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Lodo de estação de tratamento de água (LETA): resíduo ou insumo?

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Resumo

Um dos problemas enfrentados pelas indústrias modernas é a busca pela redução de resíduos gerados nos processos produtivos. O maior desafio da indústria de água potável está na disposição final do lodo sob os pontos de vista técnico, ambiental e econômico. No Brasil, o lodo gerado na indústria de potabilização da água é enquadrado como resíduo sólido pela NBR 10.004/2004, portanto, não deve ser lançado nos corpos d’água sem prévio tratamento. Diante dessa preocupação com a disposição do Lodo de Estações de Tratamento (LETA), estudos têm sido conduzidos para avaliar a aplicação e/ou reaproveitamento (reuso) desse resíduo. Diante disso, esta pesquisa buscou identificar alternativas viáveis para disposição final ou reuso do LETA, transformando-os em insumo para outros processos industriais. Constatou-se que a forma de disposição do LETA mais contemplada nos estudos apresentados foi aplicação na construção civil (incorporação em materiais como cerâmica), sendo que a escolha da solução mais adequada ao caso concreto deverá ser realizada após sua caracterização.[/vc_column_text][vc_column_text]

Introdução

A pressão antrópica devido ao desenvolvimento das atividades econômicas, ao crescimento exponencial da população urbana e precária prestação dos serviços de saneamento, por exemplo, vem ocasionando danos aos recursos hídricos. Em virtude disso, a qualidade da água está cada vez mais degradada, exigindo maior quantidade de produtos químicos para promover sua potabilização.

Dessa forma, são utilizados diversos processos de tratamento que, mediante a introdução de produtos químicos como os coagulantes, transformam a água bruta, normalmente inadequada nas condições naturais, em água potável. O tratamento adéqua a qualidade da água aos padrões de potabilidade estabelecidos na Portaria do Ministério da Saúde nº 2914/2011. O processo da indústria de produção de água potável gera como efluente o subproduto denominado “Lodo de ETA ou LETA”, que apresenta potencial para degradar a qualidade da água (SARAIVA SOARES et al., 2009).

Os Estados Unidos estabeleceram que essas estações de tratamento de água para abastecimento são classificadas como indústrias e, portanto, devem ter seus resíduos tratados e dispostos convenientemente (CORDEIRO, 2001). Esse também é o entendimento do Ministério Público de Minas Gerais, que considera as estações de tratamento de água – ETAs como indústrias e, dessa forma, devem atender aos padrões de lançamento exigidos na legislação como qualquer outro empreendimento.

Ademais, o LETA é classificado pela ABNT (2004) como resíduo sólido, havendo, portanto, a necessidade de sua disposição adequada.

Sabe-se que um dos problemas enfrentados pelas indústrias modernas está na redução da geração de resíduos, seu reaproveitamento e destinação adequada, tendo em vista a legislação vigente que regula atividades com potencial poluidor (PAIVA; PARREIRA, 2012). Baseando-se em tal premissa, o maior desafio da indústria de produção de água potável está na disposição final do LETA sob os pontos de vista técnico, ambiental e econômico (JANUÁRIO; FERREIRA FILHO, 2007).

Existem diversos estudos referentes às alternativas de disposição e/ou reaproveitamento desses resíduos, tais como: insumo na agricultura (condicionador do solo), disposição em aterro sanitário, incineração, uso na fabricação de cerâmica, recuperação de área degradada e recuperação do coagulante. No entanto, ainda existem lacunas sobre a melhor maneira de dispor esses resíduos, de forma a causar menor impacto ambiental devido à variação das características do lodo gerado (CORNWELL, 1999; BIDONE et al.,2001; RICHTER 2001; DI BERNARDO E DANTAS, 2005).

Assim, o trabalho objetiva levantar alternativas viáveis para disposição final ou reuso do LETA, transformando-os em insumos.[/vc_column_text][vc_column_text]

Autores: Gabriela Santos de Paiva, Viviane Teles Goulart Moreira e Alexandra Fátima Saraiva Soares.

 

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