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Odebrecht tem nota rebaixada em dia de dança das cadeiras

São Paulo – Na corporação Odebrecht, nem sempre deixar uma diretoria, sem ter rumo certo a seguir, significa um desligamento na prática.

Executivos mais próximos da família podem até entregar um cargo no alto escalão sem assumir oficialmente outro na sequência, mas permanecem na folha de pagamento e no dia a dia dos negócios.

Na avaliação de quem conhece o grupo por dentro, esse tipo de excepcionalidade aplica-se ao executivo Alexandrino Alencar.

Ele pediu demissão nesta terça-feira, 24, do cargo de diretor de Relações Institucionais. Alegou que queria se dedicar à sua defesa. A Odebrecht confirmou a demissão.

Profissionais do setor de infraestrutura próximos ao grupo, porém, lembram que ele é da “velha-guarda”, mais ligado a Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, presidente do grupo preso na sexta-feira, na 14.ª fase da Operação Lava Jato.

Acreditam que a decisão foi protocolar, para preservar a imagem do grupo.

A melhora da reputação também teria motivado a escolha de Newton de Souza para assumir o comando da holding Odebrecht durante o afastamento de Marcelo Odebrecht.

Advogado, passou por várias áreas de negócios e tem grande conhecimento sobre as operações do grupo. Souza também tem contatos no meio jurídico nos Estados Unidos, onde a empresa tem operações e pode ser chamada a dar explicações pelas autoridades, segundo advogados ouvidos pelo Estado.

No mundo dos negócios, a reputação é considerada peça-chave para garantir crédito na praça. A agência de risco Standard & Poor’s levou isso em consideração.

Ontem, fez uma rodada de rebaixamentos nas notas ligadas a Odebrecht. Rebaixou o rating de crédito corporativo da Odebrecht Engenharia e Construção de BBB para BBB-. Também rebaixou o rating de 11 emissões seniores não garantidas da Odebrecht Finance, igualmente de BBB para BBB-.

Segundo a Standard & Poor’s, o rebaixamento reflete a exposição da companhia a riscos relacionados à reputação após a prisão de seus executivos. “Nós não vemos a prisão de Marcelo Odebrecht, presidente do grupo, como um problema para as operações e atividades do dia a dia da empresa.

Ainda assim, o aumento dos riscos relacionados à reputação desencadearam um rebaixamento para o mesmo nível do rating soberano (do Brasil)”, diz a agência.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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