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Indústria busca eficiência no uso de recursos hídricos

A crise hídrica enfrentada pela Região Sudeste nos últimos três anos acendeu o sinal de alerta no setor industrial. Preocupadas com potenciais prejuízos que a falta de água pode causará produção, várias empresas decidiram colocar em prática o tão falado uso eficiente dos recursos hídricos.

As medidas incluem tecnologias modernas para o reúso de água e efluentes, além de iniciativas simples, como redução de vazamentos e troca do encanamento. Há ainda programas mais ambiciosos que implicam recuperação de bacias hidrográficas. Nesse caso, com benefícios para toda a sociedade.

Embora não seja a maior consumidora de água do País, a indústria compete com o abastecimento urbano, já que está instalada nas regiões metropolitanas ou próxima das grandes cidades.

Segundo o último relatório Conjunturados Recursos Hídricos do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA), em 2014, o setor industrial foi responsável por 15% da vazão retirada de rios e poços e 6% do consumo total. A irrigação é responsável pelo maior consumo e captação de água, 75% e 55% respectivamente.

“A adoção de novas tecnologias para a reciclagem da água tem aumentado com a crise hídrica. Hoje qualquer desperdício é encarado como matéria prima não usada”, afirma Edison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, organização que acompanha a infraestrutura de saneamento básico no Brasil.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) criou um grupo de trabalho sobre recursos hídricos. O objetivo é realizar discussões e análises a respeito do tema, além de propor ações de melhorias para o uso racional da água.
No ano passado, a associação publicou um guia de Elaboração de Plano de Contingência para a Crise Hídrica, que visa a prepararas empresas para situações de escassezhídrica. O coordenador dogrupo, Wagner Freitas, afirma que, durante a crise na bacia dos Rios Piracicaba, Capivarie Jundiaí, algumas empresas tiveram de parar a produção por conta da redução da vazão. “Por causa disso, hoje elas estão investindo para reduzir o consumo”, diz o executivo.

Captação. A demanda de água do setor químico é grande. No processo produtivo, para promover as reações químicas necessárias, as empresas já fizeram o que tinham de fazer para reduzir o consumo. Por isso, Freitas afirma que as empresas têm atacado outras frentes, como a parte de refrigeração que consome muita água e também a troca de equipamentos por outros mais eficientes.

O objetivo é reduzir a captação de água (dos rios ou poços), diminuir a geração de efluentes e aumentar o reúso. Apesar de ter ganhado força depois da crise, esse movimento começou há alguns anos. De 2006 a 2014, a captação de água caiu 36%, de 7,41 metros cúbicos para 4,75 m3 por tonelada de produto.

A porcentagem de efluentes reciclados também melhorou. Subiu de 4,6% em 2009 para 9,5% em 2014, segundo a Abiquim.
Na Trisoft, a redução do uso de água foi drástica. A empresa passou a usar um tipo de fibra (de garrafas pet) que substituía a resina usada em seus produtos. Durante muitos anos, a água era utilizada apenas para transportar a resina até as unidades. Lá, o produto passava por uma estufa para fazer a água evaporar e ficava apenas a resina. No total, era 80% de água e 20% de resina.

“No início foi difícil fazer o mercado aceitar o novo produto (feito de garrafas pet), mas aos poucos conseguimos”, diz o diretor da empresa, Maurício Cohab. Com esse problema resolvido, a empresa que atende 97 ramos de atividades diferentes, como dry wall, matéria-prima para colchão e filtragem de ar passou a reduzir o consumo de água em outras áreas do prédio.
Na Coca-Cola, o consumo de água nas fábricas foi cortado em 28% nos últimos i5anos,para 1,83 litro de água por bebida (95% do produto é água). O índice brasileiro é comparável às indústrias em países desenvolvidos como Portugal, Alemanha, Canadá, Espanha e Itália. Para 2020, a meta da empresa é reduzir o consumo de água para 1,68 litro.

O gerente de sustentabilidade da Coca-Cola, Luiz André Soares, afirma que a empresa tem feito investimentos importantes para melhorar a eficiência do uso dos recursos hídricos, como modernização das linhas de produção, reutilização do enxágue nas lavadoras de embalagens e reúso dos descartes nas estações de tratamento de água (ETA).

Da porta para fora,a Coca-Cola também tem adotado medidas para recuperar o potencial hídrico de algumas bacias. No Sudeste, a empresa participa da Coalizão Cidades pela Água, uma iniciativa da organização ambiental The Nature Conservancy (TNC) para restaurar e conservar matas ciliares de rios e nascentes que abastecem mais de 60 milhões de brasileiros, em 12 regiões metropolitanas. “Não podemos mais usar a água como antes”, diz Soares.

A Ambev, que também participa da Coalização Cidades pela Agua e de um outro projeto de preservação das bacias hidrográficas, reduziu em 40% o consumo de água nas fábricas da empresa entre 2002 e 2015. No passado, a empresa usava 4,5 litros de água para cada litro produzido.

Hoje, esse número está em 3,2 litros, afirma a gerente corporativa de meio ambiente, Beatriz de Oliveira. Segundo ela, desse volume 1 litro é efetivamente usado na bebida e 2,2 litros em outras áreas. É nessafatia de consumo que a empresa faz o reúso de água.

A companhia também tem apostado no tratamento de efluentes para o uso dentro das fábricas.
Na unidade de Jaguariúna, em São Paulo, a Ambev conseguiu reduzir em 25% o consumo com o tratamento dos efluentes. Mesma técnica será usada em Aquiraz, no Ceará.

Fonte: O ESTADO DE S.PAULO

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