O 10º Encontro Nacional das Águas (ENA) consolidou importantes discussões sobre os caminhos para o avanço do saneamento brasileiro rumo à universalização dos serviços até 2033.
Promovido pela ABCON e realizado em São Paulo, o encontro reuniu autoridades, especialistas, investidores e lideranças do setor em torno de temas como investimentos, segurança regulatória, financiamento, inovação, sustentabilidade e segurança hídrica.
Entre as principais mensagens do encontro esteve a necessidade de garantir segurança regulatória e equilíbrio dos contratos de longo prazo para sustentar o atual ciclo de investimentos. Na abertura do segundo dia, a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, defendeu que o reequilíbrio econômico-financeiro seja encarado como parte natural dos contratos de saneamento.
“Nós estamos falando de contratos de longo prazo e nós temos que normalizar os equilíbrios porque eles são da essência da natureza do nosso contrato”, afirmou.

O financiamento da universalização também esteve entre os temas centrais. Nesse contexto, os debates apontaram para a necessidade de combinar diferentes fontes de recursos, incluindo BNDES, bancos comerciais, mercado de capitais e investidores. Essa diversificação se torna ainda mais importante diante do cenário de juros elevados e do volume de investimentos necessário.
Outro destaque foi o novo licenciamento ambiental. A discussão concentrou-se em como conciliar agilidade na implantação da infraestrutura com proteção ambiental e segurança jurídica. Além disso, o encontro abordou as oportunidades do mercado de carbono. Nesse sentido, destacou o potencial do saneamento para gerar créditos, reduzir emissões, promover o reúso, recuperar recursos e gerar energia.
LEIA TAMBÉM: Sabesp privatizada sempre terá reajuste menor que pública, diz Tarcísio
ENA reforça que universalização do saneamento exige segurança regulatória, investimentos e inovação
A resiliência da cadeia produtiva também apareceu como um ponto crítico. Com os investimentos em saneamento atingindo R$ 40 bilhões em 2025, segundo dados apresentados no evento, o setor precisa ampliar a capacidade de fornecedores. Ao mesmo tempo, deve garantir previsibilidade de demanda e enfrentar gargalos relacionados a insumos, logística e mão de obra qualificada.
Por fim, a segurança hídrica ganhou destaque diante do aumento dos eventos climáticos extremos. Nesse cenário, a diversificação da matriz hídrica, o reúso, a dessalinização e a integração entre água, esgoto e drenagem foram apontados como caminhos para aumentar a resiliência dos sistemas. Dessa forma, essas medidas também contribuem para garantir a continuidade dos serviços.
Ao reunir esses diferentes temas, o ENA reforçou uma mensagem central: a universalização do saneamento não depende apenas de novos investimentos. Ela também exige um ambiente regulatório previsível, capacidade de execução, inovação, fortalecimento da cadeia produtiva e preparação para os desafios climáticos.
Fonte: Portal Saneamento Básico
LEIA TAMBÉM: Mundo recicla apenas 24% dos resíduos eletroeletrônicos