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Valor de elétricas cai 18% após MP das concessões

Valor de elétricas cai 18% após MP das concessões

Papéis das principais companhias do país recuaram 17,6% desde a renovação das concessões em troca da cobrança de tarifas menores

Conta de luz

Consumidor vai arcar com custo adicional de R$ 4 bilhões

Os consumidores também terão de arcar com o custo adicional de R$ 4 bilhões do Tesouro para socorrer as distribuidoras. Documento publicado ontem pelo Ministério de Minas e Energia informa que as empresas terão de devolver o dinheiro, por meio de reajustes na conta de luz, a partir de 2015. Na semana passada, durante o anúncio das medidas, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que esses R$ 4 bilhões a serem aportados pelo governo na Conta de Desenvolvimento Energético não seriam repassados às tarifas. Augustin chegou a interromper o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, para corrigir a informação. Procurado pela reportagem, o ministério foi taxativo: “Vale o que está na cartilha”.

Preço

“Energia não é tomate” para variar conforme o clima, diz secretário

Agência O Globo

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse ontem, em audiência na Câmara dos Deputados, que o governo não deseja ter uma elevada flutuação nas tarifas de energia pagas pelos consumidores e negou que a prorrogação do impacto dos custos extraordinários no setor elétrico nas tarifas irá resultar em uma “explosão tarifária”, a partir de 2015. Segundo Zimmermann, a falta de chuvas no início do ano fez o governo ligar um “sinal amarelo” para a situação dos reservatórios de hidrelétricas.

“Acendeu o sinal amarelo, você está despachando todas as térmicas, mas salvo ocorrer aquela situação pior do que o histórico [de chuvas], o sistema está estruturado”, disse, lembrando que a estação de chuvas acaba em abril.

O secretário justificou que os aportes ao setor elétrico e os financiamentos feitos pelo governo em até cinco anos foram a forma de evitar uma flutuação maior nas tarifas. “Não podemos transformar [o preço da] energia em tomate, que quando tem seca, sobe. Vimos uma forma de evitar flutuação de preços, através de mecanismos de mercado.”

Historicamente consideradas “defensivas” pelo pagamento de bons dividendos – fatia do lucro da empresa distribuída aos acionistas –, as ações do setor elétrico têm preocupado investidores no último ano. Desde a sanção da medida provisória de renovação das concessões em troca da cobrança de tarifas menores, em 14 de janeiro de 2013, os papéis caíram 17,6% até hoje, segundo índice do setor que reúne as 15 ações mais negociadas. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 25% no período.

Veja como está o setor elétrico

As empresas que renovaram as concessões, como Eletropaulo (distribuidora de energia), tiveram queda mais acentuada. Já as que não renovaram, casos da Copel e da Cesp, a companhia de energia de São Paulo (ambas de geração e transmissão), caíram menos ou até subiram. A Copel, por exemplo, desvalorizou 13,82%. Já a Cesp, com valorização de 17,3% das ações no período até hoje, foi a única a não renovar a concessão em nenhum dos dois segmentos em que atua.

Assim, a empresa ficou com grande quantidade de energia descontratada, podendo ser vendida no mercado à vista, com preço mais alto. “Isso é uma vantagem, pois o preço dessa energia subiu bastante nos últimos meses”, diz Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores.

Já quem aceitou renovar contratos em troca de redução das tarifas, acrescenta a analista, sofreu com o aumento do custo, especialmente nos últimos meses, quando o baixo nível dos reservatórios de água gerou necessidade de uso de termelétricas – um meio mais caro de produção de energia.

Risco político

Para analistas, o risco político do setor elétrico aumentou bastante no último ano, pressionando as ações. “O mercado entendeu que o governo quis levantar a bandeira de corte na tarifa de energia a qualquer custo e meteu os pés pelas mãos”, diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos.

Para ele, o plano de socorro anunciado na semana passada evidenciou isso. Dos R$ 12 bilhões anunciados para as distribuidoras de energia como reforço para equilibrar as contas, R$ 8 bilhões serão financiados pelo setor privado, com posterior repasse aos consumidores.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1455622&tit=Valor-de-eletricas-cai-18-apos-MP-das-concessoes

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