saneamento basico

Tempo de retorno de inundações: aplicação metodológica

Resumo

Esse trabalho visa estimar o tempo de retorno das inundações urbanas no município de Jaguari-RS. O processo metodológico adotado fez uso dos dados das réguas milimétricas obtidas na Agência Nacional de Águas (ANA), e, com o aplicativo Pesquisas HidroWeb, foi possível sintetizar os dados a fim de obter amostras do tempo de retorno das inundações. Para tanto, usaram-se seis funções matemáticas no aplicativo Excel para prever o tempo de retorno e depois comparar os dados para obter a melhor estimativa. Entre várias informações obtidas, compararam-se: a correlação entre as amostras e os dados estimados, por meio do coeficiente de correlação linear de Pearson (R²), e o desvio padrão dos resíduos. Por meio das várias análises, constatou-se que a função que melhor modela o tempo de retorno das inundações urbanas na área de estudo é a logarítmica, por gerar o maior R² e o menor desvio padrão dos resíduos.

Introdução

Entre os inúmeros assuntos que estão em destaque na mídia (reportagens) e na comunidade científica (produções acadêmicas), ultimamente, muitos referem-se a problemas oriundos de desastres naturais, boa parte relativa a inundações urbanas. Tais eventos são comuns em meios informativos, e sua frequência, assim seus danos, são vivamente acentuados com o passar do tempo. Destaca-se o agravamento desse problema com a urbanização, que reduz os processos de infiltração da água no solo (mais impermeabilização de calçadas, ruas etc.), levando a um maior escoamento superficial e, logo, um maior aporte de água nos corpos hídricos.

O processo ainda é impulsionado pela localização, muitas vezes de ocupação de baixa renda (mais vulnerável) em posições geográficas propícias a inundações (áreas suscetíveis) como, por exemplo, áreas ribeirinhas, formado áreas de perigo (pela presença populacional), as quais depois serão essenciais para dimensionar o zoneamento do risco.

Por mais que no Brasil não haja incidência de desastres naturais de origem tectônica, Santos (2007, p. 10) alerta que em nosso país “os desastres tendem a estar relacionados a fenômenos climáticos, potencializados pela ação do homem”. Segundo dados descritos pelo mesmo autor, no período de 2000 a 2007 foram registrados cerca de 36 grandes episódios de desastres naturais (enchentes, secas e deslizamentos de terra) no Brasil, com mais de 1,5 milhões de pessoas afetadas, estimando ao país um prejuízo econômico na ordem de US$ 2,5 bilhões. Uma explicação sucinta dos grandes prejuízos no país é dada por Santos (2007, p. 11): “o uso impróprio dos recursos naturais, a ocupação de áreas com maior suscetibilidade natural e o desmatamento são, no Brasil, os principais fatores que potencializam a ocorrência de desastres naturais”.

Para entender esse trabalho, é necessária a fundamentação teórica de alguns conceitos subjacentes às questões metodológicas adotadas. Assim, inicialmente, defini-se tempo de retorno e se contextualiza o conceito perante as inundações.

Contribuem Tucci e Bertoni (2003) explicando que o tempo de retorno é o inverso da probabilidade de ocorrência do fenômeno, representando o tempo médio em que o evento se poderá replicar. A metodologia de Tucci (1993, p. 640) expressa que “a escolha do tempo de retorno é arbitrária e depende da definição do futuro zoneamento”. Ou seja, conforme o resultado obtido no tempo de retorno (a cota altimétrica correspondente a determinado tempo de retorno), o futuro zoneamento (do risco) estará atrelado a essa questão.

Ainda quanto ao termo, o Instituto Geológico de São Paulo (2012) explica que a variável denominada risco à inundação (para uma determinada população) é intimamente ligada ao tempo de retorno de um evento. Assim, é notória a importância da estimativa do tempo de retorno, pois essa variável delimita um futuro zoneamento da área de estudo, delimitando as áreas com diferentes graus de risco.

Autores: Bruno Zucuni Prina e Romario Trentin.

baixe-aqui

Últimas Notícias:
El Niño Armadores temem demora nas dragagens e nova crise na Amazônia

El Niño: Armadores temem demora nas dragagens e nova crise na Amazônia

Cerca de R$ 300 milhões teriam sido gastos pelo governo federal em dragagens emergenciais nas hidrovias da Amazônia nos últimos três anos. O problema, segundo armadores e operadores logísticos da região. É que boa parte dessas intervenções chegou tarde demais, quando a seca já havia produzido seus efeitos mais severos e os rios começavam a recuperar seus níveis. Agora, em ano de super El Niño, o setor teme a repetição desse roteiro.

Leia mais »
O Mar Não é Estação de Tratamento O Futuro das Nossas Águas no Conama

O Mar Não é Estação de Tratamento: O Futuro das Nossas Águas no Conama

O Brasil está diante de uma decisão ambiental de enorme relevância, embora ainda pouco percebida pela sociedade: a revisão da Resolução Conama nº 430/2011, norma que estabelece as condições e padrões para o lançamento de efluentes em corpos hídricos. O que pode parecer um debate técnico restrito a especialistas, na verdade, impacta diretamente a qualidade de nossos rios, estuários, baías, manguezais, zonas costeiras e oceanos. Em outras palavras, afeta a saúde ecológica do país e, por consequência, a da população.

Leia mais »
Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano

Investimentos em saneamento na Baixada Santista crescem cinco vezes e alcançam R$ 980 por pessoa ao ano

Os investimentos em saneamento básico na Baixada Santista serão cinco vezes maior após a desestatização da Sabesp promovida pelo Governo de São Paulo. Serão R$ 8,1 bilhões em investimentos de 2026 até 2029 (média de R$ 2 bilhões por ano) para resolver desafios estruturais no abastecimento de água e esgoto. Além disso, R$ 2,43 bilhões já foram aplicados entre 2024 e 2025. Antes da desestatização, a média anual de investimentos foi de R$ 400 milhões por ano entre 2017 e 2024.

Leia mais »