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Divulgação de índices anuais tem desconsiderado corte raso total da floresta, que já ultrapassou o dobro do que era há 30 anos

Por Maurício Tuffani

Editor do website “Direto da Ciência” (www.diretodaciencia.com)

floresta

Ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, anunciam dados sobre o desmatamento da Amazônia após reunião com o presidente Michel Temer em 17 de outubro.

Foto de Valter Campanato / Agência Brasil.

Faz quase 30 anos que o governo tem divulgado as taxas anuais de desmatamento da Floresta Amazônica, mas sem contabilizar o tamanho do estrago total acumulado. Foi assim também no dia 17 de outubro, com a notícia de que o corte raso dessa grande mata tropical entre agosto de 2016 a julho de 2017 foi medido em 6.624 Km², cerca de 16 % inferior aos 7.989 Km² registrados no período anterior.

Passadas três décadas de anúncios do sobe-e-desce anual desses números, hoje praticamente ninguém sabe que a supressão total da parte brasileira da Floresta Amazônica alcançou 784.989 Km², uma extensão maior que metade da área do estado do Amazonas ou que do triplo do estado de São Paulo.

No entanto, pior que a realidade dessa comparação é o fato de o Brasil não se dar conta de que essa devastação em 2013 já havia ultrapassado o dobro do corte raso da floresta alcançado em 1988, que após algumas correções foi estabelecido em 377.600 Km². Isso significa que naquele quase final da década de 1980 já estavam suprimidos cerca de 9,5 % dos 3,99 bilhões de Km² do domínio original do bioma Floresta Amazônica. Hoje o estrago chegou a 19,7 %.

A tabela a seguir mostra não só essas taxas anuais, mas também os totais acumulados a cada ano e ofuscados por todo esse amontoado de números.

tabela-1

Na verdade, a devastação total é ainda maior do que mostram os dados desse monitoramento anual, que é realizado por meio de satélites anualmente desde 1988 pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal ( Prodes ), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ).

Esses números correspondem somente às superfícies onde houve eliminação total da cobertura vegetal por meio de corte raso. Eles não levam em consideração áreas muito degradadas pela extração seletiva de madeira e também por incêndios ocorridos anteriormente, que são monitoradas por outro projeto do Inpe, o Mapeamento da Degradação Florestal da Amazônia Brasileira ( Degrad ).

A extensão dessas áreas degradadas sem corte raso é muito variável devido à influência das oscilações das condições climáticas. Nos anos mais secos, essa degradação tende a ser maior.

O monitoramento pelo Degrad começou a ser realizado em 2007. Seus dados mais recentes apontaram que em 2011 essa devastação chegou a 24.650 Km², uma área aproximadamente equivalente a 10% do Estado de São Paulo. Esse estrago diminuiu para 8.634 Km² em 2012 e para 5.434 Km² em 2013.

Enfim, atentos quase exclusivamente ao sobe-e-desce dos índices anuais de desmatamento, mais uma vez estamos desconsiderando a dimensão crescente da devastação da Amazônia. E justamente no momento em que o governo do presidente Michel Temer, acuado sob acusações de corrupção, faz tudo para agradar os parlamentares que representam os setores mais retrógrados do agronegócio. Inclusive afrouxar as regras para o combate ao trabalho escravo.

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