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Sistema de controle gerencial para a gestão ambiental: proposição da terceira geração do sistema contábil gerencial ambiental

Resumo

O tema central deste estudo é a proposição de um sistema de controle gerencial para a gestão ambiental, sobre o qual tem se feito melhorias ao longo do tempo. Sendo assim, o objetivo da pesquisa consistiu em fornecer uma contribuição para o desenvolvimento do Sistema Contábil Gerencial Ambiental (SICOGEA) – Geração 2, buscando sua exequibilidade por meio de um estudo de caso. Para tanto, foi realizado um estudo exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa dos dados. Os procedimentos de coleta e de tratamento dos dados consistiram em grupo focal, pesquisa bibliográfica e estudo de viabilidade, desenvolvidos em três etapas: a) mapeamento dos aspectos considerados relevantes em estudos que abordam a aplicação do SICOGEA; b) análise de confiabilidade do SICOGEA; c) análise de viabilidade do aperfeiçoamento do SICOGEA-Geração 2 na percepção de pesquisadores que aplicaram o referido sistema.

Como resultado obteve-se a proposta metodológica do SICOGEA-Geração 3, que chama a atenção pela flexibilidade de sua estrutura e por apresentar uma maior integração entre as etapas e fases. A terceira geração do SICOGEA trouxe contribuições a título de inclusão de ações, como as de ‘Dinâmica dos grupos e feedback’, ‘Identificação dos stakeholders’, ‘Diagnóstico das atividades poluidoras’ e ‘Plano geral de gestão ambiental’. O modelo sugeriu a utilização do mapeamento das atividades potencialmente poluidoras como critério norteador para a atribuição dos pontos possíveis para as questões da lista de verificação. Além disso, propôs que se considere, na seleção dos fornecedores, a prova de que os produtos possuem certificação ambiental e, portanto, oferecem menos riscos ao meio ambiente. Houve também a antecipação em duas fases da elaboração do ‘Plano resumido de gestão ambiental’, tendo em vista melhorias observadas na aplicação do SICOGEA em alguns casos. Para a ilustração da aplicação de algumas das alterações introduzidas pelo SICOGEA-Geração 3 foi utilizado um estudo de caso realizado por pesquisadores que participaram do estudo de viabilidade do método. Deste modo, o método proposto mostrou ser válido como um aperfeiçoamento dos métodos de análise da sustentabilidade ambiental arquitetados por Pfitscher (2004) e Nunes (2010).

Introdução

A Contabilidade Ambiental integra o rol de instrumentos da gestão ambiental (BURRITT; SAKA, 2006) e incorpora um conjunto relativamente novo de ferramentas de gestão (BURRITT; HERZIG; TADEO, 2009).

Sob uma perspectiva gerencial, ela pode ser conceituada como uma parte das infraestruturas relacionadas com a Contabilidade, capaz de fornecer informações aos gestores sobre o meio ambiente (BURRIT; HERZIG; TADEO, 2009). De outra parte, a Contabilidade da gestão ambiental representa uma abordagem combinada, que prevê a transmissão de dados da Contabilidade Financeira e de custos para aumentar a eficiência dos materiais e reduzir os riscos, os impactos ambientais e os custos de proteção do meio ambiente (JASCH, 2003; JASCH; LAVICKA, 2006).

Assim, a Contabilidade Ambiental pode ser definida como a gestão do desempenho ambiental e econômico, por meio do desenvolvimento e implementação de adequados sistemas contábeis relacionados com o meio ambiente (BURRITT; SAKA, 2006; HENRI; JOURNEAULT, 2008). Acoplado à normalização de diversos procedimentos e práticas, como a ISO 14.000 e os Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs), os quais definem as estruturas de gestão ambiental existentes no presente, tal tipo de contabilidade pode auxiliar os gestores das empresas a gerenciar, medir e melhorar os aspectos ambientais de suas operações (de BEER; FRIEND, 2006). Henri e Journeault (2008) consideram a Contabilidade Ambiental como um componente do SGA.

Com relação aos componentes de um SGA, os métodos pesquisados defendem que o desempenho da gestão ambiental de cada processo produtivo é quantificado por um conjunto de indicadores ambientais e financeiros (PACINI et al., 2003; AL-TUWAIJRI; CHRISTENSEN; HUGHES, 2004). Nesta linha de pensamento, determinados modelos propõem que a medição seja realizada em duas dimensões: i) do ponto de vista ambiental, que ocorre pela medição física da entrada de recursos naturais, fluxos de insumos produtivos, bem como dos resíduos e emissões gerados; e ii) do ponto de vista econômico, que opera pela medição monetária dos custos, economias de custos e ganhos em relação às atividades produtivas com os efeitos ambientais associados (JASCK; LAVICKA, 2006; MORILLA; DIAZ-SALAZAR; CARDENETE, 2007).

Em vista disso, justifica-se a importância da implementação de métodos que possibilitem diagnosticar e gerenciar os aspectos e impactos ambientais. Isto vem ao encontro da metodologia proposta pelo Sistema Contábil Gerencial Ambiental (SICOGEA) – Geração 2, que consiste em um modelo de gestão aliado à Contabilidade e à Controladoria Ambiental. Uma das vantagens do SICOGEA – Geração 2 é a flexibilidade da sua aplicação em diferentes atividades. Destaca-se, ainda, a eficiência deste sistema na realização de um diagnóstico dos eventos e transações de natureza ambiental no que diz respeito à integração entre empresa e meio ambiente, como também na identificação dos pontos críticos quanto à sustentabilidade, além da estruturação de um plano de gestão ambiental composto de medidas de proteção, recuperação e/ou reciclagem.

Sendo assim, a presente pesquisa tem como objeto de estudo o SICOGEA – Geração 2, no sentido de aprimorar este modelo para monitorar o desempenho das decisões tomadas em relação ao meio ambiente. A proposta metodológica de mensuração do resultado da gestão ambiental em uma organização, tomada como referencial para este estudo, foi desenvolvida por Nunes (2010). Por sua vez, tal proposição alicerçou-se no modelo contábil de gestão ambiental defendido por Pfitscher (2004). A mesma fonte enfatiza a essência informativa do modelo, o qual capacita os gestores a avaliar os impactos das suas ações no meio ambiente.

Levando em consideração o cenário, surge a seguinte pergunta de pesquisa: que contribuições podem ser feitas para o aperfeiçoamento da aplicação do SICOGEA – Geração 2 com ênfase na Contabilidade Ambiental?

O problema em estudo ganha importância, principalmente, devido às contribuições ao desenvolvimento do aporte teórico, haja vista a incipiência das pesquisas envolvendo a gestão ambiental nas organizações. Em nível mundial, como mencionado por Henri e Journeault (2008), a literatura na área da Contabilidade Ambiental é carente. A produção científica brasileira em gestão ambiental divulgada em periódicos da área de administração entre 1996 e 2005 correspondeu a apenas 2,30% do total. Destaca-se, ainda, que grande parte da produção é relativa a um restrito número de autores, além de haver concentração da massa crítica em gestão ambiental em determinados centros de ensino e pesquisa (JABBOUR; SANTOS; BARBIERI, 2008).

Torna-se importante ressaltar que a literatura destaca a importância do desenvolvimento de modelos de gestão ambiental, aliados à Contabilidade, que incorporarem a tendência da convergência dos custos ambientais, relacionados com a recuperação do ambiente afetado pela atividade da empresa, para os custos ecológicos, que se destinam a evitar os efeitos nocivos ao meio ambiente e respeitam à pesquisa e desenvolvimento de sistemas de prevenção e controle da poluição. Portanto, o tema central deste estudo é a proposição de um sistema de controle gerencial para a gestão ambiental, sobre o qual tem se feito melhorias ao longo do tempo.

Desta forma, a pesquisa proposta objetiva fornecer uma contribuição para o desenvolvimento do SICOGEA – Geração 2, buscando sua exequibilidade por meio de um estudo de caso. Para a consecução deste objetivo central, torna-se necessário atender especificamente aos seguintes propósitos: analisar a metodologia defendida pelo Gerenciamento de Aspectos e Impactos Ambientais (GAIA) e pelo SICOGEA, ambos os métodos precursores do método unidade de análise deste trabalho; determinar as contribuições a serem consideradas no desenvolvimento da proposta de um aporte ao SICOGEA – Geração 2; propor um aporte ao SICOGEA – Geração 2; e ilustrar a aplicação do modelo SICOGEA – Geração 3, por meio de um estudo de caso. Com isso, busca-se um aperfeiçoamento da aplicação do SICOGEA – Geração 2, atendendo às diretrizes do processo de melhoria contínua.

Uma das vantagens que diferencia o SICOGEA-Geração 2 dos demais modelos de gestão ambiental consiste no emprego de fatores qualitativos e quantitativos na avaliação da sustentabilidade, o que confere objetividade ao resultado encontrado para o desempenho ambiental. Destaca-se, ainda, a eficiência deste sistema na identificação dos pontos críticos quanto à sustentabilidade, além da estruturação de um plano de gestão ambiental composto de medidas de proteção, recuperação e/ou reciclagem.

Com relação à pesquisa científica, a realização deste trabalho poderá contribuir para o aprofundamento teórico acerca dos instrumentos contábeis a serem utilizados pela gestão ambiental. Destaca-se o fato de o estudo dar continuidade aos trabalhos de Lerípio (2001), Pfitscher (2004) e Nunes (2010), conferindo dinamismo ao processo de formação do conhecimento.

O trabalho foi estruturado para ser apresentado em três capítulos, além desta introdução e das considerações finais. No capítulo 2 é enfocada a evolução dos Sistemas de Gestão Ambiental no cenário brasileiro e internacional. Quanto ao capítulo 3, apresenta-se a metodologia da pesquisa, onde se tem os procedimentos para coleta, tratamento dos dados e apresentação do método SICOGEAGeração 2. No capítulo 4 tem-se a apresentação da proposta do SICOGEA-Geração 3. O presente trabalho encerra-se com a apresentação das conclusões e sugestões para futuros trabalhos, seguida das referências.

Autores: Vivian Osmari Uhlmann e Elisete Dahmer Pfitscher.

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