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Bahia vai ser o maior produtor de energia eólica

Nunca os ventos foram tão importantes para a Bahia como agora. Graças à força dos ventos, o estado está com uma capacidade instalada de geração de energia da ordem de 1.218 milhão de MegaWatts, suficientes para atender a aproximadamente um terço de todo o consumo, incluindo não só o residencial, mas também o industrial e o uso na agricultura, proporcionada pela ação dos 47 parques eólicos existentes no interior do Estado, na Região do Semiárido.

  1. Para se ter uma idéia desse potencial, em toda a Região Nordeste, com seus nove estados, a demanda atual de consumo de energia está em torno de 11 milhões de MegaWatts, das quais mais de 60% vem do sistema hidrelétrico gerado pelo Rio São Francisco.

SOLUÇÃO
“Se não fosse a geração eólica, não só a Bahia, mas todo o Nordeste já estaria, há mais de dois meses, vivendo o racionamento de energia”, disse o superintendente de Energia e Comunicação da Secretaria Estadual de Infraestrutura, Silvano Ragno.

Os 894 novos projetos que serão leiloados em fevereiro deste ano, pelo Ministério das Minas e Energia,  equivalem à capacidade de geração de três usinas de Itaipu, e se todo efetivado, vai proporcionar ao país o acréscimo de 47,6 milhões de MW de energia disponível no mercado, até 2021.E os estados que têm a maior quantidade de projetos cadastrados são a Bahia, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.

Investimentos serão de R$ 22,9 bilhões até 2019

Conforme explicou o superintendente de energia da Seinfra, Silvano Ragno, os investimentos em energia eólica na Bahia até 2019 vão ser da ordem de R$ 22,9 bilhões, bancados pela iniciativa privada e com a contrapartida do estado na infraestrutura para a instalação desses empreendimentos. A grande maioria dos parques eólicos está ou será instalado nos municípios de Guanambi, Caetité, Igaporã, Morro do Chapeu, Xique-Xique, Campo Formoso, Brotas de Macaúbas e Casa Nova. Atualmente  são 47 parques implantados, além de 60 em construção e outros 123 com projetos já aprovados e que deverão ser instalados até 2019. Somados com os 220 projetos já cadastrados, o estado deverá contar com 450 parques eólicos, se tornando o maior do Brasil nos próximos três anos.

Atualmente os maiores produtores de energia eólica são os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, sendo que este último só começou a implantar os parques eólicos a partir de  2012. A energia eólica depende da implantação de linhas de transmissão, e por isso mesmo os investimentos são altos. Toda geração é fornecida para o sistema interligado do Operador Nacional do Sistema (ONS) que a redistribui para os estados onde a demanda se faça necessária. “tem sido assim com a crise hídrica no nordeste, evitando o racionamento”, disse Silvano Ragno. Ragno explicou ainda que a Bahia possui uma capacidade plena de geração de energia eólica de 194 mil GigaWatts, o que seria suficiente para atender à demanda de todo o país. “Como a geração eólica não é permanente, por causa da intensidade e velocidade dos ventos, ela funciona como complementar da matriz energética, mas que mesmo assim tem sido fator fundamental para evitar que o país sofra com o racionamento, como no caso atual com a seca no Nordeste”, explicou.

Para este ano foram aprovados para o leilão 864 projetos de geração de energia eólica, de um total de 1.055 projetos apresentados à Empresa de Pesquisa Energética do Ministério das Minas e Energia. Juntos, eles são capazes de gerar 21.322 milhões de  megawatts (MW). Só do estado da Bahia foram incluídos 292 projetos. Outros 232 projetos estão previstos para o Rio Grande do Norte. Energia eólica é a transformação da energia do vento em energia útil, tal como na utilização de aerogeradores para produzir eletricidade, moinhos de vento para produzir energia mecânica ou velas para impulsionar veleiros.

Em 2010, a produção de energia eólica era responsável por mais de 2,5% da eletricidade consumida à escala global, apresentando taxas de crescimento na ordem dos 25% por ano. No Brasil, ela responde a 5,7% da geração total de energia, com uma produção, até novembro do ano passado de apenas 7,96 milhões de MegaWatts (MW). A maior geração ainda é da matriz hidrelétrica, que responde por 61,2 %¨de toda energia gerada no país.

Brasil pode ficar entre os maiores produtores

No levantamento feito pelo Ministério das Minas e Energia, tomando por base os leilões de energia eólica que ocorrerão a partir do próximo mês, o Brasil pode figurar na lista dos maiores geradores de energia do mundo. O levantamento “Energia Eólica no Brasil e Mundo”, do Ministério de Minas e Energia, aponta que o país foi o quarto colocado no ranking mundial de expansão de potência eólica em 2014.

A estimativa do Governo Federal, que consta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), é de que a capacidade instalada eólica do Brasil chegue a algo em torno de 24 mil MW.

Desse total, 21 mil MW deverão ser gerados na região Nordeste, o que vai representar 45% do total produzido na região.
Os países que mais expandiram a capacidade de produção de energia eólica em 2014  foram a China (23.149 megawatts), Alemanha (6.184 megawatts) e Estados Unidos (4.854 megawatts). No mesmo período, o Brasil teve uma expansão de potência instalada de 2.686 megawatts (MW).

O Brasil já contratou cerca de 16,6 mil MW de energia eólica em leilões, sendo que aproximadamente 1,4 mil MW foram assegurados por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa). Do total contratado, 7,8 mil MW já estão em operação. O total contratado equivale à energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu.

Vantagens 
Conforme explica a Empresa Brasileira de Pesquisa Energética, do Ministério das Minas e Energia (EPE), a grande vantagem da matriz energética brasileira é a disponibilidade de várias fontes limpas e renováveis para geração de energia elétrica. O avanço do setor eólico, segundo nota da EPE, vai representar uma energia complementar importante para o Brasil, que hoje tem sua base de geração de energia no sistema hidráulico.

A região Nordeste concentra 80% dos parques eólicos no Brasil e, conforme explica o superitendente de Energia da Sinfra,  Silvano Ragno a Bahia apresenta uma peculiaridade que não é encontrada nos demais estados, que são os ventos constantes na região do Semiárido, o que torna o estado o parque mais atrativo para investidores.

No ano passado, por exemplo, o  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a concessão de colaboração financeira no valor de R$ 494,2 milhões para a implantação de seis parques eólicos do Complexo Morrinhos Energias Renováveis S.A., localizados no município de Campo Formoso (BA). Com capacidade instalada de 180 MW, o projeto inclui o sistema de transmissão da energia gerada, seis centrais geradoras e a realização de investimentos sociais na região.

Mais de 100 usinas foram inauguradas ano passado 

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas em 2015, o que representou um investimento da ordem de R$ 19,2 bilhões. A inauguração mais recente foi realizada na última quinta-feira, com a implantação do Complexo Eólico Chapada do Piauí, localizado nos municípios de Marcolândia, Simões, Padre Marcos e Caldeirão Grande, com capacidade de  436,6 megawatts (MW), suficiente para abastecer mais de um milhão de residências.

Nos cinco leilões realizados em 2015 para ampliar a capacidade de geração no País, foram contratados 1.789 MW médios de diversas fontes, com investimentos previstos em R$ 13,3 bilhões. As energias renováveis tiveram destaque, com a contratação de energia eólica de 22 projetos, 30 de energia solar e 13 de biomassa, de acordo com o MME.

Em todo o país existem 349 usinas de geração de energia eólica instaladas, com capacidade de 8,71 milhões de MegaWatts. A energia eólica no Brasil teve seu primeiro indício em 1992 com o início da operação comercial do primeiro aerogerador instalado no Brasil, que foi resultado de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE) e a Companhia Energética de Pernambuco.  Essa turbina eólica, de 225 kW, foi a primeira a entrar em operação comercial na América do Sul, em 1992, localizada no arquipélago de Fernando de Noronha.

Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Google

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