Uma decisão técnica que vai muito além da tecnologia
A contratação de soluções de software no setor de saneamento deixou de ser uma decisão puramente operacional. Em um ambiente marcado por metas regulatórias mais rígidas, maior exigência de transparência e pressão por eficiência, escolher mal uma solução tecnológica passou a representar risco institucional.
Com a consolidação do Novo Marco Legal do Saneamento e o avanço das exigências de controle, gestores públicos e concessionárias são cada vez mais cobrados por decisões que garantam continuidade operacional, integridade dos dados e governança de longo prazo.
Na prática, o desafio não está apenas em adquirir tecnologia, mas em contratar soluções que sustentem a operação ao longo dos anos, atravessem ciclos políticos e se mantenham aderentes às exigências regulatórias futuras.
Onde a contratação começa a gerar riscos
Confusão entre “sistema” e “software de gestão”
Um dos problemas mais recorrentes no setor de saneamento é a confusão conceitual entre infraestrutura física e software de gestão. No contexto do saneamento, o termo “sistema” historicamente remete a redes, estações, reservatórios e ativos físicos.
Quando esse mesmo termo é utilizado de forma genérica em processos de contratação tecnológica, abre-se espaço para editais imprecisos, escopos mal definidos e soluções que não atendem às reais necessidades de governança, integração e controle da operação.
Sob a ótica do gestor público, essa ambiguidade técnica aumenta o risco de:
- Contratações pouco aderentes à realidade operacional;
- Dependência excessiva de customizações futuras;
- Dificuldades de fiscalização e prestação de contas.
Foco excessivo em funcionalidades e pouco em governança
Outro ponto crítico é a priorização de listas extensas de funcionalidades em detrimento de aspectos estruturais, como governança de dados, segurança da informação, interoperabilidade e continuidade do fornecedor.
Na prática, soluções que “fazem muito”, mas não estruturam processos, tendem a gerar:
- Baixa adesão das equipes;
- Dependência de controles paralelos;
- Fragilidade em auditorias e fiscalizações.
Em contratos de longo prazo, essas fragilidades se acumulam e passam a impactar diretamente a gestão.
Os pilares técnicos para uma contratação mais segura
Aderência regulatória e rastreabilidade de dados
No setor público, qualquer solução de software precisa ser capaz de sustentar auditorias, responder a órgãos de controle e garantir a integridade das informações ao longo do tempo.
Isso exige atenção a pontos como:
- Histórico e rastreabilidade de dados;
- Padronização de processos;
- Capacidade de geração de relatórios consistentes.
A conformidade começa na contratação.
Interoperabilidade com sistemas legados
Grande parte das autarquias e concessionárias opera com ambientes tecnológicos híbridos. A contratação de um novo software precisa considerar, desde o início, a capacidade de integração com sistemas existentes, evitando rupturas operacionais e retrabalho das equipes técnicas.
Do ponto de vista da gestão, interoperabilidade não é um diferencial — é um requisito básico para viabilidade.
Segurança da informação e LGPD
A contratação de software no saneamento envolve dados sensíveis de cidadãos, consumo, arrecadação e operação crítica. Avaliar critérios de segurança da informação, controle de acesso e aderência à LGPD é parte central da responsabilidade institucional do gestor.
Falhas nesse ponto geram riscos jurídicos que extrapolam a esfera técnica.
O fator humano e institucional na contratação
Curva de aprendizado e continuidade operacional
No setor público, mudanças tecnológicas impactam equipes com diferentes níveis de maturidade digital. Soluções complexas, com alta dependência de treinamento ou operação pouco intuitiva, tendem a gerar resistência e perda de eficiência no médio prazo.
A facilidade de adoção, a clareza dos processos e o suporte institucional do fornecedor são fatores que influenciam diretamente a sustentabilidade da contratação.
Transparência para órgãos de controle
Tribunais de Contas e órgãos fiscalizadores avaliam não apenas o contrato, mas os efeitos práticos da solução adotada. Softwares que organizam dados, padronizam processos e facilitam a prestação de contas reduzem significativamente o risco institucional associado à contratação.
Transparência para órgãos de controle
Tribunais de Contas e órgãos fiscalizadores avaliam não apenas o contrato, mas os efeitos práticos da solução adotada. Softwares que organizam dados, padronizam processos e facilitam a prestação de contas reduzem significativamente o risco institucional associado à contratação.
Nesse contexto, a tecnologia passa a ser uma aliada da governança pública.
Evidências práticas de impacto na gestão
Experiências no setor mostram que contratações bem estruturadas resultam em:
- Maior previsibilidade operacional;
- Redução de dependência de controles manuais;
- Melhoria na qualidade das informações gerenciais;
- Menor exposição a questionamentos regulatórios.
Não se trata apenas de tecnologia, mas de maturidade institucional aplicada à gestão do saneamento.
Contratação como decisão estratégica de longo prazo
A escolha de uma solução de software no setor de saneamento deve ser encarada como uma decisão estratégica, com impactos que se estendem por anos — e, muitas vezes, por diferentes gestões.
Contratações orientadas apenas por preço ou escopo funcional tendem a gerar custos ocultos, retrabalho e fragilidade institucional. Em contrapartida, decisões baseadas em governança, aderência regulatória e visão de longo prazo fortalecem a operação e protegem o gestor.
Uma visão construída ao longo do tempo
Com mais de três décadas de atuação no setor de utilities, a EOS Systems acompanha de perto os desafios enfrentados por gestores públicos na contratação de soluções tecnológicas. Essa vivência reforça uma compreensão clara: boas decisões de contratação começam na definição correta do problema e se consolidam na escolha de soluções que sustentam a gestão ao longo do tempo.
Fonte: EOS Systems