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Resíduos Crise Climática

O papel dos resíduos sólidos no combate à crise climática

Resíduos Crise Climática

Por Milton Pilão

Com as atenções do mundo inteiro voltadas a Dubai, líderes internacionais estão mobilizados e sensíveis aos apelos para que, de fato, ocorram avanços concretos no combate à crise climática.

O planeta vem registrando, cada vez mais, efeitos extremos que escancaram esse contexto preocupante, como as sucessivas ondas de calor no Brasil e no sul da Europa, os grandes incêndios que atingiram a Grécia e os Estados Unidos e as inundações que devastaram o Canadá.

Não bastassem as evidências, há alguns dias, o mundo inteiro foi surpreendido com o alerta da agência da Organização das Nações Unidas. Em seu relatório, a ONU destaca que as metas para a redução do impacto climático, definidas no Acordo de Paris. assinado em 2015 por 197 países, já não serão suficientes para evitar o aquecimento crítico de 1.5ºC.

Fato é que não haverá qualquer pessoa ou economia no mundo que passe incólume pelas mudanças climáticas. Justamente por isso, a COP 28 é tão valiosa, já que vai além de assumir compromissos, estabelecer metas ou recordes. Como um dos líderes da agenda de sustentabilidade urbana, acompanho, com entusiasmo, o avanço da gestão dos resíduos sólidos. Desde a assinatura do Marco do Saneamento, na composição das estratégias para mitigação e adaptação às transformações do clima. Pela primeira vez em uma COP, temos um Pavilhão Internacional totalmente dedicado à gestão de resíduos e recursos naturais.

Embora ainda esteja conquistando seu espaço nos planejamentos voltados a reduzir os impactos das mudanças no clima, o setor de resíduos sólidos – que aparece somente quinto lugar entre os maiores emissores de gases de efeito estufa, com 4% das emissões, perdendo para o desmatamento (27% das emissões) e para a queima de combustíveis fósseis (que respondeu por 33 GtCO2, em 2021), por exemplo, – promove impactos diretos muito positivos, quando há uma gestão comprometida e contribui para a manutenção da saúde da qualidade de vida da sociedade civil.

Resíduos Crise Climática

Mas esse avanço não é à toa. Há inúmeras oportunidades para a redução das emissões ligadas aos resíduos. Quando o assunto é a destinação ambientalmente correta em aterros sanitários, conservar o gás metano – 28 vezes mais nocivo do que o CO² – é só o primeiro passo para impedir que ele seja dispensado no meio ambiente.

Contudo com uma gestão adequada, os aterros têm potencial para ir muito além da disposição correta do lixo e da captura do gás. Eles podem se tornar verdadeiros hubs de transformação dos resíduos, sendo capazes de produzir biometano, energia renovável, realizar compostagem e fomentar a economia circular, por meio da reciclagem, considerado um dos métodos mais bem-sucedidos para a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

Portanto no Brasil, o Governo Federal vem incentivando a reciclagem desde 2010, quando criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos – marco regulatório que prevê o gerenciamento dos resíduos sólidos e que potencializou os índices de reciclagem nos últimos anos. Recentemente, em 2021, a Lei Federal 14.246/21, também conhecida como Lei de Incentivo à Reciclagem, criou incentivos fiscais para projetos que estimulam a cadeia produtiva.

Se, por um lado, quando bem gerido, o lixo impacta positivamente todo o planeta, quando isso não acontece, os resultados são alarmantes. Um estudo da ONU publicado em março deste ano, aponta que, anualmente, a humanidade gera em torno de 2,24 bilhões de toneladas de resíduos sólidos, o que corresponde a um caminhão de lixo, cheio de plástico, descartado no oceano a cada minuto. Deste total, apenas 55% recebem a destinação ambientalmente correta. Ou seja, quase a metade dos resíduos gerados em todo o mundo é descartada sem qualquer medida de cuidado com o meio ambiente.

Situação do Brasil

Mas mesmo tendo evoluído – amparado por avanços na legislação, o Brasil ainda apresenta um contexto muito desafiador. Com mais de 200 milhões de habitantes, é um dos países que mais gera lixo. E acaba despejado a céu aberto, na rede pública de esgoto. São resíduos hospitalares, industriais, da construção civil, agrícolas e mineração, além dos domiciliares. Sem qualquer critério de separação e tratamento e que contaminam solo e lençóis freáticos, causando graves doenças.

Embora nosso país conte com toda a tecnologia necessária para cumprir as leis e transformar esse contexto. A falta de integração na gestão e os altos custos para incorporá-la ainda emperram ações mais efetivas.

Ademais é para mudar cenários como este que o setor de resíduos sólidos empreende um esforço global, buscando promover sua descarbonização e se alinhar com os objetivos e metas do Acordo de Paris.

Em conclusão resiliente, o setor de resíduos pode reunir belas contribuições para ajudar a reverter a crise climática. No entanto, é fundamental compreender que não se faz tudo isso sem a adoção de uma gestão integrada, de tecnologias e esforços comprometidos com o desenvolvimento sustentável e com a meta maior e mais urgente, que deve ser de todos, sem exceção: salvar o planeta.

Fonte: Valor.

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