saneamento basico

Descaso do governo se reflete na gestão da água e na saúde da população

“Os desafios do Brasil começam pelo abastecimento, que só é satisfatório em 29% das cidades”

O Dia Mundial da Água, instituído pela ONU como sendo 22 de março, evidencia o quanto a preservação da água é um dos temas ambientais mais caros ao planeta para garantir a evolução da sociedade. Está alinhado com um dos objetivos do desenvolvimento sustentável, que estabelece a garantia de água e saneamento para todos.

Até 2030, a população mundial será 8,3 bilhões, o que demandará mais 30% de água para consumo humano comparado a hoje. Até lá, 1,8 bilhão de pessoas viverão em áreas de escassez hídrica (o que configura uma das cinco maiores ameaças globais e um dos grandes riscos ao desenvolvimento econômico). No mundo, 55% das pessoas contam com precários serviços de saneamento, o que afeta a saúde, em especial, a infantil. Países desenvolvidos buscam alternativas para o melhor aproveitamento, tais como reutilização do efluente sanitário na agricultura, reúso na indústria,  dessalinização da água, entre outros.

Os desafios do Brasil começam pelo abastecimento, que só é satisfatório em 29%  das cidades, sendo que somente 30% dos municípios têm estações de tratamento de esgotos e, assim mesmo, apenas 50% do esgoto coletado é tratado. O lançamento de efluentes sem tratamento nos corpos de água aumenta os custos do setor produtivo, afeta a saúde humana e degrada os ecossistemas. Ineficiências na prestação dos serviços causam perdas de 40% na distribuição da água. E, ainda, o lançamento de esgotos sem tratamento nos rios que alimentam os processos industriais também oneram os custos.

investimento

Com os níveis atuais de investimento, a universalização dos serviços de água e saneamento seria atingida somente após 2050. A participação do setor privado nessa cruzada, portanto, é fundamental, o que, somado aos esforços públicos, acarretaria na queda da mortalidade infantil, na redução da incidência de doenças e na diminuição dos custos com saúde (R$ 1,45 bilhão ao ano).

A má governança pública reflete na gestão da água e na segurança hídrica do país. O crescimento econômico e urbano está desamparado de medidas preventivas para evitar crises hídricas nos próximos anos. Neste contexto, a burocracia precisa redefinir diretrizes regulatórias, tornando-as mais claras e efetivas para reduzir a pulverização atual da regulação do setor. A falta de gestão e de ações eficazes na gestão do ciclo da água penaliza o ambiente, a saúde da população e o desenvolvimento econômico. Somente com uma melhor gestão e investimentos privados, através de parceiras e concessões, poderemos sair desta difícil realidade.

Fonte: Gaúcha ZN

Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Cobrada em algumas cidades há décadas e recém-implantada em outras, a chamada “taxa de lixo” tem ganhado espaço nos debates públicos do Alto Tietê. Embora a medida costume gerar resistência da população, especialistas afirmam que a cobrança deixou de ser apenas uma opção das prefeituras e passou a ser uma exigência legal prevista na Lei Federal nº 14.026/2020, conhecida como Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que determina que os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos tenham sustentabilidade econômico-financeira, ou seja, uma fonte específica de arrecadação.

Leia mais »
SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

Melhorar a transparência na gestão de resíduos e criar mecanismos mais eficientes. Para acompanhar os resultados da logística reversa estão entre os desafios de Santa Catarina para avançar na economia circular. Para atender a essa demanda, o estado ganhou uma nova plataforma digital. Com ela, será possível acompanhar, de forma integrada, todo o fluxo da logística reversa no estado.

Leia mais »
Você usaria água de reúso

Você usaria água de reúso?

Imagine a seguinte situação: você lava o carro com água potável. Depois, rega o jardim com água potável. Dá descarga no vaso sanitário usando água potável. Agora pense por um instante: será que todas essas atividades realmente precisam utilizar uma água com qualidade para consumo humano?

Leia mais »
Sistema Cantareira passará a operar na Faixa de Alerta em julho

Sistema Cantareira passará a operar na Faixa de Alerta em julho

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Informam que o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na Faixa 3 – Alerta a partir de 1º de julho. A medida segue o que estabelece a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.

Leia mais »
Por que concessionárias estão substituindo leituras mensais por monitoramento contínuo EOS Systems

Por que concessionárias estão substituindo leituras mensais por monitoramento contínuo | EOS Systems

No setor de saneamento, o modelo tradicional de leituras mensais está rapidamente se tornando obsoleto. Isso porque vazamentos invisíveis, fraudes e perdas operacionais não podem mais esperar 30 dias para serem detectados. Por isso, concessionárias estão migrando para o monitoramento contínuo, adotando tecnologia que transforma dados em decisões estratégicas em tempo real.

Leia mais »