saneamento basico
Como o Brasil pretende reduzir o uso de agrotóxicos sem banir produtos

Como o Brasil pretende reduzir o uso de agrotóxicos sem banir produtos

Além disso, o Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) publicou, nesta quarta-feira (04/03), uma resolução com 30 ações prioritárias. Dessa forma, as medidas deverão ser implementadas por diversos órgãos do governo ao longo de 2026 e 2027.

Com a meta de reduzir o uso dos produtos químicos na agricultura brasileira. Ademais, a lista não prevê expressamente a proibição ou banimento de defensivos agrícolas, medida temida pelo setor produtivo e pela indústria.

Após declarações recentes do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira.

Entre as ações, no entanto, estão previstas a elaboração de uma lista nacional de produtos agrotóxicos “altamente perigosos ao meio ambiente e extremamente tóxicos para a saúde” e a divulgação dos critérios adotados para isso.

Há também uma indicação para criação de “regras de proibição ao registro de agrotóxico, definindo minimamente, os critérios de risco inaceitável, de modo a assegurar que não haverá retrocesso socioambiental”.

Boa parte das ações prioritárias do Pronara está relacionada com as regulamentações da nova Lei de Agrotóxicos (14.785/2023) e da Lei de Bioinsumos (15.070/2024). Que têm sido alvo de divergências dentro do governo, segundo apurou a reportagem.

Na visão de um interlocutor, os textos dos decretos não avançam por resistências ideológicas em algumas alas do Executivo.

Uma fonte a par da discussão em Brasília disse que não há qualquer previsão de proibição sumária de agrotóxicos no Brasil, que o processo de reanálise manterá critérios técnicos e que o Pronara não tem atribuição para ordens executivas dessa natureza.

A competência de avaliação para registro ou cancelamento da autorização de uso desses produtos continua com os órgãos técnicos: Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O que prevê o programa nacional

O plano de ação do Pronara é dividido em seis eixos:

  • Desenvolvimento de alternativas aos agrotóxicos;
  • Educação, formação e qualificação; informação,
  • Participação e controle social;
  • Monitoramento, integração institucional, atenção à saúde relacionada à cadeia produtiva de agrotóxicos;
  • Normatização e regulação de agrotóxicos;
  • Medidas econômicas, financeiras e fiscais para a redução dos agrotóxicos.

“As iniciativas reúnem compromissos de diferentes ministérios para promover a saúde pública, a conservação ambiental e o fortalecimento de sistemas de produção de alimentos mais sustentáveis, resilientes e saudáveis”, informou a Secretaria-Geral da Presidência da República, que coordena o comitê.

Na parte de normatização, o comitê do Pronara prevê que Ibama, Ministério da Agricultura e Anvisa deverão. “Atualizar as normativas que estabelecem as exigências da reanálise de agrotóxicos garantindo a autonomia técnica dos respectivos órgãos”.

Caberá a esses entes também elaborar e implementar uma agenda regulatória de reanálise agronômica, toxicológica e ambiental, “considerando indícios da alteração dos aspectos agronômicos, dos riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, observando as recomendações das convenções e dos acordos internacionais de banimento de produtos, com divulgação da lista de priorização de reanálise”.

Os três órgãos ainda deverão definir novos critérios de prioridade de análise de forma a agilizar o processo de registro de novos produtos de menor perigo e risco para saúde e meio ambiente.

Além de garantir regras de proibição de registro de agrotóxico com base em critérios de “risco inaceitável” para não ter “retrocesso socioambiental” na regulamentação da lei 14.785/2023.

O Pronara ainda quer que o Ministério da Agricultura revise a regulamentação da pulverização aérea de agrotóxicos por aeronaves e drones. O objetivo, segundo a lista, é ampliar os mecanismos de controle:

“Considerando o grau de risco dos produtos utilizados e da situação da ocupação territorial e ambiental da área de uso, com a definição de proibição para os casos que representem potencial de risco para a população, trabalhadores, meio ambiente e de contaminação da produção não-alvo”.

Bioinsumos e atenção à população exposta

A lista inclui ações para fortalecer a produção e uso de bioinsumos, inclusive com campanha para incentivar a adoção desses produtos. Estão previstas também a criação da Estratégia de Bioinsumos para a Agricultura Familiar, a consolidação da Rede de Inovação e Transferência de Tecnologia em Bioinsumos para Agricultura Familiar.

Além disso, o envio de propostas para lançamento de editais pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiamento de pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

O comitê do Pronara ainda indicou ao Ministério da Saúde a necessidade de publicar uma portaria ministerial.  Para instituir a Vigilância em Saúde de Populações Expostas aos Agrotóxicos (VSPEA) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por fim, a lista de ações prevê a criação de um canal unificado para denúncias de contaminações e intoxicações causadas pelos produtos para facilitar.

“O atendimento da população exposta. Sobretudo em territórios e comunidades tradicionais”. E a elaboração de uma estratégia nacional de ação e protocolo de atuação in loco para “identificar e registrar danos ambientais, à saúde humana, à segurança alimentar e à produção agroalimentar, por exposição aos agrotóxicos em territórios com populações vulnerabilizadas”.

Fonte: Globo Rural


Últimas Notícias:
Empresas de saneamento cogitam suspender fluoretação da água com alta no preço do flúor

Empresas de saneamento cogitam suspender fluoretação da água com alta no preço do flúor

Há quatro meses o estreito de Ormuz continua fechado por conta da guerra no Oriente Médio. O aumento consequente no preço do petróleo e o efeito cascata resultante nos diversos produtos que envolvem o recurso na produção levaram a uma disparada no valor de insumos e materiais usados nos setores de infraestrutura, rodovias e saneamento, chegando a até mesmo afetar a qualidade da água que abastece as casas.

Leia mais »
Após crise, Aegea convoca capitalização de até R$ 2,1 bi

Após crise, Aegea convoca capitalização de até R$ 2,1 bi

A Aegea planeja fazer um aumento de capital entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões, como forma de reduzir sua alavancagem financeira, que está próxima dos limites de endividamento da companhia. Além disso, a convocação dos sócios para a capitalização, divulgada na terça-feira (7), ocorreu em meio à crise da empresa junto ao mercado financeiro.

Leia mais »