saneamento basico
Comissão Privatização Saneamento Básico Rondônia

Brasil aposta em mais privatizações e PPPs para destravar R$900 bilhões no saneamento

Brasil Privatizações PPPs Saneamento

O Brasil deve realizar mais privatizações, concessões e parcerias público-privadas (PPPs) para impulsionar os investimentos em saneamento, apesar do aumento recente dos aportes no setor.

O país ainda enfrenta o desafio de expandir e modernizar os sistemas de água e esgoto para cumprir a regulação em vigor desde 2020, que obriga estados e municípios a universalizar os serviços até 2033, sob pena de restrições ao acesso a recursos federais.

“Estamos muito atrasados. Precisamos de entre 700 bilhões e 900 bilhões (bn) de reais (US$130bn–US$167bn) para universalizar. Aumentar a rede de água, aumentar a rede de esgoto. Melhorar as infraestruturas que têm mais de 60 anos, para reduzir as perdas, garantir maior eficiência, melhorar os medidores,” disse Verônica Sanchez da Cruz Rios, diretora-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em audiência no Senado.

Segundo Rios, os investimentos em saneamento foram historicamente baixos até a aprovação do marco legal. Em 2019, o setor recebeu R$14bn, enquanto em 2024 esse montante subiu para R$50bn.

LEIA TAMBÉM: Aegea lança hub de inovação para enfrentar desafios do saneamento no Brasil

Os índices de cobertura variam pelo país. No Sudeste, a rede de água chega a 90% da população e a de esgoto a 80,8%. No Sul, os percentuais são de 87,6% e 51,5%. Já no Norte, o abastecimento de água atinge 60,9% e o de esgoto apenas 22,8%.

Brasil Privatizações PPPs Saneamento

A maior participação privada vem sendo viabilizada por privatizações, concessões e PPPs.

“Há grande chance de termos a privatização da Copasa, que hoje é o principal ativo do setor aos olhos do investidor privado, por causa do elevado nível de receita e população atendida. Mas além de Minas Gerais, tendemos a ver outras privatizações avançando, como por exemplo no estado de Santa Catarina,” Percy Soares Neto, especialista do setor e ex-presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Água e Esgoto (Abcon), disse à BNamericas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também apoia iniciativas, como a reestruturação da Casal, de Alagoas, com possibilidade de privatização até 2027.

Enquanto isso, no estado do Rio de Janeiro, o governo pretende vender sua participação remanescente na Cedae, que já havia concedido parte significativa das operações em 2021.

LEIA TAMBÉM: Paraná Lidera Produção de Hidrogênio Renovável com Projeto Inovador

As privatizações acontecem em paralelo à agenda de concessões e PPPs.

“As privatizações não retiram a atratividade de contratos de concessão e PPPs a serem oferecidos, porque têm características diferentes, com estrutura de capital distinta para cada operação. Por isso, há apetite de empresas privadas para todos os contratos que ainda serão oferecidos nos próximos trimestres, sejam privatizações, concessões ou PPPs,” disse Soares Neto.

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA

Últimas Notícias:
Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

Estudo aponta impacto do saneamento em SP na renda e saúde

O acesso ao saneamento básico adequado pode impactar diretamente a renda, a saúde e a qualidade de vida da população. Segundo estudo do Instituto Trata Brasil. Moradores de regiões com acesso à água tratada e coleta de esgoto podem alcançar renda até duas vezes maior do que aqueles que vivem em áreas sem infraestrutura sanitária.

Leia mais »
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »