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Construção de jardins verticais de baixo custo para revitalização de áreas urbanas

Resumo

Os jardins verticais estão dentre as tecnologias mais interessantes para melhorar a qualidade do ar e do microclima urbano, além de revitalizar as superfícies verticais esquecidas e depredadas no ambiente urbano. Com intuito de avaliar diferentes materiais construtivos em relação ao custo e resistência, foi implantado um experimento no campus I do CEFET-MG, instalando-se dois jardins verticais, no sistema de parede viva, em uma área subutilizada e de grande fluxo de pessoas. A construção dos jardins foi adaptada da tecnologia desenvolvida por Patrick Blanc. Foram testados dois tipos de base estrutural e dois materiais para a confecção dos bolsos que suportam as plantas. Optou-se pelo sistema de irrigação por gotejamento na parte superior dos painéis, com acionamento automático por meio da instalação de um temporizador pré-programado. Para a nutrição das plantas foi utilizado composto orgânico na base dos bolsos. Os materiais testados para a base estrutural apresentaram bastante resistência no local. Não foram verificados rachaduras, envergamentos ou outro defeito que indicasse fragilidade dessas estruturas. O muro onde os jardins foram instalados também não apresentou nenhum sinal de dano. Os materiais testados para a confecção dos bolsos mostraram-se bons suportes para as plantas, além de apresentarem boa drenagem. A análise de custos permitiu concluir que a técnica de painéis modulares, com esses materiais disponíveis no mercado, tem viabilidade econômica. Os jardins verticais ainda são restritos nas cidades pelos valores elevados cobrados pelas empresas especializadas. Conclui-se que essa tecnologia de construção de jardins verticais, utilizando-se materiais de baixo custo, pode ser adotada por empresas, órgãos públicos e residências, possibilitando a recuperação de áreas degradadas e ampliando os espaços verdes em ambientes urbanos.

Introdução

A arquitetura contemporânea tem focado cada vez na utilização de sistemas de verticalização de jardins, como forma de restaurar a integridade ambiental das áreas urbanas, a biodiversidade e a sustentabilidade. Vários são os benefícios dos jardins verticais, como por exemplo, a melhoria das condições bioclimáticas, proporcionando conforto térmico; alto índice de filtragem do ar em relação a gases nocivos, isolamento acústico para ambientes que necessitam de mais privacidade; a recuperação funcional e estética de áreas abandonadas e depredadas, etc (PERINI et al., 2013).

Jardins verticais são todas as técnicas ou sistemas que utilizam plantas como cobertura para paredes internas ou externas de uma edificação ou espaço construído. As técnicas de construção de um jardim vertical podem ser divididas em dois grandes sistemas. São eles, os sistemas extensivos e sistemas intensivos. Os sistemas extensivos são aqueles em que as plantas são fixadas diretamente no solo, podendo ter suportes como treliças, para auxiliar as plantas trepadeiras subir pela parede. Já os sistemas intensivos são aqueles em que as plantas não são fixadas diretamente no solo, mas sim em recipientes fixados em um suporte ou por meio da construção de painéis modulares, normalmente feitos com material geotêxtil (SCHERER & FEDRIZZI, 2014).

No caso de um sistema intensivo, também chamados de “paredes vivas” ou “paredes verdes”, a estrutura do jardim vertical é baseada em módulos, que podem ser confeccionados com diversos materiais. Existem no mercado, módulos feitos de blocos de cimento ou cerâmicas vazadas, assemelhados a vasos, com os quais pode-se construir paredes ou muros. Outros modelos modulares comerciais são feitos de treliças de madeira, plástico ou aço, onde se penduram vasos ou jardineiras. Além de outras, mais complexas, que envolvem placas de madeira ou de diferentes tipos de plásticos, fixadas a parede ou muro, com parafusos, chumbadores e perfil de aço ou alumínio. Sobre essas placas, são presos geotêxteis drenantes de diversas gramaturas, no formato de bolsos, que darão sustentação às plantas. Os bolsos são preenchidos de solo ou outros substratos. Por não estarem diretamente no solo, as plantas dependem da adição de nutrientes e de água, por isso são utilizadas soluções nutritivas, distribuídas por um sistema de irrigação por gotejamento (PERINI & ROSASCO, 2013). Esses últimos modelos descritos são adaptações dos jardins idealizados por Patric Blanc, precursor dos jardins verticais na atualidade.

Vários fatores determinam os custos de um jardim vertical, com o local de instalação, a altura, o tamanho, os tipos de plantas, o modelo e os tipos de materiais construtivos. No Brasil, os valores dos mais simples modelos utilizando treliças é de aproximadamente 300 reais/m2, sem as plantas. Porém, o valor cobrado pelas empresas especializadas em grandes projetos pode chegar a valores bem maiores, dependendo da complexidade do jardim, pelo interesse crescente sobre os jardins verticais e existência ainda de poucas empresas no ramo. Na Europa, segundo Perini & Rosasco (2013), o custo das paredes vivas varia de 400 a 1200 euros/m2.

Esses valores restringem a utilização dessas técnicas na urbanização urbana, em espaços públicos e privados. Com intuito de avaliar diferentes materiais construtivos em relação ao custo e resistência, foi implantado um experimento no campus I do CEFET-MG, construindo-se dois jardins verticais, no sistema de parede viva, visando revitalizar uma área subutilizada e de grande fluxo de pessoas.

Autores: Ingrid Daiane Resende; Diego Fontes Lustosa; Matheus Pires Corrêa; Valéria Cristina Palmeira Zago e João Maurício Andrade Goulart.

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