saneamento basico

Avaliação das concentrações de metais em amostras de águas superficiais no entorno do antigo lixão do Aurá – Belém – Pará

Resumo

O presente estudo realizou uma análise para avaliar as concentrações de metais em amostras de águas superficial de rios e lagos no entorno do antigo lixão do Aurá. Sendo assim, os rios Santana do Aurá e Guamá, e os lagos Bolonha e Água Preta, foram os locais selecionados para essa pesquisa, com pontos de coletas de amostras de água, selecionado em lugares estratégicos para uma melhor interpretação como se comporta a possível influência do lixão frente a possível contaminação por metais pesados dos corpos hídricos supracitados. Com o objetivo de quantificar e avaliar essas concentrações de metais em amostras de águas e os seus valores máximos permitidos pela resolução357/05 CONAMA, foram executadas análises através da técnica de Espectroscopia de Emissão Atômica ICP-OES, os metais quantificados nesta pesquisa foram Ag, Al, As, Ba, Ca, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni, Pb, Sn, Sr, Ti, V e Zn. Os elementos Ag, Al, Fe e Pb apresentaram níveis acima dos valores máximos permitidos pela Resolução 357/05 CONAMA. Para o aumento da confiabilidade analítica foi utilizado o MRC (Material de Referência Certificado) NIST 1640ª de água de rio, onde foi obtido uma recuperação de 87,5 a 104,71 % para os elementos selecionados. Baseando-se nesta constatação os resultados deste estudo, mostraram que as águas superficiais analisadas próximas ao lixão estão impróprias e não devem ser usadas pela população para as finalidades que se destinam, segundo sua classificação na referida resolução necessitam de ações do poder público que possibilitem a proteção das populações expostas.

Introdução

A região metropolitana de Belém-PA é altamente cortada por vários, rios, canais, igarapés, além de vários lagos artificiais, ocasionando várias preocupações com a falta de estrutura de saneamento básico e ocupações do solo de maneiras inconvenientes, que em conjunto com a grande incidência de precipitações na região, contribuem para o escoamento de vários poluentes para esses corpos hídricos.

Segundo a ABRELPE, (2014), os 450 municípios dos sete Estados da região Norte geraram, em 2014, a quantidade de 15.413 toneladas/dia de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), das quais 80,8% foram coletadas. Dos resíduos coletados na região, 64,5%, correspondentes a 8.041 toneladas diárias, ainda são destinadas a lixões e aterros controlados que, do ponto de vista ambiental, pouco se diferenciam dos próprios lixões, pois não possuem o conjunto de sistemas necessários para a proteção do meio ambiente e saúde publica.

Com o passar do tempo à produção e aquisição de eletroeletrônicos vem aumentando, em conjunto com a necessidade de pilhas e baterias para seu funcionamento, criando um quadro de alerta quanto ao descarte desses materiais (pilhas, baterias e sucatas), já que possuem metais em sua composição, que ao serem descartadas em lixões, contribuem diretamente para a contaminação do meio ambiente.

Os metais podem ser introduzidos nos ecossistemas aquáticos de maneira natural ou artificial. Naturalmente, por meio do aporte atmosférico e chuvas, pela liberação e transporte a partir da rocha matriz ou outros compartimentos do solo onde estão naturalmente (PAULA, 2006). De modo artificial, por fontes antropogênicas de diversos ramos: esgoto in natura de zonas urbanas, efluentes de indústrias, atividades agrícolas, e rejeitos de áreas de mineração e garimpos (CAJUSTE et al., 1991; GOMES; SATO, 2011; MORAES; JORDÃO, 2002).

As pilhas e baterias apresentam em sua composição metais considerados altamente tóxicos e perigosos a saúde humana, fauna e flora do ambiente. Os mais característicos são: arsênio (As), cádmio (Cd), chumbo (Pb), cromo (Cr), cobre (Cu), ferro (Fe), níquel (Ni), manganês (Mn), mercúrio (Hg) e zinco (Zn), por isso, são os principais elementos nos estudos de contaminação em peixes (CANLI; ATLI, 2003).

Os corpos hídricos têm capacidade de diluir e de assimilar esgotos e resíduos mediante processos físicos, químicos e biológicos, que proporcionam a sua autodepuração. Entretanto, essa capacidade é limitada em fase da quantidade e qualidade de recursos hídricos existentes (MENEZES et al., 2004).

Com tudo um sistema de tratamento de água convencional, que consiste em um sistema composto de adutoras, floculadores, decantadores, filtros e reservatórios, onde a água bruta passa por todos esses processos na Estação de Tratamento de Água (ETA) antes de ser distribuída à população, sendo frequentemente encontrado na maioria das estações de tratamento de água do país, não apresenta etapas especificas para a remoção de METAIS, em suas etapas de tratamento. Com isso proporcionando um grande problema caso a água dos mananciais que servem como fonte para a ETA e posteriormente para a distribuição, caso apresente altas concentrações de metais na água.

Autores: Daiane Castro Antunes; Igor Perez Manzoli; Hermes Araujo de Aguiarr; Leonardo Araújo Neves e Ronaldo Magno Rocha.

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