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A maior dificuldade no Brasil é fazer com que as pessoas se liguem às estações de tratamento de esgoto, afirma especialista

Ligações para as ETEs

Por: Simone Schneider

Para a engenheira química e mestre em ambiente e desenvolvimento Simone Schneider, os maiores desafios para se ampliar a cobertura de tratamento de esgoto é o volume de investimento financeiro que deve ser feito pelo poder público e fazer com que as pessoas liguem as suas propriedades às redes coletoras para o transporte dos efluentes até as estações, o que impacta em custos de infraestrutura e taxas embutidas na conta mensal.

Para atender as metas do novo Marco do Saneamento Básico, será necessário grande volume de investimentos nos próximos 10 anos

“Hoje, no Brasil, a maior dificuldade de ter uma estação, a primeira dificuldade é fazer as pessoas se ligarem a essa rede, porque elas já sabem que elas vão ter que pagar por isso. A outra dificuldade é fazer com que os municípios tenham as leis específicas que digam: ‘Você é obrigado a se ligar a essa rede de tratamento, você não vai mais poder continuar da forma como está’”, explica. “É caro e as pessoas não querem pagar”, reconhece ele, que entende que esse pensamento deve mudar em prol da sustentabilidade ambiental, econômica e social.

Simone, que é sócia-proprietária da Lógica Assistência Ambiental, destaca os aspectos positivos trazidos pelo novo Marco do Saneamento Básico, aprovado pelo Congresso Nacional em 2020.

“Mas uma das coisas boas que o marco trouxe é a questão da possibilidade de entidades privadas participarem dos processos de concessão. Até então, autarquias ou entidades estaduais ou municipais faziam esse serviço de atendimento no saneamento. Agora, com o marco, os privados também podem fazer parte, tanto é que tivemos 22 leilões desde 2020 até agora, que trouxeram um certo investimento, em torno de R$ 50 milhões na questão da melhoria do saneamento”, observa, que reforça que saneamento não é só água e esgoto, pois envolve também resíduos (o lixo produzido nas casas, no comércio, na indústria), e a drenagem fluvial das águas da chuva.

“A primeira grande meta e o primeiro grande desafio é termos 90% com tratamento de esgoto e 99% da população atendida com água potável até 2033”, ressalta Simone.

Saúde Pública

Segundo dados oficiais, 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água e 100 milhões não contam com esgotamento sanitário. “É um grande deficit, e essa quantidade de pessoas sofre com isso no sentido de saúde, de educação em função dos investimentos que são necessários para tornar isso regular”, ressalta.

Para a especialista, esses números podem ser ainda maiores. Segundo ela, cidades com grande extensão rural, onde as redes de água e esgoto não chegam, as pessoas precisam criar alternativas com soluções individuais e pegar água de poços ou arroios, por exemplo.

A dispensa dos dejetos no meio ambiente também pode não ocorrer da melhor forma.

“Hoje, para você estar minimamente correto, é preciso uma fossa e filtro anaeróbico ou fossa e sumidouro absoluto, conforme a legislação de cada município”, explica.

Fonte: Independente.

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