saneamento basico

34 cidades contam com Plano de Resíduos Sólidos

Um levantamento realizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios), durante os meses de julho e agosto, revela que 34 cidades (64,15%) das 53 pertencentes à 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo, contam com Plano  de Resíduos Sólidos. Outros 17 municípios (32,07%) estão em fase de elaboração do documento. De acordo com a confederação, há um baixo nível de crescimento no número de municípios que elaboram o documento, nos últimos dois anos, já que o prazo para apresentação dos planos venceu em 2012. “O governo federal não disponibiliza recursos para a elaboração dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, o que justifica o baixo crescimento geral do percentual de cidades com planos de resíduos”, expõe.

A CNM ressalta que no atual contexto de “crise” e com a demora em obter recursos financeiros, além das licenças ambientais, qualquer aumento no número de planos mostra que, mesmo com os prazos vencidos, os gestores “lutam” para cumprir a lei.

O promotor do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) de Presidente Prudente, Gabriel Lino de Paula Pires, afirma que o plano é uma exigência legal e importante como instrumento de “guia” para as ações do município referentes ao tema. “É necessário para estabelecer uma programação e evitar que medidas sejam realizadas de qualquer modo ou sem estudo”, salienta.

Segundo Gabriel, o fato de 34 dos 53 municípios, apresentarem o plano finalizado é “preocupante”, já que essa é uma obrigação prevista por lei. “Retrata um atraso muito grande no tratamento do tema. O artigo 54 da lei fala que os municípios tinham quatro anos para a elaboração, e, sete anos após, conhecemos a realidade da região, quando muitos nem pensaram sobre o assunto”.

Sobre as sanções, o promotor diz que a falta do plano acarreta no não recebimento de recursos federais aos municípios, para tratar de problemas relacionados aos resíduos sólidos, e afirma que um juiz, se julgar necessário, pode aplicar medidas legais para o cumprimento da lei.

Congresso Nacional

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos serve de instrumento de planejamento para a estruturação do setor público para a gestão de resíduos sólidos. Por meio de nota, o órgão afirma que a Lei 12.305/2010, que regulamenta a elaboração do documento e vencida em 2012, continua em vigor. “Existe uma proposta tramitando no Congresso Nacional que prevê a prorrogação da lei”, diz o documento.

O órgão ressalta que para “fazer frente” ao desafio da erradicação dos lixões, tem atuado, principalmente, no apoio à elaboração dos Planos de Resíduos Sólidos e fortalecimento dos consórcios públicos. “O Ministério do Meio Ambiente não é órgão de controle e fiscalização”. A nota salienta que o Ministério Público tem sido “muito atuante” na área de resíduos, por meio de TACs (termos de ajustamento de conduta), que negociam prazos de atendimento, além de órgãos como o Tribunal de Contas e Controladoria, que, segundo o ministério, atuam na cobrança pelo cumprimento da legislação ambiental.

Municípios

Pela quantidade de municípios avaliados, a reportagem não conseguiu entrar em contato com todos os gestores, mas enviou solicitações de posicionamentos e recebeu um retorno de dois deles. Álvares Machado, por exemplo, é um dos 17 municípios que estão com o Plano de Resíduos Sólidos em elaboração. O diretor de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, por meio de nota, afirma que um convênio entre a Prefeitura e a Unesp (Universidade Estadual Paulista) resultará na criação do documento para o município, que apresentará as diretrizes para “enfrentar as questões” relacionadas aos resíduos sólidos. “Bem como as parcerias com cidades vizinhas, buscando reduzir custos e dispor de forma ambientalmente adequada os resíduos sólidos gerados”.

Já Presidente Prudente é um dos municípios classificados com o plano finalizado. Conforme o secretário municipal do Meio Ambiente, Wilson Portella Rodrigues, o documento está presente desde 2010 na administração e um processo licitatório deverá escolher uma empresa para atualizar o plano. “Queremos aprimorar os objetivos do documento, por isso, uma empresa será contratada para a prestação do serviço”, salienta.

Plano de Resíduos Sólidos

SAIBA MAIS

Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, a Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como a Lei de Crimes Ambientais, dispõe de sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. O artigo 54 diz que causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora é passível de uma pena de reclusão, de 1 a 4 anos e multa. Se considerado culposo, a detenção pode levar de seis meses a um ano, além de multa. Garante ainda reclusão de 1 a 5 anos, se o crime “ocorrer por lançamento de resíduos sólidos” em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos.

 

Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos na 10ª RA

Município Situação
Adamantina Finalizado
Alfredo Marcondes Finalizado
Ávares Machado Em elaboração
Anhumas Finalizado
Caiabu Em elaboração
Caiuá Em elaboração
Dracena Finalizado
Emilianópolis Finalizado
Estrela do Norte Finalizado
Euclides da Cunha Paulista Finalizado
Flora Rica Finalizado
Flórida Paulista Finalizado
Iepê Finalizado
Indiana Em elaboração
Inúbia Paulista Em elaboração
Irapuru Finalizado
Junqueirópolis Finalizado
Lucélia Em elaboração
Marabá Paulista Em elaboração
Mariápolis Finalizado
Martinópolis Finalizado
Mirante do Paranapanema Finalizado
Monte Castelo Finalizado
Nantes Finalizado
Narandiba Em elaboração
Nova Guataporanga Finalizado
Osvaldo Cruz Finalizado
Ouro Verde Em elaboração
Pacaembu Finalizado
Panorama Em elaboração
Pauliceia Não iniciado
Piquerobi Finalizado
Pirapozinho Em elaboração
Pracinha Em elaboração
Presidente Bernardes Finalizado
Presidente Epitácio Finalizado
Presidente Prudente Finalizado
Presidente Venceslau Finalizado
Rancharia Finalizado
Regente Feijó Não informado
Ribeirão dos Índios Em elaboração
Rosana Em elaboração
Sagres Finalizado
Salmourão Em elaboração
Sandovalina Em elaboração
Santa Mercedes Em elaboração
Santo Anastácio Finalizado
Santo Expedito Finalizado
São João do Pau d’Alho Finalizado
Taciba Finalizado
Tarabai Finalizado
Teodoro Sampaio Finalizado
Tupi Paulista Finalizado

Fonte: O Imparcial

Últimas Notícias:
Novas tecnologias ampliam tratamento de esgoto em estação que atende moradores das zonas norte e leste de São Paulo

Novas tecnologias ampliam tratamento de esgoto em estação que atende moradores das zonas norte e leste de São Paulo

São Paulo, 11 de junho de 2026 – A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na capital paulista. Passa por um “upgrade tecnológico” que contribuirá com a ampliação do tratamento em 148% – de 2,5 milhões para 6,2 milhões de litros por segundo. Com novos equipamentos e processos, a ETE, inaugurada há 28 anos, poderá crescer sem aumentar a área de 190 mil metros quadrados que ocupa na zona norte de São Paulo, uma das mais adensadas da capital.

Leia mais »
Estudo aponta que Holambra acumulou R$ 278 milhões em ganhos socioeconômicos com avanços no saneamento

Estudo aponta que Holambra acumulou R$ 278 milhões em ganhos socioeconômicos com avanços no saneamento

Levantamento do Instituto Trata Brasil detalha os impactos positivos na saúde, no turismo e na valorização imobiliária do município. A expansão da infraestrutura de saneamento básico em Holambra (SP) gerou um impacto positivo de R$ 278 milhões para o município entre 2013 e 2024. Os dados são do novo estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento em Holambra”.

Leia mais »
Estudos de tratabilidade a importância da avaliação técnica na definição de rotas de tratamento e desaguamento de lodos SBV Engenharia Ambiental

Estudos de tratabilidade: a importância da avaliação técnica na definição de rotas de tratamento e desaguamento de lodos | SBV Engenharia Ambiental

A gestão de lodos constitui um dos principais desafios operacionais enfrentados por indústrias e sistemas de saneamento. Embora frequentemente tratada como uma etapa secundária dentro do processo de tratamento de efluentes, a geração, o manejo e a destinação desses resíduos representam parcela significativa dos custos operacionais de uma unidade, além de influenciarem diretamente sua eficiência ambiental e sua conformidade regulatória.

Leia mais »