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Startups de água na África rural

Startups de água podem transformar o abastecimento de água na África rural, assim como estão fazendo com a eletricidade solar

Em meados dos anos 2000 a Playpumps International, uma instituição de caridade, fez sucesso com uma maneira fotogênica de prover água limpa para as vilas africanas: uma bomba acionada por crianças brincando em um gira-gira.

Doadores e celebridades ofereceram mais de 16 milhões de dólares. Porém, o sistema custava mais caro do que as alternativas, e precisava de muita “brincadeira” o que começou a parecer com trabalho infantil finamente disfarçado.

Em qualquer momento cerca de um terço da infraestrutura de água da África Subsaariana, de bombas manuais a sistemas acionados por energia solar, está quebrada. Mesmo após gastar bilhões de dólares, muitos doadores não podiam garantir que as bombas pelas quais pagaram tinham manutenção (apenas 5% dos africanos da zona rural tem acesso a água encanada). Muitos dos comitês responsáveis por coletar as taxas que deveriam cobrir os reparos são corruptos.

Mais frequentemente, apesar de tudo, os aldeões simplesmente lutam para arrecadar dinheiro, encontrar um mecânico e obter peças sobressalentes, disse Johanna Koehler da Universidade de Oxford. Kerr Lien, uma vila em Gâmbia central, voltou a usar um poço manual por nove anos depois que os habitantes não foram capazes de consertar um defeito na sua bomba acionada por energia solar.

Há “um monte de elefantes brancos por todo lado”, disse Alison Wedgwood, uma das fundadoras de eWATER, uma startup britânica que visa resolver muitos desses problemas.

Torneiras conectadas à rede móvel

Suas torneiras acionadas por energia solar, 110 das quais foram instaladas em Kerr Lien e em outras seis vilas de Gâmbia, liberam a água em resposta a uma etiqueta eletrônica. As etiquetas são repostas por lojistas usando smartphones; 20 litros de água custam 0,50 dalasi (1 centavo de dólar), e 85% do pagamento é reservado para cobrir futuros reparos. As torneiras estão conectadas à rede móvel, portanto elas podem transmitir informações sobre o uso para alertar os mecânicos quanto a problemas. A eWATER espera ter 500 torneiras atendendo 50.000 pessoas em Gâmbia e Tanzânia até o final de 2017.

 

 

A partir do momento em que estão pagando por isso, as mulheres e meninas que coletam a água agora também tomam mais cuidado para não derramar nada, deixando poucas poças onde os mosquitos podem se reproduzir. No Quênia Johanna Koehler descobriu que os aldeões estavam preparados a pagar cinco vezes mais pela água contanto que suas bombas fossem consertadas em três dias, comparando com a média anterior de 27.

Startups como estas podem transformar o abastecimento de água na África rural, assim como estão fazendo com a eletricidade solar. Isatou Jallow, de doze anos de idade, vai continuar lavando as roupas da sua família com água de poço a cada semana. Porém, logo haverá uma torneira de água potável do lado de fora da sua casa. Isso significa mais tempo estudando, ao invés de gastar as tardes laboriosamente indo buscar água muito longe. Isso também significa ambições mais elevadas. “Eu quero ser ministro do governo”, ela disse.

Foto: eWATER

Fonte: The Economist, adaptado por Portal Saneamento Básico – www.saneamentobasico.com.br

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