saneamento basico

Compostagem na gestão de resíduos de pescado de água doce

Resumo

O objetivo do estudo foi avaliar a contribuição da compostagem na gestão de resíduos de pescado de água doce. O tratamento consistiu de dois estágios, onde o primeiro foi realizado em uma estrutura denominada de composteira de alvenaria e o segundo compreendeu a formação da pilha. Foi utilizada maravalha e resíduos da filetagem de pescado de água doce na proporção 3:1. Os dados foram submetidos à análise de variância e regressão polinomial e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5%. Os resultados demonstraram que a compostagem é uma alternativa eficiente na gestão de resíduos da filetagem de pescado. A estrutura praticamente intacta da maravalha ao final do processo, associada à rápida decomposição dos resíduos da filetagem de pescado e à alta relação C/N no decorrer dos 90 dias de compostagem sugerem que uma maior proporção de fonte proteica poderia ter sido utilizada. O agente de estruturação proporciona compostos imaturos ao final de 90 dias de compostagem e pode ser reutilizado um maior número de vezes. Entretanto, não deve ser utilizado quando o objetivo for produzir fertilizante orgânico.

Introdução

A região Sul do Rio Grande do Sul é favorecida por reservas de água doce superiores a 3.000 km2 na Laguna dos Patos e Lagoas Mirim e Mangueira (PIEDRAS e BAGER, 2007). Segundo dados do MPA (2011), a produção de pescado na região Sul foi de 336.451,5 toneladas de pescado em 2011, respondendo por 23,5% da produção nacional (MPA, 2011), o que garantiu o fornecimento periódico de diversas espécies de peixe de água doce e salgada, além da sobrevivência de pequenas propriedades de base familiar. O pescado é vendido junto ao comércio varejista dos municípios (BALDISSEROTO, 2009). Adicionalmente, indústrias processadoras de pescado estão presentes, o que proporciona um aumento do volume de resíduos devido à preferência do consumidor pelo filé de peixe (OETTERER, 2002).

O termo resíduo refere-se às sobras e aos subprodutos dos processamentos de alimentos. O volume de resíduo gerado durante a industrialização do pescado varia conforme a espécie (CONTRERAS-GUZMÁN, 1994). Normalmente, 65% do peso vivo é descartado durante o processo de filetagem, de modo que apenas 35% do pescado é aproveitado. Além disso, há uma quantidade considerável da pesca presente nos entrepostos de comercialização in natura que não é aproveitada para consumo humano, devido ao seu baixo valor comercial. Há relatos que 68% é encaminhado às indústrias de farinha de pescado, 23% ao aterro sanitário e 9% é despejado diretamente nos rios, o que acarreta um grave impacto ambiental (STORI et al., 2002). SIPAÚBA-TAVARES et al. (2008) acrescentam que o descarte de resíduos nos recursos hídricos gera um aumento significativo na concentração de fósforo e nitrogênio, bem como um decréscimo da concentração de oxigênio dissolvido, que é essencial para a manutenção da vida aquática.

Embora grande parte dos resíduos de pescado seja destinada a fabricação de farinha, estudos que viabilizem a exploração de outras potencialidades são essenciais para o fortalecimento deste segmento do agronegócio (LÓPEZ-MOSQUERA et al., 2011). FELTES et al. (2010) afirmam que há diversas alternativas para o aproveitamento sustentável dos resíduos gerados na indústria pesqueira, assegurando melhores condições para que os subprodutos provenientes de resíduos de pescado sejam valorizados, incrementando a geração de renda para comunidades de pescadores artesanais. ARRUDA et al. (2007) explicam que o interesse em pesquisar alternativas mais vantajosas deve-se ao fato de que a comercialização da farinha proporciona um retorno econômico relativamente baixo para a indústria, levando-se em conta, principalmente, que a linha de produção deste subproduto exige grande investimento, equipamentos especiais e alto consumo energético. Além disso, é comum ocorrer problemas de rancificação do produto final. A alternativa seria a produção de fertilizantes. Corroborando esta afirmação, FERNANDES JÚNIOR et al. (2009) ressaltam que existem ainda poucos estudos formais a respeito da transformação de resíduos de pescado em fertilizantes, bem como o seu uso. Entretanto, por ser fonte de aminoácidos e micronutrientes, apresentam potencial para desempenhar importante papel na adubação orgânica (FELTES et al., 2010).

Autores: Beatriz Simões VALENTE; Eduardo Gonçalves XAVIER; Heron da Silva PEREIRA e Marcus Vinícius Tabeleão PILOTTO.

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