saneamento basico
SP avança na regulação da drenagem no saneamento

SP avança na regulação da drenagem no saneamento

O governo de São Paulo vai prever nos contratos de concessão dos novos blocos de saneamento um arcabouço regulatório para a prestação dos serviços de drenagem nos municípios que aderirem ao novo desenho de regionalização.

Em entrevista à Agência iNFRA, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende, explicou que a pasta tem “estudado muito” como irá deixar esse ambiente regulatoriamente preparado para que futuramente os municípios possam negociar com os operadores a integração dos serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água com a atividade de drenagem.

“Estamos fazendo todo o mapeamento jurídico, regulatório, para fazer essa interação com segurança, reduzindo riscos e melhorando a resiliência hídrica”, afirmou Resende. A possibilidade de os serviços de drenagem e manejo de águas da chuva serem integrados aos novos blocos de saneamento foi oficializada no projeto de lei que reorganiza a regionalização do estado – preservando o bloco atendido pela Sabesp.

É o PL (Projeto de Lei) 1.083/2025, aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) no início do mês. De autoria do governo estadual, ele foi proposto após a primeira tentativa de divisão, de 2021, só ter dado certo com o grupo que já era atendido pela Sabesp, privatizada três anos depois.

“Estamos fazendo benchmarking com outros lugares do mundo, como é que eles tratam drenagem, como isso é considerado nos contratos, nas bases de ativo, e como olhamos isso frente à jurisprudência que existe no Brasil”, observou a secretária.

Financiamento

O modelo do contrato será colocado em consulta pública pelo governo estadual dentro do UniversalizaSP, que vai buscar a adesão dos municípios à nova regionalização estadual. No programa, o estado vai criar a possibilidade de os municípios terem seus próprios fundos para recebimento de recursos vinculados à futura concessão.

Esse dinheiro pode financiar, por exemplo, a contratação de serviços de drenagem com o operador de saneamento que arrematar o bloco. Além disso, o município pode utilizar os recursos para investir diretamente nessa atividade, em um primeiro momento.

Esse modelo, inclusive, já ocorre na unidade regional atendida pela Sabesp nos serviços de água e esgoto.

Hoje, o principal desafio para o desenvolvimento da drenagem no Brasil é a ausência de uma cobrança específica para essa atividade nos municípios, o que faz com que o segmento seja o mais atrasado dentro do saneamento.

Segundo estudo do Trata Brasil realizado no ano passado, apenas 2,3% das cidades brasileiras informaram fazer alguma cobrança pela operação da drenagem e manejo de águas da chuva.

“Também no Universaliza vamos criar essa possibilidade de o município fazer o seu fundo, receber, aí ele contrata a atividade ou o recurso pode retroalimentar o contrato de concessão”, explicou Resende, pontuando que ainda há outras fontes potenciais de recursos.

O arcabouço regulatório que está sendo criado também deve prever uma vinculação à existência e ao desenvolvimento de planos municipais para a drenagem. “Não adianta simplesmente fazer a obra. Em paralelo, temos ido comitê a comitê de bacia para ajudar os municípios a atualizar seus planos”, disse a secretária.

Eficiência operacional

Resende observou que a integração com os serviços de água e especialmente esgoto promoveria uma eficiência operacional importante para o setor de saneamento.

“Muitas vezes você tem uma intersecção muito forte entre a drenagem e a rede de esgoto. Tanto que o que acontece muitas vezes onde não tem redes de drenagem robustas, é que chove, a água da chuva entra na rede de esgoto e causa a extravasação. Por isso da importância de a gente olhar o conjunto”, afirmou.

Segundo ela, junto com a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), o estado também está verificando eventuais integrações dentro da unidade atendida pela Sabesp – ponderando que o foco do bloco neste primeiro ciclo é a universalização dos serviços de água e esgoto.

“De qualquer forma, como a questão da drenagem inclusive tem impacto nas redes de esgoto, temos estudado, vendo a questão de mitigação de riscos e análise regulatória”, explicou.

PL altera lei de 2021

No PL da nova regionalização do estado aprovado pela Alesp no último dia 3, os deputados também acrescentaram que a inclusão dos serviços de drenagem deverá obedecer às prerrogativas estabelecidas no PERH (Plano Estadual de Recursos Hídricos).

O projeto foi aprovado por 53 votos a 14. Agora, o texto aguarda a sanção do governador Tarcísio de Freitas.

A proposta altera a Lei 17.383/2021. Além disso, extingue as URAEs 3 e 4. Com a mudança, o governo passa a integrar à URAE-2 todos os 274 municípios paulistas que a Sabesp não atende.

As unidades regionais de saneamento foram incentivadas pelo marco legal de 2020. O objetivo é dar viabilidade financeira às concessões. Além disso, a medida busca ampliar a escala dos projetos de saneamento.

Até então, o estado de São Paulo era dividido em quatro URAEs. Contudo, o único bloco que teve êxito foi a URAE-1, que reúne as 371 prefeituras já atendidas pela Sabesp.

Agora, a ideia é subdividir a nova unidade regional em mais de um bloco, número que ainda vai depender de análises e da adesão dos municípios.

Mudanças

Conforme o PL, a divisão das “sub-URAEs” deverá considerar pelo menos um dos seguintes critérios: disposição das bacias hidrográficas ou UGRHI (Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos); possibilidade de compartilhamento de infraestrutura; viabilidades técnica, operacional, econômica, financeira ou regulatória.

Os parlamentares adicionaram a essa lista aspectos sociais e ambientais, como vulnerabilidade hídrica, risco climático e capacidade de adaptação dos municípios frente a eventos extremos. Outra inclusão aprovada foi a previsão de apoio do Fausp (Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento no Estado de São Paulo) aos projetos.

A princípio, o Fausp atende apenas a URAE-1. O governo criou o fundo na mesma lei que aprovou a privatização da Sabesp. Além disso, o mecanismo apoia investimentos em áreas vulneráveis. Também subsidia a conta de famílias beneficiárias da tarifa social.

Contudo, deputados manifestaram preocupação com a necessidade de apoio à URAE-2. Por isso, o Legislativo incluiu o fundo no PL 1.083.

Apoio do fundo

Resende explicou que o fundo pode oferecer apoio em diferentes situações. Por exemplo, pode financiar contraprestações e viabilizar outorgas cruzadas.

Além disso, o mecanismo também pode apoiar eventuais necessidades dos projetos. No entanto, segundo Resende, o principal foco do fundo é direcionar recursos para ajudar áreas mais vulneráveis na URAE-1.

“O Fausp está focado na URAE-1, mas não obsta da gente, por exemplo, também fazer uma retroalimentação em relação a eventuais outorgas dentro do fundo para as outras URAEs”, disse.

No caso da URAE-1, o fundo recebe 4% da receita da Sabesp uma vez por trimestre.

“É um estímulo a mais, uma receita que ajuda muito, principalmente municípios menores, onde estamos estudando formas de integrar, cada vez mais, porque a gente coloca [a previsão do recurso] dentro do contrato”, destaca.

O PL ainda inclui emenda que estabelece a publicação de um relatório anual de cada bloco sobre as metas de universalização, tarifas praticadas, investimentos realizados e previstos, indicadores de qualidade e desempenho dos serviços. Os documentos deverão ser disponibilizados ao público.

Fonte: Agência INFRA


Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »