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Por que o Rio Tietê amanheceu coberto por uma extensa camada de espuma

O Rio Tietê amanheceu coberto por uma extensa camada de espuma, na terça-feira, 28 de Julho, na região de Salto, no interior de São Paulo.

A mancha branca acinzentada se estende do Parque das Lavras ao complexo turístico da cachoeira, no centro da cidade. De acordo com a Defesa Civil, os gases emanados da formação de espuma podem ser prejudiciais à saúde. O fenômeno, que já ocorreu em maio deste ano, está relacionado à concentração da poluição do rio devido à estiagem.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) diz que mantém monitoramento contínuo do Rio Tietê, com vistorias, coletas de água e, desde este ano, acompanhamento por imagens de satélite em aproximadamente mil quilômetros do rio. Na região de Salto, a formação de espuma é um fenômeno recorrente. O aumento da vazão e a turbulência provocada pelas quedas d’água favorecem a formação da espuma a partir de resíduos presentes na água.

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A redução progressiva desse tipo de ocorrência depende, principalmente, do avanço da universalização da coleta e do tratamento de esgoto na bacia.

O cinegrafista Daniel Santos, morador da cidade, utilizou um drone para fazer o registro, na manhã desta terça-feira. “O rio está com muita espuma novamente. Na realidade, isso está ficando muito frequente, quase não para”, diz. Ele também registrou a formação da espuma em maio.

A prefeitura de Salto afirma que a espuma vista no Rio Tietê é resultado da carga de poluição lançada na região da Grande São Paulo.

“O despejo de resíduos de detergentes e matéria orgânica sem tratamento no rio Tietê lá na região metropolitana de São Paulo, ao chegar nas quedas d’água características do trecho do Tietê aqui no município, produz essa espuma”, diz.

Segundo o município do interior, esse fenômeno se repete todos os anos em Salto.

Além disso, a prefeitura afirma que o problema só deixará de ocorrer quando as cidades da Região Metropolitana de São Paulo cessarem o lançamento de poluição no Rio Tietê.

Enquanto isso, a Secretaria de Meio Ambiente de Salto monitora continuamente a situação. E participa de reuniões dos Comitês de Bacia. Bem como de outros grupos organizados que discutem soluções para melhorar a qualidade das águas desse importante rio para o Estado de São Paulo.

A SOS Mata Atlântica, organização ambiental que monitora a qualidade das águas do Tietê, aponta a presença de surfactantes, como detergentes, xampus, saponáceos e outros produtos de limpeza lançados no rio como causa da formação de espuma. O fenômeno se acentua quando o rio está baixo e esses poluentes ficam mais concentrados.

Apesar de ser um cenário que atrai a curiosidade de turistas e moradores, a espuma pode ser tóxica, segundo a prefeitura e a Defesa Civil. O contato com a pele e os olhos pode causar irritação, e a recomendação é que as pessoas não se aproximem e nem toquem flocos da espuma.

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Redução na carga poluidora

Ainda de acordo com a Cetesb, desde 2023, cerca de 1,5 milhão de domicílios, o equivalente a aproximadamente 4 milhões de pessoas, passaram a contar com coleta e tratamento de esgoto. Como resultado, a carga poluidora transportada pelo Rio Tietê foi reduzida em 46 toneladas por dia.

A Cetesb intensificou a fiscalização das fontes de poluição, realizando 565 inspeções desde 2025, que resultaram em 127 penalidades, entre advertências e multas, no total de R$ 14,7 milhões.

Em 2025, foram removidos 2,3 milhões de m³ de sedimentos do Tietê e do Pinheiros, com investimentos de R$ 365,1 milhões.

Fonte: Bol.Uol

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