material diferente seja trabalhado”, explicou Michel Ribeiro.

O diretor da Rio Limpo revelou que, ao menos um desses produtos resultantes da reciclagem, a telha, deve ser comercializada em Manaus em um futuro próximo. “É uma telha 25% mais barata, sustentável e que permite um ambiente menos quente”, avaliou.

Manaus escolhida

A cidade de Manaus foi escolhida, em dezembro de 2015, como uma das 12 cidades a iniciar a implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral. “É um momento histórico, em que vemos se concretizar um projeto que tramitou por 21 anos até ser posto em pratica agora com o envio desse material. Momento em que a indústria, por meio de sua representante no Estado, dá o primeiro passo para a efetivação da Logística Reversa de Embalagem e garante renda aos que coletam o material”, comemorou Paulo Farias.

Nessa cadeia produtiva, a Prefeitura Municipal entra com apoio à iniciativa privada, com políticas públicas voltadas à promoção da reciclagem e com mecanismos para fortalecer a atividade. Além de implementar as diretrizes da PNRS, a Semulsp mantém 12 rotas de coleta seletiva porta a porta, equipes de conscientização e 4 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs). Como parte do trabalho do poder público, o município incentiva grupos de catadores locais, que já utilizam sete galpões viabilizados pela Prefeitura, que também servem como Pontos de Entrega Voluntária.

A lei

Entre outros princípios e instrumentos introduzidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, e seu regulamento, Decreto Nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010, destacam-se a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa.

A logística reversa é um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhado pelo ciclo de vida dos produtos. A PNRS define a logística reversa como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Fonte: Em Tempo
Foto: Altemar Alcântara

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