Levantamento do TCE-PR mostra que mais de 1 milhão de paranaenses vivem em cidades sem plano de gestão de resíduos.
Mais de 1 milhão de paranaenses vivem em municípios que declararam não ter plano formal para a gestão de resíduos sólidos. A constatação está em relatório consolidado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) após levantamento realizado junto a 397 prefeituras paranaenses.
O documento aponta que 67 municípios, quase 17% do total, afirmaram ao Tribunal não possuir Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) ou Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) voltado à gestão de resíduos.
O dado revela a ausência de planejamento básico em uma política pública essencial. Essa situação pode levar a uma gestão improvisada, reduzir a capacidade de acesso a recursos e fragilizar a definição de metas, custos e responsabilidades.
Além disso, essa falta de planejamento pode gerar riscos ao meio ambiente.
Quase 30% dos municípios não detalham situação dos resíduos
O relatório indica que quase 30% dos municípios do Paraná não detalham a situação dos seus resíduos, ou seja, não têm controle de pesagem, gravimetria nem detalhamento de sua projeção populacional. A gravimetria permite conhecer a composição real dos resíduos.
Mais especificamente, quase 64% dos municípios não contam com estudo gravimétrico para saber o que há nos resíduos, o que impede a identificação do que é reciclável, orgânico e rejeito em meio ao lixo. Isso dificulta a definição de políticas de reciclagem, compostagem, metas, rotas e contratos baseadas em evidências.
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Apenas 31% dos municípios se sustentam com taxa de lixo
Outro ponto encontrado pelos auditores do TCE-PR diz respeito ao fato de que apenas 31% dos municípios do Paraná afirmam que sua arrecadação com a taxa ou tarifa de lixo é suficiente para garantir a sustentabilidade econômico-financeira do sistema de coleta e tratamento de resíduos sólidos. No restante dos casos, 69% do total, o custeio da prestação dos serviços depende da realização de aportes adicionais do poder público.
Também consta no relatório que 164 municípios, ou 41% do total, disseram não possuir mecanismos legais para identificar grandes geradores de resíduos. Esses mecanismos permitem diferenciá-los dos pequenos geradores.
Conforme os auditores do Tribunal, quando isso não ocorre, o serviço público tende a absorver despesas que deveriam ser privadas. Dessa forma, o ônus financeiro acaba sendo transferido para toda a população.
Constatou-se ainda que quase 42% dos municípios paranaenses não tratam a gestão de resíduos como uma oportunidade de gerar emprego e renda. De acordo com o relatório, a valorização dos resíduos pode ser um vetor de economia circular, reciclagem, inclusão produtiva e redução de rejeitos.
Como foi feito o levantamento
A Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão (CAGE) do TCE-PR realizou a pesquisa em outubro de 2025 com 397 municípios do Paraná, com base em informações declaratórias.
Apenas os municípios de Cambé, na região metropolitana de Londrina, e Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Estado, ficaram de fora. A Corte auditou diretamente os dois municípios no ano passado.
Foram encaminhados questionários eletrônicos às prefeituras com 87 perguntas principais, fechadas e obrigatórias de resposta “sim” ou “não”. Além dessas, a pesquisa contou com outras 79 perguntas subordinadas, também de caráter mandatório, variando entre fechadas e de múltipla resposta. Para cada questão principal, foi disponibilizado um campo para comentários.
Entre os tópicos abordados no formulário do TCE-PR estavam o PMGIRS, a disposição final dos resíduos, a coleta seletiva, a logística reversa, a educação ambiental, a cobrança do serviço de coleta dos resíduos, as tecnologias para o tratamento e a destinação final dos resíduos, as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis e os controles internos.
Fonte: Diário do Sudoste
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