Engeper Ambiental e Perfurações desenvolveu nova geração da tecnologia após três anos de pesquisa e inicia operação piloto em municípios do Mato Grosso do Sul
São Paulo, abril de 2026 – Municípios e indústrias que dependem de água subterrânea têm enfrentado desafios diante das altas concentrações naturais de dureza, alcalinidade, cloreto, sulfato e fluoreto, que elevam custos de tratamento, intensificam a manutenção e podem comprometer a potabilidade e o uso industrial.
Diante desse cenário, a Engeper Ambiental e Perfurações anunciou a evolução de sua tecnologia de Eletrodiálise Reversa (EDR), que, após três anos de pesquisa e mais de R$ 2,4 milhões investidos, passou a registrar eficiência 280% superior à geração anterior, concentrando em uma única etapa processos antes realizados em três estágios.
A nova EDR está em operação piloto itinerante em municípios do Mato Grosso do Sul, onde trata águas subterrâneas com alta carga de sais para validar a robustez do sistema e dimensionar futuras unidades definitivas.
O equipamento foi projetado para operar com vazão de 5 m³ por hora e pode ser fabricado de forma modular, entre 3 m³/h e 300 m³/h.
Essa tecnologia baseia-se na Eletrodiálise Reversa (EDR), que utiliza membranas seletivas e corrente elétrica para separar e remover sais dissolvidos na água.
O processo realiza a inversão periódica da polaridade elétrica. Dessa forma, reduz o acúmulo de depósitos nas membranas. Além disso, amplia a durabilidade do equipamento.
Consequentemente, preserva a eficiência operacional ao longo do tempo. Por sua vez, o aumento de 280% na eficiência foi obtido a partir do desenvolvimento interno do design do equipamento.
Também decorre da aplicação de novos espaçadores. Esses componentes, por sua vez, ampliaram o desempenho de remoção de sais por estágio operacional. E, além disso, reduziram as perdas hidráulicas do sistema.
O avanço permite reduzir estruturas físicas, consumo energético e complexidade operacional.
Segundo Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper, o ganho de eficiência responde a um desafio econômico enfrentado por cidades e indústrias.
“Quando o tratamento exige múltiplas etapas, o custo de implantação aumenta e a operação se torna mais complexa. Ao aumentar a eficiência por estágio, conseguimos simplificar o sistema e ampliar a viabilidade técnica e econômica do tratamento”, destaca.
O lançamento ocorre em um contexto em que a eficiência no uso da água se torna estratégica para o país. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), cerca de 84% da população brasileira tem acesso à água potável.
Tecnologia aumenta em 280% eficiência no tratamento de água subterrânea
No entanto, pouco mais de 55% conta com coleta de esgoto, evidenciando, assim, desafios estruturais no setor. Além disso, em regiões dependentes de aquíferos com maior salinidade, a remoção eficiente de sais torna-se decisiva.
Dessa forma, é possível evitar o desperdício hídrico, bem como reduzir incrustações. Consequentemente, contribui-se para aumentar a vida útil dos sistemas de distribuição e dos equipamentos industriais.
No cenário internacional, o relatório “Tamanho do Mercado de Equipamentos de Eletrodiálise e Relatório da Indústria, 2033”, da Global Growth Insights, projeta que o mercado global de equipamentos de eletrodiálise deve atingir US$ 0,86 bilhão até 2033, com crescimento médio anual de 8,3%, impulsionado pela busca por eficiência hídrica e energética.
A tecnologia será direcionada prioritariamente ao saneamento básico e às indústrias, segmentos nos quais variações na qualidade da água impactam diretamente a produtividade, os custos operacionais e a manutenção de equipamentos.
Na avaliação da Zapata, a evolução tecnológica marca uma nova fase da companhia. “O Brasil precisa tratar melhor a água disponível, especialmente em regiões com maior concentração de sais. Se conseguimos fazer mais em menos etapas, reduzimos custos estruturais e ampliamos o alcance do tratamento”, afirma.
Com a consolidação da etapa piloto no Centro-Oeste e a preparação para a expansão comercial da nova geração da EDR, a Engeper projeta crescimento de 40% em sua atuação nos próximos ciclos, impulsionada pela demanda crescente por soluções de eficiência hídrica no saneamento e na indústria, onde a redução de etapas operacionais e o aumento de desempenho passam a ser determinantes para a viabilidade econômica de projetos.
Sobre a Engeper Ambiental e Perfurações
Fundada em 2009, a Engeper Ambiental e Perfurações é uma empresa familiar e a única no Brasil a executar gestão hídrica 360°. Com mais de 45 anos de experiência, a Engeper detém o recorde do poço artesiano mais profundo da América Latina, com 1.650 metros de profundidade. Comprometida com a sustentabilidade, a Engeper é aliada do Pacto Global da ONU e oferece serviços de perfuração, monitoramento por telemetria e manutenções em todo o território nacional e na América Latina.
Ter acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário vai muito além da saúde: significa mais oportunidades, qualidade de vida e crescimento econômico. Um levantamento do IBGE de 2024 revela que trabalhadores que vivem em áreas com saneamento básico completo recebem, em média, quase 50% a mais do que aqueles que ainda não têm acesso aos serviços. O dado reforça como o saneamento impacta diretamente o desenvolvimento das famílias e das cidades.
Empresa reforça compromisso com a preservação dos recursos hídricos ao apresentar soluções para filtragem, automação e reúso de água aplicadas aos setores agrícola, industrial e de saneamento.
Projeto Watreat, finalista da FEBRACE 2025. Usa membrana biopolimérica para tratar água contaminada com baixo custo, segundo resumo oficial. Estudantes Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva relatam remoção de óleo vegetal, azul de metileno. Ademais, urbidez e microrganismos, com reuso por 20 ciclos e vazão de 24 L/h.
O leilão de concessão de saneamento básico de cidades que não são atendidas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deve acontecer até o fim de 2026.
A falta de coleta e tratamento adequado de esgoto continua sendo um dos principais desafios para a saúde pública no Brasil. Embora muitas vezes invisível no cotidiano das cidades. O saneamento básico está diretamente ligado à prevenção de doenças, à preservação ambiental e à qualidade de vida da população.
O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação. A conclusão é da Fundação SOS Mata Atlântica, a partir da realização da Expedição Tietê 2025, em parceria com universidades e centros de pesquisa.