Plano reúne 44 iniciativas para diminuir gases de efeito estufa, melhorar a eficiência operacional e ampliar o aproveitamento de recursos no saneamento.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) estabeleceu a meta de reduzir em 65% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas ao tratamento de esgoto até 2050. O objetivo integra o Plano de Descarbonização concluído pela empresa após um ano e oito meses de estudos e análises, com propostas para adequar as operações às metas climáticas e às demandas futuras do saneamento.
O documento apresenta 44 iniciativas para orientar a redução das emissões, com medidas alinhadas às condições operacionais, regulatórias, financeiras e institucionais da companhia. A estratégia considera principalmente os gases carbônico (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O), gerados nos processos de tratamento de esgoto.
A elaboração do plano também teve como base a atualização do inventário de gases de efeito estufa da Sanepar. A empresa informa que lançou, em 2008, o primeiro inventário desse tipo no setor de saneamento brasileiro.
Além da redução das emissões, as medidas propostas buscam conciliar o desempenho ambiental com a expansão dos serviços. Entre os objetivos estão ampliar o volume de esgoto tratado, acompanhar o crescimento populacional nos centros urbanos e avançar na universalização do saneamento.
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Eficiência operacional e economia circular
O plano prevê iniciativas relacionadas à modernização da infraestrutura, à adoção de melhorias tecnológicas e operacionais e à qualificação do tratamento dos efluentes devolvidos aos rios. As ações deverão estar alinhadas ao Plano Plurianual de Investimentos (PPI) da companhia.
Outro eixo envolve o aproveitamento de recursos gerados durante os processos de saneamento. A Sanepar pretende ampliar estratégias de economia circular, incluindo o reúso da água, o tratamento do lodo e a captação e utilização de gases para a produção de energia.
Segundo o gerente de Planejamento e Desenvolvimento Ambiental da empresa, Pedro Luiz Prado Franco, a proposta integra diferentes áreas da companhia e busca produzir resultados que vão além da redução das emissões, como ganhos de eficiência energética.
Alinhamento climático e acesso a recursos
A estratégia considera compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas. Entre eles, estão o Acordo de Paris e as iniciativas voltadas à neutralidade de emissões, conhecidas como Net Zero.
Além disso, o documento está alinhado ao Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o Plano Clima. No segmento de resíduos sólidos e efluentes, o plano estabelece diretrizes para a política climática brasileira até 2035.
Ademais, a descarbonização também pode ampliar as alternativas de financiamento da companhia. Entre as possibilidades estão a emissão de debêntures e a contratação de crédito verde.
Outra opção é a oferta de water bonds. Esses títulos de renda fixa destinam-se ao financiamento de projetos de infraestrutura hídrica.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, avalia que o plano pode fortalecer o posicionamento da empresa no mercado e ampliar sua atratividade para investidores.
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Implementação das medidas
Com a conclusão dos estudos, a companhia iniciou as primeiras tratativas para colocar as iniciativas em prática. A coordenadora do Grupo Técnico de Trabalho de Descarbonização, Roberta Miguel Kiska Filippini, informou que as ações já começaram a ser encaminhadas.
Por fim, o documento foi desenvolvido por um grupo técnico composto por empregados de diferentes áreas da Sanepar, com apoio de um consórcio formado pelas empresas I Care, CR ETES e Rotária do Brasil, contratado para conduzir os estudos e as análises que fundamentaram as metas e estratégias.
Fonte: O Presente Cultural