ONU associa saneamento do Brasil a agravamento da poluição marinha

ONU associa saneamento do Brasil a agravamento da poluição marinha

Relatório mundial alerta que contaminação de rios pioram cenário para mais de 4 mil espécies; ondas de calor marinhas dobraram desde os anos 80.

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou, nesta segunda-feira (8 de Julho), um relatório que analisa o estado de saúde do oceano global e a situação das águas em território brasileiro.

Em relação ao Brasil, o estudo aponta que a poluição por plásticos afeta mais de 4 mil espécies marinhas em todo o mundo.

O problema pode ser agravado no país devido ao saneamento insuficiente, aos resíduos urbanos, à poluição costeira e à contaminação de praias e rios.

“O oceano é o principal amortecedor da crise climática, mas os sinais de estresse estão se tornando cada vez mais evidentes prejudicando sua atuação na regulação climática”, diz o professor Ronaldo Christofoletti, da Unifesp, um dos coautores do relatório.

Para o Brasil, o relatório tem relevância estratégica. O país possui mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma das maiores áreas marítimas do planeta.

Além disso, depende diretamente do oceano para a regulação climática, a alimentação, a geração de energia, a conservação da biodiversidade, o transporte, o turismo e a economia costeira.

O estudo WOA3 (Avaliação Global do Oceano, em tradução livre) é um dos mais extensos relatórios sobre o tema desde 2017. Entre os destaques globais do recorde da ONU estão;

  • A frequência das ondas de calor marinhas aproximadamente dobrou desde os anos 1980;
  • A taxa de elevação do nível médio global do mar atingiu 4,3 mm por ano no período entre 2013 e 2023. Um aumento de 50% se considerado o período de 1993–2018.

O Brasil pode enfrentar impactos pelo aumento da temperatura dos oceanos, como maior vulnerabilidade costeira, riscos para cidades litorâneas, pressão sobre a pesca e aumento de eventos extremos associados ao Atlântico Tropical.

Quanto à poluição por plásticos, o relatório registra mais de 4.076 espécies impactadas pela forte expansão desse tipo de contaminação ao redor do mundo. No Brasil, o problema está diretamente relacionado ao saneamento insuficiente, aos resíduos urbanos, à poluição costeira e à contaminação de praias e rios.

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Amazônia Azul

No país, os eventos extremos marinhos afetam diretamente a pesca e a aquicultura. Além disso, representam riscos para a pesca artesanal, a segurança alimentar e a economia costeira.

Esse impacto é ainda mais significativo nas regiões Norte e Nordeste, onde essas atividades possuem grande importância social e econômica.

A pesquisa também aponta o agravamento das ameaças à biodiversidade marinha global. Segundo os dados compilados, 26,9% de todas as espécies de mamíferos marinhos avaliadas são consideradas ameaçadas.

Já para a costa brasileira, os impactos estão diretamente relacionados à conservação da biodiversidade costeira e marinha, incluindo recifes, manguezais, estuários e espécies migratórias.

O estudo destaca ainda que ecossistemas como manguezais, marismas e pradarias marinhas desempenham um papel cada vez mais importante no enfrentamento das mudanças climáticas.

No entanto, esses ambientes continuam recebendo financiamento muito abaixo da escala necessária para sua proteção e conservação.

O território nacional tem destaque em extensão dos manguezais, além da Amazônia costeira e do potencial do país para liderar iniciativas internacionais ligadas à economia azul e a soluções baseadas na natureza.

Por fim, em abril de 2027, o Rio de Janeiro sediará a 3ª Conferência Internacional da Década da Ciência Oceânica da ONU, principal encontro global da Década do Oceano.

Fonte: CNN Brasil

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