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Grau de alteração ambiental dos hidrossistemas do campus da UFJF

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Resumo

A qualidade ambiental dos hidrossistemas pode ser tomada como síntese da relação sociedade-natureza. Quaisquer distúrbios promovidos no ambiente afetarão as características dos hidrossistemas. Os protocolos de avaliação rápida (PAR) ganham importância enquanto procedimentos cientificamente consistentes e de baixo custo. Adaptando um PAR proposto para diagnóstico de ambientes fluviais, esse trabalho se propõe a avaliar qualitativamente o grau de alteração ambiental dos hidrossistemas existentes no campus da UFJF. Os resultados mostram que 73% dos hidrossistemas estudados encontram-se alterados, sendo os maiores agentes impactantes as obras de infraestrutura da Universidade. Palavras-chave: Hidrossistemas, qualidade ambiental, protocolo de avaliação rápida.[/vc_column_text][vc_column_text]

Introdução

No âmbito da Geomorfologia Fluvial, as unidades hidrológicas e morfológicas refletemespecificidades das áreas de estudo, de modo que a compreensão da estruturação e dinâmica desses sistemas pode traduzir o equilíbrio do seu ambiente (CHRISTOFOLETTI, 1981). É neste contexto que o conceito de hidrossistemas ganha proeminência, não apenas como unidade de análise, mas como base teórico-epistemológica das investigações. Conforme Schumm e Piégay (2007), os hidrossistemas compreendem as trocas de matéria e energia, dadas por relações espaciais de fluxos longitudinais (montante/jusante), laterais (vertentes) e verticais (superfície/subterrâneo), distribuídas subjetivamente, constituindo um sistema territorial tridimensional. Portanto, o hidrossistema consiste por meio da interação entre o sistema hidrológico e o sistema geomorfológico, de modo que os efeitos e processos estabelecidos diante desta interação classifica-o como um sistema ambiental.

Para que seja possível avaliar ambientalmente os hidrossistemas, é necessário compreender sua dinâmica e funcionalidade, uma vez que, por suas características distintas e complexas cada hidrossistema pode apresentar respostas diferentes às alterações externas. Dessa forma, deve-se assumir que um hidrossistema não é constituído apenas por água, mas também por uma série de elementos que abarcam os subsistemas vertente e canal-planície (PETTS E AMOROS, 1996). Concomitantemente, esses subsistemas são condicionados por variáveis externas e estruturados por variáveis internas, deliberando o comportamento do sistema fluvial como um todo (CHARLTON, 2008).

Neste trabalho, o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi selecionado como área de estudo, pelo pretexto de além do mesmo apresentar uma área com ambientes lacustres e canais fluviais de primeira e segunda ordem, onde há também entre eles relações diretas e/ou indiretas, esses vem recebendo alto grau de modificação, devido à crescente urbanização do campus. Além disso, em trabalho anterior, Moura et al. (2013) realizaram uma classificação geomorfológica dos canais fluviais do campus da UFJF, indicando uma inesperada diversidade e pontuando a necessidade de estudos de avaliação de sua qualidade ambiental.

O campus da Universidade Federal de Juiz de Fora está localizado no município homônimo, entre as zonas sul e oeste do perímetro urbano, região conhecida como Cidade Alta. Constitui-se como uma espacialidade multifuncional na zona urbana de Juiz de Fora. Seu primeiro papel é, claramente, o de centro educacional, abarcando diversos cursos superiores, laboratórios e outros aparatos de infraestrutura relacionados ao ensino. Porém, deve-se ressaltar sua  importância como centro de lazer e espaço de vivência da população juiz-forana, principalmente nos finais de semana.

Sua área está inserida nos interflúvios entre as bacias do córrego Dom Bosco, que abrange a maior parcela do campus, a do córrego São Pedro e a do córrego Ipiranga. Todavia, com as intervenções antrópicas na morfologia, toda a drenagem superficial perene do campus pertence à bacia do Dom Bosco e, em sua maior parte, converge em primeiro momento para o lago artificial Manacás, nível de base no interior da instituição. A construção do campus da UFJF, entre as décadas de 1960 e 1970, culminou num intenso processo de alteração das condições do terreno no qual a instituição foi implantada.

A necessidade de se realizar inúmeras modificações no espaço para a concretização deste projeto gerou um relevo antropogênico com topos aplainados e recortados para fundação de edificações. À vista disso, pode-se inferir que este processo alterou também a dinâmica hidrológica local, uma vez que várias áreas de exfiltração foram aterradas. Ademais, o lago Manacás e o processo de canalização de nascentes e pequenos cursos de água contribuíram para uma mudança no caráter do funcionamento hidrológico na área.

Diante esses fatores, assume-se que o equilíbrio dos hidrossistemas do campus está vulnerável às diversas intervenções que a área sofre. Assim, o trabalho propõe avaliar qualitativamente o grau de alteração dos hidrossistemas do campus da UFJF. Para tanto foi adaptado e aplicado o protocolo de avaliação rápida (PAR) proposto por Callisto et al.(2002), a fim de levantar dados sobre elementos morfológicos, hidrológicos e sedimentológicos para que fosse possível compreender o comportamento dos hidrossistemas estudados.[/vc_column_text][vc_column_text]

Autores: Mirella Nazareth de Moura;  Mário Jorge Barbosa Alves;  Johnny de Souza Dias;  José Oliveira de Almeida Neto e Miguel Fernandes Felippe.

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