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Iguá vende 11 concessões

Iguá vende 11 concessões por R$ 466 milhões

Iguá vende 11 concessões

A Iguá Saneamento acaba de vender 11 de suas concessões — um movimento de reciclagem de capital que faz parte da estratégia da companhia de focar apenas em concessões de grande porte.

O comprador, a Norte Saneamento, pagou R$ 466 milhões — um múltiplo de 10x EV/EBITDA, acima do múltiplo de empresas listadas desse setor.

A Copasa e Sabesp, por exemplo, negociam a 5x e 7x, respectivamente.

As 11 concessões vendidas eram pequenas para o tamanho da Iguá.

No ano passado, elas fizeram juntas um EBITDA de R$ 46 milhões, cerca de 7% do EBITDA total da companhia, de R$ 650 milhões.

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Com a venda, a Iguá vai aumentar sua posição de caixa para R$ 1,4 bilhão, recursos que devem ser usados para investir nas concessões atuais e para participar em novos leilões e PPPs.

“Essas concessões já estavam maduras e vimos a oportunidade de vender por um preço bom. Com isso podemos ter mais foco nos ativos maiores do portfólio e nos ativos novos que queremos trazer,” Paulo Mattos, o CEO da IG4, disse ao Brazil Journal.

Receita da Iguá

A IG4 — uma gestora de private equity — tem apenas 3% da Iguá, por meio da IG4 Water, mas representa o bloco de controle da empresa com 90% do capital, tendo como sócios o CPPIB e a AIMCo.

Os 10% restantes do capital pertencem ao BNDESPar.

O principal ativo da Iguá hoje é a Iguá Rio, que reúne os ativos que ela comprou no leilão da Cedae em 2021: ao arrematar o bloco 2 no certame, a empresa passou a operar os serviços de saneamento nas regiões da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e dois municípios do Grande Rio.

A Iguá Rio responde por cerca de 60% do EBITDA e da receita da Iguá, que foi de R$ 1,7 bilhão ano passado.

A Iguá também opera as concessões de Cuiabá e Paranaguá, além de ter uma PPP com a Sabesp e com a CASAL, em Alagoas.

A venda das 11 concessões vem num momento em que a alavancagem da Iguá está num patamar alto — principalmente por conta da compra do bloco 2 da Cedae. Hoje, a alavancagem está em 8x o EBITDA — mas excluindo a Iguá Rio, ela cairia para 3,7x.

A alavancagem está alta porque a Iguá já fez parte dos investimentos na Iguá Rio, mas o EBITDA da operação ainda está longe de atingir sua maturidade.

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A Iguá Rio já pagou R$ 5,8 bi da outorga de R$ 7,2 bi e já investiu R$ 500 mi do capex previsto em R$ 2,5 bi.

Conforme esse EBITDA for crescendo, a alavancagem deve cair para níveis mais próximos do padrão do mercado de infraestrutura. Considerando a trajetória de crescimento do EBITDA dos próximos anos, a alavancagem está caminhando para ficar abaixo de 4x até 2025.

Compra da Cedae

Uma fonte a par do assunto disse que o EBITDA da Iguá já deve subir para R$ 900 milhões este ano e saltar para R$ 1,1 bi no ano que vem, com uma expansão expressiva da margem.

A venda das concessões também vem dias depois da Iguá levantar R$ 3,8 bilhões com a emissão de uma debênture de infraestrutura. Essa debênture vai substituir o empréstimo-ponte de R$ 4 bi que a Iguá tomou em 2021, quando fez a compra da Cedae.

A debênture foi dividida em duas séries. A primeira, de R$ 2 bi, foi distribuída ao mercado; a segunda, de R$ 1,8 bi, ficou com o BNDES

A primeira série tem um prazo de 20 anos e paga IPCA + 7,97%; a segunda tem prazo de 29 anos e paga IPCA + 8,2%.

A oferta foi coordenada pela XP, BTG, Bradesco, Itaú, UBS BB e Banco BV. Na primeira série, distribuída ao mercado, a demanda foi de 1,6x o tamanho da oferta.

Segundo Paulo, o trabalho de turnaround da Iguá Rio ainda está no começo. “Era um ativo que tinha uma série de problemas operacionais. Eu brinco que tem ativos greenfield, brownfield – e que a Cedae era um yellowfield, porque tinha uma parte operando mas com muito capex para fazer,” disse ele.

A Iguá Rio tem investido pesado na conexão da rede de esgoto, nas estações de tratamento, na substituição de hidrômetros e na melhoria de todo o sistema de TI – por exemplo com a instalação de um sistema de medição inteligente.

“Todo esse investimento ajuda a reduzir as perdas de água, a aumentar o número de clientes e a conectar clientes que hoje só tem água ao esgoto. Isso vai gerar um crescimento exponencial do EBITDA.”

O Itaú BBA assessorou a Iguá.

O BTG Pactual trabalhou com a Norte Saneamento.

Fonte: Brazil Journal.

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