Além do faturamento: a necessidade de KPIs estratégicos no saneamento.
A gestão de uma concessionária ou autarquia de saneamento é um exercício constante de equilíbrio entre conformidade regulatória, sustentabilidade econômico-financeira e nível de serviço ao cliente. Com o avanço das metas exigidas pelas agências reguladoras e a necessidade de otimização de recursos (OPEX), mensurar apenas o faturamento bruto e o volume faturado é uma prática obsoleta e perigosa.
Para alcançar a real eficiência operacional, os gestores precisam acompanhar um painel equilibrado de Key Performance Indicators (KPIs) que abranjam a infraestrutura física, a eficiência energética, a performance comercial e a produtividade das equipes de campo.
Abaixo, analisamos os indicadores essenciais que devem compor o dashboard de comando de uma concessionária moderna.
1. Indicadores de Perdas Hídricas e Eficiência de Distribuição
As perdas de água corroem diretamente a margem operacional das empresas de saneamento. Para mensurá-las com precisão, a utilização exclusiva do percentual de perda pode ser enganosa, sendo necessário desdobrar a análise em métricas complementares.
Por que o IPB é mais preciso que o IPD em análises operacionais?
O IPD em porcentagem pode flutuar drasticamente de acordo com variações no consumo do cliente, mesmo que a quantidade de vazamentos físicos na rede permaneça inalterada. Em períodos de seca ou racionamento, por exemplo, o faturamento cai e o percentual de perdas sobe artificialmente. O IPB (litros/ligação/dia), por sua vez, isola o tamanho da infraestrutura e traz uma métrica física absoluta do desperdício no sistema.
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2. Indicadores de Eficiência Energética e Operacional (OPEX)
A energia elétrica representa, em geral, o segundo maior custo operacional de uma operadora de saneamento, atrás apenas da folha de pagamento. Otimizar a eficiência eletromecânica das Estações de Tratamento de Água/Esgoto e das Estações Elevatórias é fundamental.
Consumo Específico de Energia (CEE)
Fórmula do CEE: CEE = Energia Consumida (kWh) / Volume de Água Produzido ou Tratado (m³)
Este indicador mede quantos Quilowatts-hora são gastos para produzir ou pumps cada metro cúbico de água. Variações ascendentes no CEE sinalizam:
- Desgaste mecânico em conjuntos motobombas (perda de rendimento hidráulico);
- Operação de bombas fora do seu Ponto de Ótimo Rendimento (POR);
- Obstruções mecânicas nas adutoras de recalque;
- Falta de controle de pressão na rede.
Acompanhar o CEE em tempo real via telemetria permite realizar manutenções preventivas nos equipamentos antes do colapso do ativo ou do estouro na fatura de energia.
3. Indicadores de Atendimento e Eficiência de Campo (SLAs)
A percepção de qualidade por parte da sociedade e dos órgãos reguladores depende da velocidade e assertividade com que a concessionária resolve problemas operacionais reportados pelos usuários ou identificados pelo sistema.
Tempo Médio de Reparo de Vazamentos (MTTR)
Avalia o tempo decorrido entre a abertura da Ordem de Serviço (OS) de vazamento (na rede ou no ramal) e a conclusão efetiva do reparo em campo.
Taxa de Reincidência de Serviços em Campo
Fórmula da Taxa de Reincidência: Taxa de Reincidência = Ordens de Serviço Refeitas no mesmo Local (<30 dias) / Total de Serviços Executados × 100
Uma taxa de reincidência alta revela falhas no processo de manutenção (ex.: reparos mal executados, falta de padronização técnica ou uso de materiais de baixa qualidade), gerando retrabalho, custos adicionais de deslocamento de equipe e desgaste com o consumidor.
4. Indicadores Comerciais e de Arrecadação
A eficiência operacional precisa traduzir-se em saúde financeira. O acompanhamento contínuo dos KPIs comerciais evita a formação de passivos de difícil recuperação.
Índice de Inadimplência Efetiva (IE)
Mede o percentual do faturamento gerado no mês que não foi arrecadado dentro do prazo de vencimento e nos janelas subsequentes de cobrança (30, 60 e 90 dias).
Índice de Cobertura de Telemetria e Micromedição
Fórmula de Cobertura: Cobertura = Ligações com Telemetria / Leitura Automatizada / Total de Ligações do Sistema × 100
Aumentar a cobertura de telemetria em grandes consumidores (indústrias, comércios e condomínios) garante a precisão do faturamento dessas contas cruciais, reduzindo disputas judiciais, erros de leitura humana e inconsistências cadastrais.
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Estruturando uma cultura orientada por indicadores
A simples existência de indicadores em planilhas isoladas não promove mudanças operacionais. Concessionárias de alto desempenho estruturam sua gestão em três pilares analíticos:
Fluxo de Gestão de Indicadores:
- DADOS BRUTOS EM CAMPO (Pressão, Vazão, Consumo elétrico, Status de OS) ➔
- SISTEMA INTEGRADO DE TELEMETRIA (Normalização, Regras de Negócio e Algoritmos) ➔
- PAINEL EXECUTIVO & OPERACIONAL (Tomada de Decisão Preventiva & Automatizada)
- Centralização de Dados: Integração automática entre medidores de campo, sistemas de telemetria, ERP comercial e software de gestão de ordens de serviço.
- Alertas Parametrizados: O sistema deve notificar os gestores por desvios de padrão (ex.: variação de CDE acima de 10% em uma elevatória ou queda súbita do IPB em um DMC específico).
- Gestão à Vista: Visualização clara de KPIs por meio de dashboards intuitivos, permitindo que diretores e operadores tomem decisões baseadas em evidências em tempo real.
Para ter clareza total sobre o consumo de água, energia, gás e a performance operacional dos seus ativos, contar com plataformas especializadas de governança de dados e telemetria é essencial. Soluções como o Agillis Advanced da EOS Systems oferecem visibilidade centralizada e dashboards configuráveis para transformar métricas complexas em ações estratégicas imediatas.
Fonte: EOS Systems