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Sobre a Revolução da Economia Circular

O desenvolvimento da sociedade foi dominado nas últimas décadas por um modelo linear de produção e consumo, herdado da Revolução Industrial, no qual os produtos são produzidos através da extração de matérias-primas virgens, beneficiados pelas indústrias, consumidos pelas pessoas e descartados como resíduos após uso.

Esse modelo vem sofrendo grandes avanços principalmente na gestão eficiente dos recursos, graças, em grande parte, ao desenvolvimento tecnológico, porém qualquer sistema fundamentado no consumo e descarte está fadado a perdas significativas ao longo da cadeia de produção, causando diversas externalidades negativas.

Conforme o relatório da Ellen MacArthur Foundation, publicado em 2012 e intitulado de “Em direção a uma economia circular”, vários fatores indicam que o modelo linear de consumo e descarte está enfrentando um desafio cada vez maior, entre eles, ressalta-se: perdas econômicas através do desperdício das estruturas, riscos de preços das matérias-primas (volatilidade dos preços), riscos de oferta (muitos países dependem da importação de recursos estratégicos), degradação dos sistemas naturais (índices elevados de degradação devido à extração constante), tendências regulatórias (precificação de externalidades negativas), avanços tecnológicos (favorecendo o compartilhamento e a colaboração), aceitação de modelos de negócios alternativos (estimulando assim o surgimento de novos negócios) e a urbanização.

A economia circular, ou economia restaurativa por natureza, é um conceito nascido na década de 70 e que ganhou força nos anos 90. Existem diversas correntes de pensamento sobre o tema, sendo alguns deles: economia de serviço de Walter Stahel, filosofia Cradle to Cradle (berço ao berço) de Willian McDough e Michael Braungart, a biomimética de Janine Benyus, a ecologia industrial de Reid Lifset e Thomas Graedel e a Blue economy (economia azul) descrito por Gunter Pauli.

Segundo Ellen MacArthur Foundation a economia circular baseia-se em três princípios básicos: 1) Preservar e aprimorar o capital natural controlando estoques finitos e equilibrando os fluxos de recursos renováveis; 2) Otimizar o rendimento de recursos fazendo circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico; 3) Estimular a efetividade do sistema revelando e excluindo as externalidades negativas desde o princípio.

Conforme observado, os princípios que norteiam a economia circular priorizam a adoção de novas ferramentas e metodologias de produção, eliminando, assim, a geração de resíduos, incentivando a adoção de energias renováveis, utilização do pensamento sistêmico e a não externalização dos custos. Além disso, o modelo circular difere os ciclos de nutrientes técnicos e biológicos: o ciclo técnico envolve toda a gestão dos estoques de materiais finitos. Não existem perdas desse tipo de material, já que o mesmo, grande parte das vezes,é restaurado no ciclo técnico. Já o ciclo biológico envolve os fluxos de materiais renováveis. Os nutrientes biológicos são regenerados no ciclo biológico.

Essa nova visão abordada pela economia circular está se popularizando entre diversos líderes mundiais, tanto do setor público quanto privado, como uma alternativa válida e viável em comparação com o tradicional modelo econômico linear.

A Ellen MacArthur Foundation identificou quatro pilares que vão ajudar a estimular a transação e adoção para o modelo circular:

Design de produtos e produção circulares: uma característica essencial da economia circular é ser restaurativa e regenerativa por natureza. A recuperação de materiais e produtos não é tratada só no fim da vida, mas é contemplada desde o design (ex: na escolha de materiais ou com um design para a desmontagem). As empresas precisarão desenvolver competências centrais em design circular para facilitar a reutilização, reciclagem e o aproveitamento em cascata dos produtos.

Novos modelos de negócios: modelos de negócio que substituam a propriedade por pagamentos com base no desempenho são fundamentais na tradução de produtos e projetos para reutilização em propostas de valor atraentes. Priorizando o acesso em vez da propriedade, esses modelos orientam a transformação de consumidores em usuários.

Ciclo reverso: uma estrutura de materiais que preserve o valor é um requisito essencial na transição para economia circular. Para criar valor a partir de materiais e produtos usados, é necessário coletá-los e devolvê-los a sua origem. A logística reversa e os métodos de tratamento possibilitam o retorno desses materiais ao mercado.

Condições Sistêmicas favoráveis: a colaboração efetiva entre cadeias de valor e setores é imperativa para o estabelecimento de um sistema circular de larga escala. Parcerias no desenvolvimento de produtos, transparência e compartilhamento de informações possibilitados por TI, sistema de coleta compartilhados, padrões setoriais, incentivos alinhados e mecanismos de identificação de possíveis parceiros podem ser disponibilizados em plataformas colaborativas entre setores inteiros e entre empresas e formuladores de políticas.

Segundo relatório da Comissão Europeia, a transação para um modelo circular exige o envolvimento e o empenho de diversos grupos distintos de pessoas. A função dos tomadores de decisões políticas consiste em criar condições de enquadramento, previsibilidade e confiança às empresas, reafirmar o papel dos consumidores e definir a maneira que os cidadãos podem participar para garantir os benefícios dessa transição. As indústrias podem redefinir suas cadeias de fornecimento integrais, visando uma maior eficiência e circularidade dos recursos.

Fonte: REVERSE

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