Pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Milwaukee propõem a reciclagem das baterias de veículos elétricos para a produção de insumos agrícolas, reduzindo custos, resíduos e dependência de importação
Pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Milwaukee desenvolveram um método para transformar baterias usadas de veículos elétricos em fertilizantes, oferecendo uma solução para o descarte caro e pouco eficiente das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). A técnica substitui o lítio por potássio e reaproveita fósforo, potássio e nitrogênio — elementos essenciais à agricultura.
Liderado pelo professor Deyang Qu, chefe do Departamento de Engenharia Biomédica, os pesquisadores utilizam um método químico conhecido como troca iônica, já empregado em setores como o tratamento de água. No processo, resinas especiais substituem os íons de lítio presentes na bateria por íons de hidrogênio ou potássio, permitindo recuperar mais de 90% do lítio de forma eficiente.
Após a retirada do lítio, a solução restante ainda contém fósforo e outros elementos presentes na composição das baterias. Esses componentes podem ser reaproveitados como ingredientes para fertilizantes. Dessa forma, um único processo gera dois resultados: a recuperação de lítio para novas baterias; e a produção de insumos para a agricultura.
Segundo os pesquisadores, o método é rápido — as reações atingem equilíbrio em cerca de 20 minutos — e baseia-se em tecnologias já consolidadas comercialmente, o que facilita a ampliação para escala industrial. A pesquisa foi testada em laboratório com apoio de uma bolsa interna da universidade e em colaboração com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
A próxima etapa do projeto é produzir o fertilizante em maior volume para compará-lo com produtos convencionais em testes de campo. Está previsto um experimento em uma área de um acre com cultivo de tomates. Caso os resultados sejam positivos, a equipe pretende apresentar a tecnologia aos grandes fabricantes de fertilizantes e avançar para a produção em larga escala.
A proposta pode reduzir resíduos, diminuir a dependência dos EUA de fertilizantes importados e consumir menos energia do que a mineração tradicional.
Por que fertilizante?
O avanço dos veículos elétricos traz um desafio ambiental crescente: o destino das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) ao fim de sua vida útil, após cerca de dez anos de uso. Amplamente empregadas em carros, vans de entrega e ônibus elétricos, essas baterias costumam ser descartadas porque os métodos tradicionais de reciclagem são caros e complexos, tornando o processo economicamente inviável.
“Hoje, custa mais reciclar as baterias do que o valor do que recuperamos”, disse Deyang, em nota oficial da Universidade de Wisconsin. “Mas, se conseguirmos transformar esses elementos em fertilizante, não só reduzimos resíduos como também apoiamos a agricultura em Wisconsin e além”, continua.
Fertilizantes são produtos de alto valor, essenciais para aumentar a produtividade agrícola e garantir a segurança alimentar. A maior parte dos minerais usados na fabricação de fertilizantes é importada. A reciclagem dessas baterias criaria uma oferta doméstica imediata desses insumos, com menor gasto energético, já que não seria necessário minerar nem transportar matérias-primas.
“Há apenas duas opções para lidar com esse tipo de resíduo. Ou os fabricantes, ou o governo terão de pagar pelo descarte. Isso nos inspirou a buscar uma solução economicamente sustentável”, conclui Deyang.
Fonte: Um só planeta